Vida dura dos aposentados. Dos trabalhadores da ativa também. Novembro e dezembro, uma felicidade, o décimo-terceiro. Mas dezembro também tem o natal, os presentes, as despesas com a ceia. E aí vem a virada do ano: ele é realmente novo? Janeiro já começa com taxas e impostos: incêndio, IPTU, IPVA. Em abril, começa a declaração do imposto de renda. E cadê restituição para quem é aposentado e precisa continuar trabalhando porque não dá para viver da aposentadoria?
Essa segunda fonte de renda o computador da Receita entende como lucro e o pobre trabalhador acaba tendo que pagar ainda mais imposto. E então fica, de maio até dezembro tentando refazer o orçamento, para começar tudo de novo em janeiro. Uma espécie de moto contínuo e perpétuo.
Isso me lembra o que aconteceu com um velho conhecido há alguns anos. Ele perdeu o emprego. Para arrumar um pixulé, ele decidiu fazer uma fezinha no Bicho. Felicidade geral, ganhou um dinheirinho bom na aposta. Mas quando foi receber, a surpresa: o banqueiro lá pagou a ele um prêmio bem menor que ele havia calculado.
- Não, eu ganhei muito mais que isso.
- É isso e tá acabado - disse o dono da banca.
Inconformado, o amigo resolveu cobrar na delegacia do bairro seu direito de consumidor.
- Contra quem é a sua denúncia?
- Contra o bicheiro.
O delegado, malandro, para evitar problemas maiores, chamou o bicheiro e alertou:
- Paga o cara porque senão isso vai acabar em encrenca.
O amigo conseguiu receber. E assim seguiu os meses com o dinheirinho no bolso até conseguir um novo emprego.
Hoje em dia com a disseminação violenta dos golpes, os aposentados são as vítimas principais de golpistas e espertalhões. O negócio é buscar a Inteligência Artificial para conseguir um jeito de botar junto da aposentadoria, um alarme anti-golpe. Mas esse aplicativo ainda ninguém inventou. Mas fica aqui como dica para um bom samaritano tecnológico.
E tem outra coisa: o consumo. Quem na vida não sonha com um mimo próprio? Tenho um amigo que sonha em ter uma moto aquática para andar por aí nos dias de enchente na sua comunidade, na BaixadaFluminense. Que riqueza!!!
O fato é que depois de pagar tanta taxa, tanto imposto, o jeito é apelar para as prestações. E o trabalhador acaba endividado e se torna mais um inadimplente.
Brasileiro é um eterno devedor.
Conhecido aqui de um amigo da caverna de Água Santa, decidiu investir na própria dívida. Arranjou dois cartões de crédito.
Alguém perguntou:
- Mas pra que dois?
- Eu uso um para pagar a conta do outro. Não são cartões de crédito. São cartões de dívida!
Pensando em tudo isso eu fui dormir e acordei com uma música do Aldir Blanc na cabeça: o “Rancho da Goiabada”, um clássico de 1978, em nossa homenagem.
“Os boias-frias quando tomam uma birita, espantando a tristeza...."