Nessa semana aconteceu um encontro de chefes de Estados no Rio, BRICS. Por todos os cantos, militares, policiais, drones, bloqueios garantiram a segurança do evento. Um sucesso no quesito tranquilidade. Tanto que o burgo-mestre da cidade ofereceu até um prédio para sediar o grupo. Animados com a ideia, os conselheiros aqui do Principado de Água Santa decidiram lançar a nossa candidatura à sede oficial. Afinal, o quintal aqui é bem espaçoso e nem precisa das tropas federais para reforçar a segurança.
Não há registros de roubos, nem de pensamentos ou mesmo de amores. O maior crime no Principado é o de soltar pipas. O potencial do crime é o uso da linha chilena.
Ah, vez por outra, alguém vizinho quebra a Lei do Silêncio. Afinal, ninguém é perfeito.
Antes das 6 horas da matina, os pássaros fazem o adorável barulho dos cantos. Ainda não foi registrado o canto das Arapongas, idêntico ao de ferreiro malhando ferro.
Arapongas, dizem as más línguas, tem em Brasília. Não sei se cantam.
O som mais alto fica por conta do Bem Te Vi. Mas, por cá, ninguém reclama.
Os vizinhos, creiam, até sentem falta quando não escutam. E nada de manter o passaredo em gaiolas. Afinal, prisão é para criminosos.
Bem, não esqueçam que aqui tem o Presídio Ary Franco. Engraçado: não há registros de moradores do Principado habitando naquela cadeia.
De resto, os decibéis ficam por conta dos mascates. Eles ainda anunciam frutas, carro do ferro velho, do padeiro (Kombi e motos), e os que vendem roupas. Ih, agorinha passou o padeiro, com sua buzina estridente. Mas, já são quase 8 horas da matina.
Ele aceita encomendas - jornais, leite, revistas, bolos - e sempre atende os pedidos antecipados. Já está no clima atual: tem ZAP, para encomendas de última hora.
Então, pode fazer barulho matinal.
Pior são os fogos de artifícios. Não falta vizinho torcedor de certos times de futebol. Disparam rojões em horas impróprias. Esquecemos que são proibidos. Mas, o que fazer?
Antes da Linha Amarela, o barulho vinha das explosões da pedreira. Não existe mais, sempre é bom lembrar: Água Santa era o subúrbio do subúbio do Engenho de Dentro. Saudades daquele tempo.
No tempo em que o arco íris era em preto e branco, o comércio usava o caderno do "devo". Hoje, amigos, tem que ser no Cartão de Crédito. E, aguentem os juros.
Bem, agora, o panelão da canjica tá no fogão a lenha. Espigas de milhos em panela separada. Cuscuz e, claro, churrasco de carne bovina, do tal de frango e tilápias. Caramba, Ibiapina não esqueceu do Quentão. Amiga Lelé mandou montanha de pipocas. Bem, esperamos as autoridades estrangeiras, caso aceitem o quintal da Caverna. As despesas não vão abalar os cofres do governo. Tudo por conta dos mais velhos do Principado. Ah, por essas bandas, políticos não entram. Nem no futuro, nem no passado. Só mesmo pelas ondas do rádio. Acreditem, amigos. Naqueles velhos tempos, a Voz do Brasil, programa radiofônico do governo, sempre no ar às 19 horas, tinha enorme audiência: cem por cento.
Que saudade da professorinha...

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