A cirurgia é bem rápida e pode ser feita a partir do terceiro mês de vida, desde que o animal esteja saudável e com todas as vacinas em diaDivulgação/ Matheus Campos

A castração de gatos, quando feita no momento certo e com os devidos cuidados, vai muito além do controle populacional. Trata-se de um ato de carinho e cuidado com a saúde e o bem-estar dos animais. A médica veterinária Eliane D. Benati, especializada em cirurgia de pequenos animais no Hospital Veterinário Taquaral (@hvtcampinass), em Campinas (SP), destaca os principais benefícios do procedimento e responde às dúvidas mais comuns entre os tutores. “A castração responsável é uma das atitudes mais importantes que um tutor pode tomar para garantir uma vida mais longa e saudável ao seu gato”, afirma a veterinária.

Quando castrar? 
De acordo com Eliane, a cirurgia pode ser feita a partir dos três a quatro meses de vida, desde que o animal esteja saudável e com as vacinas em dia. O procedimento é conhecido como orquiectomia no caso dos machos (remoção dos testículos) e como ovariectomia ou ovariohisterectomia nas fêmeas (remoção dos ovários, ou dos ovários e do útero, respectivamente). Apesar disso, a veterinária alerta para os riscos da chamada castração pediátrica, feita precocemente:

“Esse tipo de cirurgia muito cedo pode trazer prejuízos à saúde do animal. É preciso respeitar o tempo de desenvolvimento e consultar sempre um profissional para avaliar o melhor momento”, explica.

Benefícios para a saúde

Nas fêmeas, a castração evita o cio, com todos os comportamentos associados, como vocalizações intensas e agitação. Também previne doenças como cistos ovarianos, infecções uterinas (como a piometra) e diversos tipos de câncer, inclusive o de mama, quando feita antes dos seis meses de idade.

“Além disso, gatas castradas costumam ser menos agressivas com outros felinos e tendem a viver mais tempo”, acrescenta Eliane. Nos machos, os benefícios também são expressivos: redução da marcação urinária, da agressividade e do impulso de fugir em busca de parceiras ou disputas territoriais. “A cirurgia reduz comportamentos indesejados e melhora a convivência com outros animais da casa”, afirma a veterinária.

Cuidados antes e depois da cirurgia


Antes da castração, é fundamental que o animal passe por uma avaliação clínica com um médico veterinário. Exames laboratoriais, como hemograma e testes bioquímicos, são recomendados, e em alguns casos, exames cardíacos complementares também podem ser indicados. “Mesmo sendo uma cirurgia segura, é essencial garantir que o gato esteja em boas condições de saúde para o procedimento”, destaca Eliane.

No pós-operatório, o ambiente deve ser limpo, tranquilo e seguro. O animal não deve pular, correr ou fazer esforço por pelo menos sete a dez dias. Para evitar que o gato lamba o local da incisão, o uso de colar elizabetano ou roupinha cirúrgica é indispensável.

“Se o tutor perceber qualquer comportamento fora do normal, como apatia, falta de apetite ou sinais persistentes de cio, deve procurar o veterinário imediatamente. No caso das fêmeas, isso pode indicar a chamada síndrome do ovário remanescente”, alerta a especialista.

Efeitos colaterais: como previnir

A castração pode aumentar o apetite e reduzir o metabolismo dos felinos, favorecendo o ganho de peso. Gatos obesos têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2 e, no caso dos machos, de sofrer obstruções uretrais. "Estudos recentes investigam ainda uma possível ligação entre a castração e o surgimento de alguns tumores do trato urinário inferior, mas ainda são necessárias mais evidências”, observa Eliane.

Ela destaca que, com uma alimentação balanceada, incentivo à atividade física e acompanhamento veterinário regular, esses riscos podem ser controlados.

Mudanças comportamentais

A queda nos hormônios sexuais começa a acontecer entre 24 e 48 horas após a cirurgia. Com isso, os animais ficam mais calmos, menos territoriais e menos propensos a marcar território com urina. A tendência à fuga também diminui.

