Duas semanas de folga para tratar de assuntos particulares de todo o grupo. Cada um tirando suas ¨férias, se é que se chama férias, já que a maioria está aposentada. Nosso objetivo comum foi realizar uma expedição exploratória atrás de produtos originais. Estamos cansados dessa geração “tipo”, que nada mais é do que genérico vagabundo da comida raiz!
Decidimos procurar em importadores e exportadores de grãos de café e de outros comestíveis, como queijos naturais, em nada parecidos com aqueles que nós comemos nas pizzas pelo quase mundo afora, que parece mais plástico.
Tudo original. Essa foi a decisão. Só produtos originais ou artesanais, e peças de carne cortadas na hora, como faziam os antigos açougues. Nada mais em bandejinhas já expostas. Estão proibidas.
Dividimos os grupos por alimentos. Deu um trabalhão para levantamento de preços e divisão de compras e tarefas, mas conseguimos. O azeite foi mais desafiador. O genuíno não é tipo extra virgem, que o meio litro custa 30 e poucos reais, nada disso. O azeite puro de oliva tá custando 80, 100 reais, meio litro. Mas é azeite. Ele é grosso. Não o outro que mais parece refresco. No rótulo, está escrito azeite, mas é pura soja.
Outra tapeação são esses pacotes de massa. E o molho de tomate? Antigamente se dizia que era para inglês ver. Curioso, porque inglês algum vai comprar esse negócio.
Na prática, iniciamos uma cooperativa para melhorar a alimentação dos mais velhos daqui da Caverna e de seus familiares. Comentei isso com o Dr Leopoldino, durante uma visita que fiz ao nosocômio, ali da Tijuca.
Veterano catedrático na especialidade de clínica geral, Dr Leopoldino apoiou a ideia da cooperativa e ainda deu uma geral aqui na carcaça velha de guerra, certo? E estou pronto para o batente.
Mas, voltando à carne seca (original), duas vans pilotadas por dois exímios sinesíforos saíram em campo levando os velhinhos para as compras. No caminho entre um estabelecimento e outro, uma paradinha estratégica na barbearia do Claudio, nosso “Barbeiro de Sevilha”, de Rossini. O salão só tem disponível um jornal para entreter a clientela. É O Dia. Acreditem. Assim, enquanto cuida da barba e cabeleira da freguesia, Cláudio lê sobre as aventuras e desventuras do Principado.
De lá, partimos para o frigorífico do amigo do Júlio para adquirir as peças a preço de atacado. O mesmo fizemos com os carvoeiros, nas carvoarias aqui da região. A gente compra aqueles sacos enormes de pau queimado que é para abrilhantar o churrasco com mais sabor.
Um bom exemplo do “tipo” é o café. Meio quilo sai entre 40 e 50 reais. No rótulo está escrito, colhido e torrado, moído e empacotado por empresa tal. O café em grão, torrado, em grão, o do bom, do bom grão, o quilo custa quase R$ 150 e. às vezes, é até mais, dependendo da marca. Curioso. Por que o grão torrado inteiro é mais caro do que o moído e empacotado se, em tese, gasta muito menos energia elétrica? Mistério.
Bem, enquanto as carnes originais que compramos não ficam no ponto na churrasqueira, vamos saborear os quitutes que Fred prepara a moda da terra dele, aquele cantão da Suíça. Eu tinha um adesivo com o nome da cidade dele colado no porta-luvas do meu Gurgel. Aquele mesmo, tipo Jeep.

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