Aristóteles DrummondAristóteles Drummond

A democracia e o sistema eleitoral brasileiro atravessam fase de desgaste e descrédito, no caminho de um alheamento maior dos eleitores pela via da abstenção. O desencanto maior está nas classes médias, que costumam ter o voto mais qualificado, mas que anda muito comprometida com lideranças negacionistas de baixo nível intelectual e pelo voto ideológico cego.

A presença intensa das redes sociais na divulgação do que ocorre, com opiniões e avaliações, mantém a sociedade bem-informada. E assim vai se chegando a conclusões que comprometem as instituições. São os casos de corrupção, nepotismo, de abuso nos gastos públicos e de gestão econômico-financeira temerária.

O desgaste tem base na lembrança dos anos de austeridade e responsabilidade dos governos militares, com grande acervo de realizações. A redemocratização deu nos impedimentos de dois presidentes, crises na economia e coleção de escândalos. E a conta paga pelos menos favorecidos. Não basta oferta de trabalho, quando se precisa aliar o emprego a bons salários, produtividade e preparo da mão de obra. Mas os políticos, governo e oposição, querem menos trabalho e mais votos.

Vivemos fase importante no mundo da IA; não podemos esperar para a correção de rumos. Precisamos de união, consenso, consciência da gravidade da situação e da urgência das reformas. O país é viável, precisa de juízo.

Ambos os campos em disputa, a esquerda do presidente e a direita do ex-presidente, possuem bons quadros. O vice-presidente, Geraldo Alckmin, é homem respeitado pelo equilíbrio, bom senso e experiente e pode ser peça-chave numa mudança e na ordem. Os candidatos do centro e direita pela terceira via são relevantes – Zema, Caiado e Aécio – para unir com base em formação ética e moral inquestionável. O filho indicado não se sustenta por mil motivos.

Impressiona a virulência com que os bolsonaristas atacam aliados e potenciais aliados em eventual segundo turno, conforme cresce a inviabilidade da candidatura familiar em eleição de dois turnos. Em 22, Lula foi eleito pelos 38 milhões que não votaram. Caso a opção seja a mesma, no lugar de 38, estima-se 50 milhões de brasileiros que não votarão.

Virar esta polarização deixa de ser uma mera questão política, eleitoral, para se constituir na salvação da democracia entre nós. Percebe-se que ambos os lados toleram a democracia, mas não a respeitam nem amam.
Aristóteles Drummond é jornalista