A Quaresma é uma jornada de regresso a Deus. O Senhor nos convida a revisar nossa vida, nossas atitudes e as nossas relações com Deus e com o outro. Em um mundo marcado pelo individualismo e isolamento, a Quaresma é uma oportunidade para quebrar essas barreiras e reencontrar o caminho do amor e da solidariedade. É um período em que somos chamados a viver o jejum, a oração e a esmola como caminho para uma verdadeira conversão.
O jejum, longe de ser um simples sacrifício, é um convite a focar no que realmente importa e a se desapegar do que é passageiro. A oração deve ser um diálogo verdadeiro com Deus, um momento de intimidade e entrega. A esmola, por sua vez, deve ser um gesto concreto de compaixão, que nos aproxima do sofrimento do outro, especialmente dos mais pobres. Esses três pilares da Quaresma são meios para uma renovação do coração e um retorno ao essencial.
A jornada quaresmal é um verdadeiro êxodo da escravidão do pecado para a liberdade da vida em Deus. Tal como o povo de Israel, que passou quarenta anos no deserto, nós também enfrentamos desafios e tentações ao longo do caminho. No entanto, a força dessa viagem é a certeza de que não estamos sozinhos: Deus desceu até nós, caminhou conosco e, através de Jesus, abriu o caminho da salvação. A cruz de Cristo é o ponto de referência para nossa caminhada. Ao contemplarmos suas chagas, reconhecemos nossas fragilidades e pecados, mas também a imensa misericórdia que Ele nos oferece.
Neste tempo de Quaresma, somos chamados a olhar para a cruz com humildade e gratidão, respondendo generosamente ao chamado de Deus para a conversão e para o regresso ao seu amor. Na cruz, vemos que Deus não aponta o dedo contra nós, mas nos abre os braços.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.