Aristóteles DrummondAristóteles Drummond
Política muda a cada minuto e nem sempre tem lógica. A eleição polarizada não é um fato consumado, pois, na verdade, interessa apenas aos dois que aparecem como favoritos nas pesquisas, mas que estão praticamente empatados, tanto na opção de voto como na rejeição. Pela teoria, este é um sintoma de que a sociedade aspira por outra solução.
Lula é o passado com um presente de fracasso, desarticulação política e perigosos índices para a economia daqui até o pleito. É sustentado por seu carisma e por ser a opção ao bolsonarismo. Na verdade, sua apertada eleição se deve ao então presidente não ter tido vice, não ter cooptado para o segundo turno pelo menos dois ou três dos demais candidatos políticos, ter anulado boa gestão na pandemia com declarações infelizes e comportamento irresponsável na negação da vacina, do isolamento, do uso de máscaras e até das vacinas contra o consenso mundial. Bolsonaro deu espaço nas mídias a Lula ao passar quatro anos hostilizando empresas jornalísticas e a nata dos profissionais que, no mínimo, ignorou. Nos anos do chamado regime militar, todos os presidentes tiveram diálogo com os principais jornalistas do país.
No mais, Lula, como Bolsonaro, tem dificuldade em controlar divergências em seu grupo político. Bolsonaro não segura nem os filhos nas discordâncias entre eles e a ex-primeira-dama – a melhor postura na controvertida família – e no que falam de aliados. As escolhas nos estados vão gerar crises internas nos dois grupos.
Lula, como é o ponto de união das esquerdas, não tem problemas internos em torno da campanha. E foi sábio em manter o confiável vice, que foi um leal companheiro ao longo do mandato atual. Já Bolsonaro tem dado espaço demais à família e a decisões solitárias, como é exemplo maior a escolha do filho como herdeiro, sem consultar nenhum aliado de primeira grandeza, alguns até candidatos a candidato. Não deve ter apoio entusiasmado para o segundo turno, assim como das bancadas a serem eleitas no primeiro. Ele e o filho não têm histórico de lealdade e muito menos de gratidão.
Caiado parece ser a mais provável opção para a terceira via no que depender da classe política. Não é homem do toma lá dá cá, mas também não é ingrato e de faltar a compromissos. Tem história na trajetória de meio século de presença na vida pública.
Zema, que estava tendo dificuldades para decolar, foi feliz ao ser agredido e a reagir a investida de ministro do Supremo. Mas parece não ter a confiança da classe política, como não tem em seu estado.
Muita água vai rolar até outubro. Tudo pode acontecer em termos de reação do eleitor, que hoje é mais informado do que no passado, à fuga da lógica por conta do carisma dos principais atores, mesmo um deles estando na prisão.
Os fantasmas do caso Master preocupam ambos os lados que vivem a polarização. E parece que com razão.
Lula é o passado com um presente de fracasso, desarticulação política e perigosos índices para a economia daqui até o pleito. É sustentado por seu carisma e por ser a opção ao bolsonarismo. Na verdade, sua apertada eleição se deve ao então presidente não ter tido vice, não ter cooptado para o segundo turno pelo menos dois ou três dos demais candidatos políticos, ter anulado boa gestão na pandemia com declarações infelizes e comportamento irresponsável na negação da vacina, do isolamento, do uso de máscaras e até das vacinas contra o consenso mundial. Bolsonaro deu espaço nas mídias a Lula ao passar quatro anos hostilizando empresas jornalísticas e a nata dos profissionais que, no mínimo, ignorou. Nos anos do chamado regime militar, todos os presidentes tiveram diálogo com os principais jornalistas do país.
No mais, Lula, como Bolsonaro, tem dificuldade em controlar divergências em seu grupo político. Bolsonaro não segura nem os filhos nas discordâncias entre eles e a ex-primeira-dama – a melhor postura na controvertida família – e no que falam de aliados. As escolhas nos estados vão gerar crises internas nos dois grupos.
Lula, como é o ponto de união das esquerdas, não tem problemas internos em torno da campanha. E foi sábio em manter o confiável vice, que foi um leal companheiro ao longo do mandato atual. Já Bolsonaro tem dado espaço demais à família e a decisões solitárias, como é exemplo maior a escolha do filho como herdeiro, sem consultar nenhum aliado de primeira grandeza, alguns até candidatos a candidato. Não deve ter apoio entusiasmado para o segundo turno, assim como das bancadas a serem eleitas no primeiro. Ele e o filho não têm histórico de lealdade e muito menos de gratidão.
Caiado parece ser a mais provável opção para a terceira via no que depender da classe política. Não é homem do toma lá dá cá, mas também não é ingrato e de faltar a compromissos. Tem história na trajetória de meio século de presença na vida pública.
Zema, que estava tendo dificuldades para decolar, foi feliz ao ser agredido e a reagir a investida de ministro do Supremo. Mas parece não ter a confiança da classe política, como não tem em seu estado.
Muita água vai rolar até outubro. Tudo pode acontecer em termos de reação do eleitor, que hoje é mais informado do que no passado, à fuga da lógica por conta do carisma dos principais atores, mesmo um deles estando na prisão.
Os fantasmas do caso Master preocupam ambos os lados que vivem a polarização. E parece que com razão.
Aristóteles Drummond é jornalista

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