Processos de aprovação de bets é feito sob sigilo de informações relativas de autorização das operadorasArte

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) pediu que a Corte de Contas analise como o governo federal define os critérios para autorizar que empresas de apostas operem no Brasil.

O subprocurador Lucas Furtado entende que há falta de transparência do Executivo no processo de habilitação. Atualmente, as autorizações para exploração de apostas de cota fixa são concedidas pela Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda.

A representação questiona a aplicação de sigilo sobre informações relativas aos processos de autorização das operadoras, especialmente de dados sobre estrutura societária e beneficiários finais. Assim, o processo da Unidade de Auditoria Especializada em Orçamento, Tributação e Gestão Fiscal (AudFiscal) verifica quem são os sócios das empresas de apostas, quais os beneficiários finais, como o governo decide conceder as autorizações e se os procedimentos adotados garantem transparência adequada ao processo.

Segundo o processo que foi distribuído ao ministro Bruno Dantas, o aumento da transparência do Executivo busca prevenir a lavagem de dinheiro, entrada de empresas de fachada no setor nacional, ocultação de nomes de empresários, conflito de interesses e participação de pessoas proibidas ou investigadas no setor.

Em processo paralelo, o TCU já fiscaliza a governança, combate à lavagem de dinheiro e supervisão do mercado de apostas, apontando a importância de mecanismos de transparência e controle nesse setor.

Endividamento
Brasileiros têm recorrido a bets como forma de conseguir fechar as contas no fim do mês. O resultado, porém, tem sido inverso, com um aumento do endividamento das famílias - 80,6% da população tinha alguma dívida em abril, um recorde.

Segundo pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP), que ouviu 600 apostadores em jogos online em maio deste ano, 35% desses apostadores em bets que viviam na cidade de São Paulo declararam que usavam plataformas online como um plano para aumentar a renda doméstica de maneira rápida.

Trata-se de um aumento de dez pontos porcentuais em relação ao resultado da mesma pesquisa realizada em 2024, quando as bets tinham acabado de ser regulamentadas. Dois anos atrás, 25% dos jogadores informaram que faziam uso das bets para fechar o orçamento doméstico.

Na população com renda de até dois salários mínimos (R$ 3.242), 40% apostam para elevar o orçamento doméstico, de acordo com a última pesquisa. (Colaborou Márcia de Chiara)