Aristóteles DrummondAristóteles Drummond

Os setores mais responsáveis da nacionalidade, com ênfase para empresários e empreendedores e classes médias sem militância ideológica, estão insatisfeitos com a polarização que torna o Brasil ingovernável, ganhe quem ganhar. E o motivo é a crise na economia que tem previsão de ocorrer no próximo mandato, pois, com a polarização, não haverá consenso e, sem consenso, medidas amargas, mas necessárias, não serão aprovadas.

A sociedade aspira um governo conciliador, identificado com o liberalismo econômico, que abra a economia para o capital, contenha gastos e melhore a qualificação da mão de obra, sem a qual o subemprego vai continuar a dominar e a estimular o ócio e a informalidade que os generosos programas sociais facilitam.

O indiscutível relacionamento e pedido de favores ao Banco Master do filho candidato pode ser a ponta do iceberg. O rapaz não é brilhante, não tem o carisma popular do pai, tem problemas a aflorar na campanha. Rachadinhas, imóveis de alto luxo e outros casos que dão margem a conclusões negativas. O presidente Lula não tem o que apresentar ao país, senão gastos generosos que fizeram aumentar os juros, o déficit público, o endividamento e a estagnação dos investimentos produtivos. Tem problemas em seu grupo ideológico, que hostiliza o setor mais consciente e realista das esquerdas. Não tem como crescer e pode até desistir da reeleição pela idade, que recomenda sair consagrado por três mandatos no lugar de sair pela derrota, que certamente vai ocultar o feito dos três mandatos.

Percebendo que a sociedade quer moderação, experiência, abertura econômica, para melhorar o salário médio, e o preparo da mão de obra, para aumentar a produtividade, que anda baixa para uma economia como a nossa, os candidatos Caiado e Zema ganham espaço e deveriam se unir e atrair o lúcido e experiente Aldo Rebelo, com pouco voto, mas credibilidade, coragem e bom senso.

Retirar a eleição, com uma família de um lado e um bando ideológico do outro, é uma aspiração legítima. Os dois ex-governadores pelo centro-direita e o atual vice, do centro-esquerda, poderiam oferecer um quadro mais confiável para a crise não aprofundar problemas na gestão do sucessor deste governo.

Este reposicionamento, viável pelo envolvimento de todos os dois lados estarem ligados de alguma maneira ao caso MASTER, parece inevitável.
Aristóteles Drummond é jornalista