Aristóteles DrummondAristóteles Drummond

A questão da corrupção no Brasil chegou à esfera política com graves consequências no conceito do regime democrático. O país, nesta era da informação, se apercebe que, nos anos de regime autoritário – Estado Novo de Vargas e militares de 64 –, a corrupção era de pequena monta. Não se conhece casos de dirigentes ou parentes de autoridades e políticos ligados àqueles anos envolvidos em roubalheiras. Falava-se muito, mas nada de peso foi apurado. Vargas e o generais de 64 morreram pobres, sem filhos abastados.

O crescimento de partidos conservadores na Europa tem muito a ver com a lembrança dos governos mais à direita na Espanha, Portugal, Itália e França sem mácula da corrupção. A qualidade dos políticos era outra.

O mundo convive com escândalos e denúncias que maculam o regime baseado nas urnas, hoje manipuladas pelo discurso populistas nas camadas menos cultas do eleitorado. Ao mesmo tempo, o peso dos impostos é sentido na perda de qualidade de vida do cidadão, nos serviços prestados pelo setor público, como medicina e segurança. A preocupação eleitoral eleva gastos públicos, provoca inflação, alta de impostos e desestimula o investimento gerador de renda e emprego. Os estados estão inchados, pesados, caros.

A colaborar com o desencanto dos povos com uma suposta democracia está o desgaste do Judiciário, influi na perda de esperança na ação da Justiça. Pelo contrário, o crime parece compensar dada a impunidade e o silêncio diante de fatos inquestionáveis de corrupção, nepotismo, favorecimento.

No Brasil, as eleições diretas permitiram equívocos lamentáveis desde a eleição de Jânio Quadros, em 1960. Com a abertura política de 85, ainda tivemos um mandato indireto, de oposição aos militares, com um político tradicional, equilibrado, conciliador e honrado como José Sarney. Na primeira eleição direta, Fernando Collor, eleito com excelente discurso e programa, viu-se envolvido em casos de corrupção em seu círculo mais próximo e caiu. A seguir, FHC, eleito, tratou logo de fazer aprovar a reeleição, que tanto tem custado ao Brasil, aos estados e municípios. Entregou o governo ao populismo de esquerda dos governos do PT, que, além de gastar mal os recursos públicos, viu a corrupção ultrapassar todos os limites, como nos casos do Mensalão, Petrolão e Lava-Jato, entre outras operações de sucesso. A eleição de Bolsonaro foi uma legítima reação; melhorou o perfil da orientação do governo, preparou o país para uma fase virtuosa, mas abatida pelo despreparo do presidente, que, inseguro, deslumbrado, mal cercado no círculo mais íntimo e familiar, construiu a derrota eleitoral.
Itamar Franco foi o único sem suspeições de corrupção em seu governo.
Agora vivemos uma economia sob críticas com o alto endividamento público, a baixa rentabilidade no setor produtivo e os impostos e juros altos. E a baixa produtividade na indústria, tendo como consequência baixos salários que freiam o consumo. Ainda se cuida de menos horas trabalhadas, nos igualando a países desenvolvidos com mão de obra altamente qualificada.

Tudo isso justifica se questionar o custo desta democracia tolerante com malfeitos, estimulando o ócio e prestando péssimos serviços públicos.
A democracia pede mais do que liberdade, que nem por isso tem sido respeitada, mas austeridade, responsabilidade e credibilidade.