Arte coluna Além da Vida 07 Julho 2025Arte Paulo Márcio

No Espiritismo, o desencarne coletivo é visto como um evento que, embora trágico aos olhos humanos, não é aleatório ou desprovido de sentido. Ele se insere nas leis divinas que regem a vida e a morte, e cada espírito envolvido está cumprindo uma etapa importante de seu processo evolutivo.
O desencarne coletivo é a morte de várias pessoas em um mesmo evento, como desastres naturais (enchentes, terremotos, tsunamis), acidentes de grandes proporções (quedas de avião, naufrágios) ou guerras. A visão espírita o diferencia de uma morte individual por sua abrangência, mas o processo de desligamento do corpo físico para o espírito é o mesmo.
E por que acontecem os desencarnes coletivos? Uma das razões é a Lei de Causa e Efeito (Carma). Muitos desencarnes coletivos são vistos como uma oportunidade para grupos de espíritos que possuem débitos semelhantes de encarnações passadas quitarem suas dívidas. Não se trata de uma punição divina, mas sim de uma oportunidade de aprendizado e reparação.
Outra razão é a aceleração da evolução. Eventos dessa natureza, por mais dolorosos que sejam, podem impulsionar a evolução de muitas almas, tanto as que partem quanto as que ficam. O sofrimento gerado pela perda coletiva muitas vezes estimula a solidariedade, a compaixão e a reflexão sobre a transitoriedade da vida material.
O destino dessas almas, após um desencarne coletivo, segue os princípios gerais da vida após a morte no Espiritismo como, por exemplo, a libertação do corpo físico. O espírito se desliga do corpo físico e retorna ao plano espiritual. Esse processo não é necessariamente doloroso para o espírito. A intensidade da transição pode variar de acordo com o grau de evolução do espírito e o apego à vida material.
Esses espíritos recém-desencarnados são prontamente socorridos por equipes de espíritos benfeitores e guias espirituais. Eles são levados a hospitais e colônias espirituais, onde recebem amparo, tratamento e orientação para se adaptarem à nova realidade. Os espíritos mantêm sua individualidade, suas memórias e seus afetos. Eles reencontram entes queridos que já partiram e continuam sua jornada evolutiva no plano espiritual.
No plano espiritual, esses espíritos têm a oportunidade de refletir sobre suas vidas passadas e sobre as lições aprendidas com a experiência do desencarne coletivo. Eles compreendem o propósito do ocorrido e se preparam para futuras encarnações, se necessário, ou para auxiliar outros espíritos. Não há esquecimento: a espiritualidade não comete erros. Mesmo em desencarnes coletivos, nenhum espírito é esquecido ou fica à deriva. O amparo e o cuidado são constantes.
Para aqueles que ficam, o desencarne coletivo serve como um lembrete da transitoriedade da vida e da importância de valorizar o amor, o perdão, a compaixão e a evolução espiritual. A oração pelos desencarnados é fundamental, pois auxilia no processo de adaptação deles à nova realidade e, ao mesmo tempo, traz paz e serenidade aos corações dos que ficaram.
Em suma, a visão espírita sobre o desencarne coletivo é de que ele é um evento que, apesar da dor aparente, está inserido em um plano maior de evolução para as almas envolvidas, sempre sob a égide da justiça e da misericórdia divinas.