A castração é considerada um dos principais atos de cuidado responsávelFreepik

A castração é considerada um dos principais atos de cuidado responsável com cães e gatos. Além de contribuir para o controle populacional, o procedimento auxilia na prevenção de doenças do sistema reprodutivo e favorece o bem-estar dos animais. No entanto, a possibilidade de ganho de peso após a cirurgia ainda gera dúvidas entre os tutores.
Embora seja comum a crença de que todo pet castrado ficará obeso, especialistas esclarecem que a castração, por si só, não é a responsável pelo excesso de peso. O que acontece é que as alterações hormonais decorrentes do procedimento podem reduzir o gasto energético do organismo, enquanto o apetite pode permanecer o mesmo ou até aumentar.
Segundo Ricardo Menezes, médico-veterinário e Gerente de Treinamento e Desenvolvimento da PremieRpet, o desafio está em adaptar a rotina alimentar do animal a essa nova condição metabólica.
“A castração altera o perfil hormonal e impacta a forma como o organismo utiliza energia. Sem ajustes, há maior tendência ao acúmulo de gordura e redução de massa magra. Por isso, a estratégia nutricional deve considerar densidade energética adequada e níveis apropriados de proteína, favorecendo saciedade e preservação muscular”, explica.
Estudos científicos já demonstraram essa relação. Pesquisas apontam que gatos podem apresentar redução do gasto energético após a castração, além de aumento espontâneo no consumo de alimentos quando não há controle das porções, elevando o risco de sobrepeso.
Apesar disso, a obesidade pode ser evitada com medidas simples. O acompanhamento veterinário, a adequação da quantidade diária de alimento e a escolha de dietas formuladas para atender às necessidades específicas dos animais castrados estão entre as principais recomendações.
“A formulação para castrados leva em conta essa nova condição metabólica. O objetivo é equilibrar menor densidade energética com nutrição completa, permitindo controle de peso sem restrições severas”, afirma Menezes.
Além da alimentação adequada, controlar a oferta de petiscos e estimular atividades físicas também são atitudes importantes. Caminhadas, brincadeiras e estratégias de enriquecimento ambiental ajudam a manter o gasto energético e contribuem para a saúde física e emocional dos pets.
Para o especialista, a castração deve ser encarada como parte dos cuidados preventivos e não como uma sentença para o ganho de peso.
“A castração não é a causa direta da obesidade, mas cria um cenário em que o manejo alimentar se torna ainda mais importante. Com orientação profissional, alimentação adequada e ajustes simples na rotina, é possível manter o pet saudável e no peso ideal”, conclui.
A mensagem para os tutores é clara: com acompanhamento veterinário e atenção à alimentação, cães e gatos castrados podem manter uma vida ativa, saudável e com qualidade.