Apresentador Marcelo de CarvalhoDivulgação/Rede TV!

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou o apresentador e ex-dono da RedeTV!, Marcelo de Carvalho, a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos devido a uma publicação em suas redes sociais considerada racista. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (7) pela Folha de S.Paulo.

Na publicação, feita em 14 de julho de 2025, Carvalho citou um assalto sofrido pelo irmão de seu filho mais velho: "Obviamente um sujeito de aparência africana, dos milhões que a Europa deixou entrar, deu uma trombada nele, arrancou o celular e saiu correndo. Ao invés de salvar os muçulmanos africanos, vão acabar com a Europa", escreveu à época.

De acordo com a decisão, além do pagamento da indenização, Marcelo de Carvalho também deverá fazer uma nova publicação em suas redes sociais para se retratar. A ação foi movida pela Educafro Brasil, que classificou o caso como racismo e xenofobia.

O apresentador ainda pode recorrer da decisão. A reportagem tenta contato com Marcelo de Carvalho. O espaço está aberto para manifestação.

Apresentador se explicou na época sobre o ocorrido

Em publicação no X, antigo Twitter, o ex-dono da RedeTV! iniciou dizendo que governos europeus reforçam ações contra a imigração irregular. "1. Governos de todas as tendências ideológicas reconhecem o problema. É um fato incontestável que, independentemente da orientação política, líderes europeus vêm adotando medidas rigorosas para conter a imigração ilegal. Basta uma rápida pesquisa para verificar que: Emmanuel Macron, presidente da França (progressista); Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido (progressista); Donald Tusk, primeiro-ministro da Polônia (centro-direita); Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca (social-democrata); Kyriakos Mitsotakis, primeiro-ministro da Grécia (conservador); Friedrich Merz, líder da oposição na Alemanha (CDU, centro-direita); Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália (direita nacionalista)".
"Todos estabeleceram barreiras rígidas, leis mais severas, ou acordos bilaterais para limitar o fluxo migratório ilegal. Isso mostra que a questão ultrapassou fronteiras ideológicas: tornou-se uma prioridade de Estado, não mais uma bandeira partidária", escreveu.
Em seguida, Marcelo afirmou que os imigrantes são de regiões locais específicos. "2. A origem dos migrantes é concentrada e conhecida. A maioria esmagadora dos imigrantes ilegais que chegam à Europa vem de regiões específicas: África Subsaariana: Guiné, Costa do Marfim, Nigéria, Mali, Senegal, Sudão, Eritreia. Norte da África: Marrocos, Tunísia, Argélia, Líbia. Esses fluxos entram principalmente por rotas marítimas, como a do Mediterrâneo Central, com destino à Itália (Lampedusa e Sicília), ou pelas Ilhas Canárias em direção à Espanha. E de lá para o resto da Europa", explicou.
Ele também enfatizou que muitas organizações humanitárias contribuem para o tráfico de pessoas. "3. ONGs e grupos travestidos de ajuda humanitária contribuem com o caos. Muitas ONGs e instituições autodenominadas humanitárias atuam, na prática, como facilitadoras do tráfico humano. Elas: Cobram valores de pessoas desesperadas em troca de promessas de transporte seguro. Coordenam resgates em alto-mar em conluio com traficantes. Incentivam a travessia ilegal e pressionam por entrada automática na Europa. Trata-se de um sistema organizado, muitas vezes financiado internacionalmente, que contribui diretamente para a tragédia humana no Mediterrâneo — e para o colapso de políticas migratórias responsáveis".
Por fim, Marcelo ressaltou que não usou termos racistas. "5. Não é discriminação. É constatação dos fatos. Portanto, para ser absolutamente claro: Quando se diz que uma pessoa foi assaltada e que, infelizmente, mais uma vez o autor era um migrante africano, isso não é discriminação racial ou étnica. É simplesmente a descrição objetiva de um fato, sustentada por dados, ocorrências policiais e testemunhos. Negar essa realidade por medo do politicamente correto não protege os cidadãos nem os migrantes honestos que tentam se integrar. Ao contrário: silencia as vítimas, impede a ação do Estado, e fortalece o discurso dos radicais", finalizou.