Aristóteles DrummondAristóteles Drummond

No momento em que a economia nacional é mais profundamente afetada por uma política econômica baseada na gastança pública, no alto endividamento no setor público e da asfixia provocada pelos juros mais elevados do mundo, sente-se a falta das lideranças empresariais que no passado tinham relevância na defesa do empresariado.

Foi anunciada a forte venda de ativos do grupo controlador da Siderúrgica Nacional, em meio a um endividamento colossal, que só na CSN montaria a 16 bilhões de reais. O grupo ainda atua no setor cimenteiro e na mineração com uma das maiores reservas de minério de ferro de Minas Gerais. O tradicional Grupo Pão de Açúcar pede recuperação judicial, as Casas Bahia e o Magazine Luiza, tradicionais varejistas, estão com prejuízos impressionantes. O índice de inadimplência nos bancos vem crescendo e o das famílias seria o maior da história.

O dedo do governo parece evidente. Inclusive ao facilitar o endividamento através do crédito farto, que desemboca na inadimplência no comércio e nos bancos. No Brasil atual, não se investe na indústria e no comércio; salvos até aqui o agronegócio, com muitas empresas em dificuldades também, e o setor de turismo. Capital estrangeiro, com tecnologia, só com favores oficiais como os dados às empresas chinesas de automóveis, que estão perto de dominar o mercado nacional.

Nos tempos de JK, alguns empresários eram ouvidos e considerados, como Rui Gomes de Almeida; nos de Jango; o banqueiro Walther Moreira Salles fazia ponderações; na Revolução de 64, o diálogo foi permanente e com interlocutores do nível de Murilo Mendes, Magalhães Pinto, Theophilo de Azeredo Santos, Antônio Carlos Osorio, Brasilio Machado Neto e Fabio Mota, entre outros tantos.

Hoje a pauta nacional ignora prioridades para uma tentativa de crescimento sustentável, estímulo ao investimento e aumento da poupança, que é abaixo da mínima desejável. A produtividade é das menores do mundo, e a insegurança jurídica, total. Não se fala em esforço nacional com base no trabalho, mas sim em diminuir horas trabalhadas por semana, tentando igualar a carga horária a de países ricos e de alta produtividade em sua mão de obra.

Na sucessão presidencial, procura-se consolidar a polarização entre um candidato à reeleição de um governo de erros e equívocos e outro cujo projeto político é anistiar o pai que o fez candidato. Isso em um país em crise e à deriva, que pede lideranças com experiência administrativa e política para unir a sociedade num projeto de desenvolvimento com liberdade, ordem e austeridade. Recente debate na televisão, no Canal Livre da BAND, unindo os governadores Ratinho Jr, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite, mostrou que pode ser possível uma solução de alto nível com qualquer um dos três. O escolhido foi Ronaldo Caiado, o mais experiente e bem testado na gestão de seu estado.

O capitalismo nacional pode estar agonizando e podemos ter uma brutal desnacionalização do setor produtivo. É preciso, portanto, de um novo Rui Gomes de Almeida para promover a conciliação e um programa de apoio ao empreendedor.

Aristóteles Drummond é jornalista