Arte coluna Além da Vida 14 junho 2025Arte Paulo Márcio

O amor passional é compreendido de forma distinta do amor verdadeiro ou do amor-caridade. Enquanto o amor verdadeiro é um sentimento sublime que eleva o espírito, a paixão, quando descontrolada, pode se tornar um obstáculo ao progresso moral.
As paixões não são más em sua origem. Elas são sentimentos e necessidades naturais do ser humano, postas por Deus para o bem. O problema surge quando há excesso ou abuso dessas paixões. A paixão é útil quando governada, mas se torna perigosa quando passa a governar o indivíduo. A paixão é o exagero de um sentimento ou de uma necessidade. Pode ser paixão por pessoas, por bens materiais, por poder, por ideais, etc. Quando ela domina a razão, o indivíduo perde o controle de si mesmo e pode ser levado a atitudes extremas, que ferem a si e aos outros.
Há uma claríssima diferença entre amor e paixão. O amor verdadeiro é a celeste atração das almas, a potência divina que liga os seres. É um sentimento que busca o bem do outro, a liberdade, a harmonia e o progresso mútuo. Ele se manifesta na benevolência, indulgência e caridade, não se baseando no apego ou na posse. O amor verdadeiro eleva o espírito e o aproxima da perfeição.

Já a paixão (no sentido negativo), é a ardente paixão que os desejos carnais atiçam, uma ilusão que pode confundir-se com o amor, mas que se afasta da razão e da moral. Muitas vezes, está ligada ao egoísmo, ciúme, possessividade e orgulho. Ela pode cegar o indivíduo para os defeitos e vícios do outro, e é frequentemente a origem de conflitos e sofrimentos. O "amor passional", nesse contexto, seria um amor deturpado, focado na posse e na satisfação dos próprios desejos, podendo levar a atos extremos como o crime passional.
As consequências do amor passional descontrolado podem ser graves, tanto para o encarnado quanto para os espíritos envolvidos. Ele pode gerar sofrimento moral, como o ciúme, a possessividade e a frustração. Todos esses sentimentos são gerados pela paixão desmedida, causando grande angústia e infelicidade.
A paixão causa também, ações desequilibradas. A perda da razão pode levar a crimes, atos de violência ou autoflagelação. A paixão excessiva pode abrir portas para a obsessão, onde espíritos inferiores e desequilibrados se sintonizam com as vibrações do indivíduo e o influenciam negativamente, exacerbando seus sentimentos e pensamentos descontrolados. A obsessão, nesse caso, decorre de uma imperfeição moral que dá ensejo a um espírito mau.
Para vencer as paixões, é preciso vigilância sobre os sentimentos. O autocontrole e a vontade são fundamentais. O homem tem a capacidade de vencer suas más inclinações, muitas vezes com esforços mínimos, mas a vontade precisa ser sincera. Ao buscar o bem e o progresso, o indivíduo atrai a assistência dos bons Espíritos. Direcionar o amor para o bem do próximo, sem esperar nada em troca, é o caminho para a elevação espiritual.
Em resumo, a visão espírita nos convida a transformar a paixão, que em sua essência é uma força, em um sentimento superior: o amor verdadeiro, depurado do egoísmo e da possessividade, que conduz à felicidade e ao progresso espiritual.