Projeção de como será o Complexo Logístico Farol/Barra do Furado, no litoral entre Campos e QuissamãDivulgação
Complexo Farol/Barra do Furado: um novo horizonte de desenvolvimento
Retomada do projeto entre Campos dos Goytacazes e Quissamã promete investimentos, empregos, apoio ao setor offshore e avanço na infraestrutura portuária regional.
A escassez de infraestrutura portuária no litoral brasileiro é um problema antigo, que já abordamos neste espaço. A capacidade limitada de berços, acessos ferroviários e retroáreas eleva custos logísticos, amplia filas de navios e reduz a competitividade externa. Sem novos investimentos no setor, a tendência é de agravamento do desequilíbrio entre oferta portuária e demanda de cargas. Investir em infraestrutura hoje é condição básica para sustentar crescimento econômico, reduzir o “Custo Brasil” e garantir fluidez ao comércio exterior.
Há que se comemorar, portanto, o anúncio da retomada das obras do Complexo Logístico Farol/Barra do Furado, no trecho de litoral que divide os municípios de Campos dos Goytacazes e Quissamã. Depois de ter a pedra fundamental lançada em 2012, o empreendimento ficou parado por anos, na onda de estagnação do setor de petróleo & gás provocada pela Operação Lava-Jato. O investimento seria feito em conjunto pelos Governos Federal e Estadual e pelas Prefeituras de Campos e Quissamã.
Retomar o projeto, sempre foi um dos principais objetivos do prefeito de Campos, Wladimir Garotinho. Na quarta-feira (18), veio a notícia esperada há anos: em suas redes sociais, Wladimir anunciou que um consórcio formado pela BR Offshore e pelo Banco Fator investirá R$ 900 milhões na retomada do projeto, que prevê a dragagem e aprofundamento do leito do Canal das Flechas e a construção de uma estrutura de apoio logístico ao setor offshore, com estaleiros, serviços de reparo e base para descomissionamento de plataformas. A expectativa é que os trabalhos sejam retomados já em março, com a geração de mil empregos.
A ótima notícia coroa um esforço que vem de longe. Incansável na busca do chamado “dinheiro novo” para investimentos de peso na região, Wladimir Garotinho dedicou os últimos anos a destravar e refazer o projeto, uma vez que muitas empresas previstas em 2012 se instalaram no Porto do Açu, distante apenas alguns quilômetros. Em dezembro de 2024, conseguiu a licença ambiental para a obra, concedida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Com a licença em mãos, o prefeito partiu em busca de parceiros. Bingo.
O Complexo Logístico Farol/Barra do Furado terá localização estratégica, de frente para as principais plataformas da Bacia de Campos. Também será uma importante base de apoio para navios, ajudando a destravar o gargalo que impede o Brasil de se tornar uma potência mundial nos setores naval e portuário.
Quem também ganha com o projeto são os pescadores do Farol de São Thomé. Por falta de infraestrutura adequada, eles hoje necessitam do auxílio de tratores para entrar e sair do mar — uma operação arriscada e demorada. A dragagem do Canal das Flechas para a construção do complexo abrirá caminho para outro grande projeto da Prefeitura de Campos: a construção do Terminal Pesqueiro. No local, protegidos das fortes ondas do litoral campista, os pescadores poderão ancorar com total segurança. O terminal também terá posto de abastecimento, frigorífico e outras estruturas para o armazenamento e beneficiamento do pescado.
O Complexo Logístico Farol/Barra do Furado representa mais que uma obra local. É também um passo concreto para posicionar o Norte Fluminense como polo estratégico de apoio ao setor offshore e à economia do mar. Transformar projetos em operação, empregos e competitividade é o que separa promessas de desenvolvimento de resultados duradouros — e é isso que a região agora vê sair do papel.

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