“Essas mudanças costumam ser percebidas gradualmente, nas semanas seguintes à cirurgia, e ajudam a tornar a convivência mais tranquila com os tutores e outros animais da casa”, conclui a médica veterinária.

Assim, a castração se consolida como uma medida fundamental para garantir uma vida mais equilibrada e saudável aos felinos — e mais tranquila para quem cuida deles.
Gato em casa, com segurança: por que a telagem é essencial para a saúde e a vida dos felinos

Veterinária explica os riscos da vida livre, os perigos das fugas e os benefícios de manter os gatos em um ambiente protegido
Seja filhote ou adulto, castrado ou não, todo gato criado em casa precisa de uma coisa fundamental: telas de proteção.

O simples gesto de telar janelas, sacadas e áreas externas pode representar a diferença entre uma vida longa e segura e os perigos imprevisíveis da rua. Após a castração — quando o instinto de fuga costuma diminuir, mas não desaparece totalmente —, a proteção do ambiente continua sendo uma necessidade básica.

A médica veterinária Bárbara Sansão destaca que os tutores muitas vezes subestimam a habilidade dos gatos de escapar, mesmo em locais aparentemente seguros.

“Gatos são silenciosos, ágeis e extremamente curiosos. Uma fresta na janela ou um vão na varanda já é suficiente para uma fuga. E, muitas vezes, a volta não acontece”, alerta.

Enriquecimento ambiental: viver em casa não é sinônimo de tédio

Outro ponto importante é manter o gato estimulado dentro de casa, para que ele não sinta a necessidade de explorar o mundo externo. Brinquedos interativos, arranhadores, prateleiras para escalada e até varandas protegidas (“catios”) ajudam a tornar o ambiente mais interessante para o felino.

“Gato feliz é aquele que se sente seguro, estimulado e amado. É possível oferecer isso tudo dentro de casa, com responsabilidade e criatividade”, conclui a cat sitter Ana Lídia.

Telar sua casa é mais do que uma medida de proteção — é um ato de cuidado e responsabilidade. Ao garantir a segurança do seu gato, você está dando a ele a chance de viver plenamente, com saúde, bem-estar e ao seu lado por muitos anos.

Como telar uma casa com felinos: segurança em primeiro lugar

Telar uma casa é uma medida indispensável para quem convive com gatos. Curiosos, ágeis e silenciosos, os felinos conseguem escapar por pequenas frestas ou se arriscar em alturas perigosas com extrema facilidade. A instalação de redes de proteção é fundamental para evitar quedas, fugas e acidentes — garantindo a segurança e o bem-estar do animal.

O primeiro passo para telar a casa é identificar todos os pontos de risco: janelas, sacadas, basculantes, varandas, corredores com acesso externo e até mesmo vãos em muros ou telhados. O ideal é usar telas resistentes, específicas para pets ou com estrutura metálica, que suportem o peso e a força do gato sem risco de rasgar ou soltar.

A fixação deve ser feita com materiais duráveis, como ganchos de aço, buchas e abraçadeiras resistentes, evitando o uso de fitas adesivas ou soluções improvisadas. A instalação deve sempre cobrir completamente a área, sem deixar espaços abertos ou mal protegidos. Em apartamentos, o cuidado deve ser redobrado, principalmente em andares altos.

Em casas com quintal, a atenção precisa se estender a portões, telhados e muros. Muitos gatos conseguem escalar paredes ou escapar por frestas entre grades. Nesses casos, pode ser necessário criar um “telado aéreo” ou instalar barreiras inclinadas para impedir que os felinos acessem a rua.

Telar não significa limitar a liberdade do gato, mas sim garantir que ele viva com segurança. Para compensar a ausência de acesso à rua, é importante investir em enriquecimento ambiental: brinquedos, arranhadores, prateleiras, tocas e estímulos interativos fazem com que o animal explore e se exercite dentro de casa, mantendo-se ativo e mentalmente saudável.

Além de proteger, a telagem dá tranquilidade aos tutores e contribui para uma convivência mais segura e harmoniosa. Ao adaptar o lar às necessidades dos felinos, é possível oferecer liberdade com segurança — e promover uma vida longa, saudável e feliz.