A idade avançada e o tempo mais livre fazem de nós grandes observadores da natureza. Talvez, por isso mesmo, em algum momento nessa semana chuvosa, o barulho da chuva batendo contra o gramado do quintal, despertou nossa atenção. Estava faltando ali um som familiar... O Conselho dos Veteranos aqui de Água Santa, estava abrigado na parte coberta da varanda, quando Nelson perguntou:
— Vocês têm ideia de onde foi parar o passaredo? Por que não gorjeiam na chuva?
— Vocês têm ideia de onde foi parar o passaredo? Por que não gorjeiam na chuva?
Não diga que o amigo nunca se perguntou sobre isso!! Sobre o mistério que envolve o desaparecimento das aves nos momentos de chuva. Por que tanto silêncio.
O fato é que as aves buscam, como todos nós, um abrigo pra se proteger. Aves que normalmente se empoleiram em cavidades — como chapins e os pica-paus — se escondem ali mesmo. Outras procuram as moitas mais densas. Elas também podem usar caixas-poleiro. Às vezes, mais de uma dúzia de aves se amontoam em uma única caixa para conservar o calor.
E há sempre aquelas que buscam abrigos em telhados.
Mas pra que tanto silêncio? Por que não cantam.
Depois de algum debate acalorado, mais pelo café do que pela emoção, sobre as razões do passaredo se calar na chuva, resolvemos consultar a tal Inteligência Artificial:
“Eles diminuem a atividade, permanecem imóveis para conservar calor e proteger suas penas impermeabilizadas. Antes da chuva, costumam intensificar a busca por alimento”, revelou a danada da IA.
“Eles diminuem a atividade, permanecem imóveis para conservar calor e proteger suas penas impermeabilizadas. Antes da chuva, costumam intensificar a busca por alimento”, revelou a danada da IA.
Diante da informação, decidimos que era chegada a hora da caverna ter um abrigo “antichuvas fortes” para o passaredo. Fred, o inventor, bolou um projeto inspirado no hangar de zepelim - umas tendas enormes, com cobertura de lona e prateleiras penduradas com água e alimentos pra todas as espécies. Milho picado, bolinha de pão, rações especiais, tudo pra garantir um abrigo quentinho e abastecido durante o temporal pra turma alada aqui do Principado.
Foi aprovado por unanimidade pelo Conselho dos Velhos. E já começamos a fazer a vaquinha para a compra do material: tubos de metal e lonas coloridas ou pintadas de flores e frutos. E vamos também afastar a churrasqueira, pra que a fumaça não defume o novo habitat.
E, claro, ficou acertado também, que nas horas de pico de movimento, as gatas e a Chiquinha ficarão trancadas. Afinal, a ideia é proteger as aves e não garantir a ceia da turma de quatro patas.
Mas pra calcular as provisões necessárias, precisávamos saber mais sobre o passaredo. Porque aqui só duas espécies aparecem em geral desacompanhadas: o pica-pau e o bem-te-vi. Raramente trazem seus pares.
O restante, quase sempre aparece em penca. Diante disso, o Julio ficou encarregado de anotar (pelo menos por alto), a ida-e-vinda dos pássaros atrás de alimentos, uma espécie de censo pra gente ter uma estimativa da freguesia no almoço e na janta dos bichinhos. Missão difícil, mas não pra nós, que afinal, como já disse, temos tempo livre e idade avançada para tamanho desafio!
Bem, como o tempo chuvoso continua, tivemos pressa na empreitada. Fred já conseguiu iniciar o projeto. Em uns dois dias, calculamos, os abrigos com alimentos já estarão prontos e funcionando. Amém!

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