Lula defendeu ingresso de jovens no ensino superior como forma de reduzir a dependência da China e dos EUAReprodução / X

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) detalhou, na noite desta sexta-feira, 21, sua ligação com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em discurso durante o ato de lançamento da campanha de Patrus Ananias (PT) ao governo de Minas Gerais, Lula disse ter rebatido a fundamentação do governo norte-americano para impor um novo tarifaço às exportações brasileiras para o país.

"Eu comecei a dizer para ele: 'Presidente Trump, a taxação que vocês fizeram ao Brasil é não só irreal, como ela foi feita com base na mentira. Você disse que tinha desmatamento no Brasil e nós temos o menor desmatamento da história. Você disse que tinha trabalho escravo e nós combatemos o trabalho escravo'", declarou o petista, em Belo Horizonte.

Segundo Lula, Trump reconheceu as informações e pediu que o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, marcasse uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, já na próxima semana.

O petista afirmou que reiterou ao republicano sua disposição em combater o crime organizado conjuntamente com o governo norte-americano, mas sem que haja interferência no Brasil.

"Eu falei: 'Ô, Trump, se você quer combater o crime organizado, vamos combater. A Polícia Federal quer combater o crime organizado. Nós queremos prender esses bandidos. Agora, nós queremos trabalhar juntos. O que nós não queremos é interferência no Brasil'", relatou o presidente ao público presente na Praça da Estação, tradicional ponto de manifestações na capital mineira.

Lula disse ainda que sugeriu a Trump que promova um encontro com os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, em sua mansão em Mar-a-Lago, na Flórida, em busca de uma solução para as guerras no mundo.

"Falei: 'Trump, em setembro tem a reunião da [Assembleia Geral da] ONU. Convida o Xi Jinping e convida o Putin na tua casa. Convida os caras para tua casa, toma um trago e vamos tentar encontrar um jeito de fazer paz'", contou.

Também participaram do evento a primeira-dama Janja Lula da Silva; o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB); o candidato a vice-governador na chapa petista, Jarbas Soares Júnior (PSB); e as candidatas ao Senado, Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL).
'Ainda não terminamos a missão'
Lula disse ainda que se candidatou à reeleição porque ainda não concluiu sua "missão". 

"Eu gosto de falar do passado, porque tem gente que não tem passado, não tem presente e fica fingindo de falar do futuro. Quem não tem passado e não tem presente, não tem perspectiva de futuro. Eu falo do passado, penso no presente para reconstruir o futuro que eu quero neste país. E, por isso, eu sou candidato pela quarta vez à presidente da República, porque ainda não terminamos a nossa missão", disse o petista.

O candidato à reeleição também defendeu o ingresso dos jovens no ensino superior como forma de reduzir a dependência do Brasil da China e dos Estados Unidos.

"Eu agora quero que a nossa meninada, meninas e meninos, eu quero que vocês estudem, que vocês sejam engenheiras, matemáticas, que vocês estudem tudo do mundo digital, porque o Brasil não vai ficar dependendo nem da China, nem dos Estados Unidos para fazer as coisas de inteligência artificial", disse o petista ao público presente na Praça da Estação, tradicional ponto de manifestações na capital mineira.