Gastão Reisdivulgação
Em artigo meu anterior, levantei a questão da queda do QI observada nos últimos dez anos no Patropi. É reconhecido o fato de que o QI não reflete apenas a herança de fatores genéticos. Políticas educacionais de boa qualidade e bem direcionadas conseguiram ganhos significativos de QI em outros países.
Levantamentos internacionais apontam nessa direção e, obviamente, na direção oposta em países como o Brasil, que passaram a desqualificar seu processo de ensino básico, cujos efeitos trágicos se revelam no ensino superior.As políticas de aprovação automática vêm sendo mantidas há décadas. Passou a ser evidente seu efeito pernicioso quanto à queda do nosso QI médio.
O inverso ocorre nos países com a cabeça no lugar, como Portugal, cujo QI médio vem aumentando face à boa qualidade de seu ensino. A França, em dado momento, resolveu afrouxar seus critérios de exigência quanto ao desempenho dos alunos. Pouco depois, verificou que a medida não funcionou e retornou aos rigorosos padrões de desempenho anteriores.Na verdade, seguimos a rota equivocada de misturar um ensino médio de má qualidade com baixa exigência no nível de desempenho dos alunos. É como acreditar em bons resultados sem esforço.
Em estados como o Rio de Janeiro, alunos passam de ano tendo sido reprovados em até seis matérias. Bons resultados no ensino médio exigem professores qualificados e uma atitude de responsabilidade do aluno pelo seu próprio desempenho. Moleza e mediocridade andam de mãos dadas.É interessante observar que, nas últimas décadas, esse tipo de decadência coincide com a presença de Lula, Dilma e do PT nos poderes executivos federal, estaduais e municipais.
Nivelar por baixo foi uma política levada adiante por uma razão muito simples: o objetivo dos donos do poder era criar laços de dependência das pessoas em relação aos governos, nos três níveis de (des)governo.Ainda me recordo do que me relatou um grande amigo, por volta de 1993, que acompanhou um dos príncipes que mais lutou pela Causa. A importância dada pelo príncipe e por ele à educação básica de qualidade junto a políticos e prefeitos de municípios do interior de São Paulo era frustrante. Cansaram de ouvir como resposta que uma educação de qualidade iria impedir que eles mantivessem o controle do eleitorado. Burrice? Sim, e do tipo agudo.
O dramático nesse tipo de posicionamento é que a turma do andar de cima impede que os ganhos de renda real per capita, oriundos de uma população bem preparada, lhes permitam ficar mais ricos em termos absolutos, ainda que com uma participação menor na renda nacional. É o que fizeram países como Holanda, Inglaterra e Espanha, cuja apropriação da renda nacional pelos 10% mais ricos fica entre 21% e 34%, o que é compatível com uma renda real per capita bem mais elevada — e não os 50% como no caso brasileiro, cuja renda per capita é muito inferior.O preço de apostar na burrice nacional é um tiro que acaba saindo pela culatra.
Nosso empobrecimento relativo aos demais países que crescem é o preço desta visão mesquinha e desinformada.
Nota: No Google, procure por “Dois Minutos com Gastão Reis: Humildade para aprender”. Ou acesse pelo link: youtube.com
Contato: gastaoreis2@gmail.com
Gastão Reis é economista e palestrante

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