Carne, carvão cerveja. Depois, as contas. Ah, e o casamento. E os coroas do Principado. Não sei por que, mas me vi priorizando pequenos detalhes do dia. Mas digo: o Conselho dos mais velhos, em recente reunião, chegou ao consenso sobre as bebidas: comprar vinho para encarar os dias que estão no radar, ou seja, os mais frios que estão para aportar por aqui. Parece que estamos no Inverno. Nesse caso, revendo as prioridades, as cervejas, amigos, ficam no estoque.
Somos organizados — e sedentos. Mas também comportados. Além disso, os astros nos acompanham. E vice-versa. Lembram da música do saudoso e genial Luís Caldas, “Chão de Estrelas”, cujos versos diziam “tu pisavas nos astros distraída, sem saber que a ventura desta vida é a cabrocha, o luar e o violão"? Aqui, senhores, não somos distraídos. Pelo menos, na maioria dos dias.
E como acontece com quem busca uma atividade pra praticar, revemos os estoques da caverna: batatas, cebolas, e feijão branco, preto e mulatinho — tudo em dia. Vão servir para as mesas dos próximos eventos da turma. É estratégia da sobrevivência num mundo que, dependendo do humor do presidente que nem nosso é, pertence ao continente norte-americano, tudo pode inflacionar.
Por isso, resolvemos fazer essa “poupança”: arroz, massas, e outros itens, entram na lista também.
O mesmo sistema usamos para abastecer a dispensa dos pássaros: milho, alpiste e até alguns poucos legumes e frutas de ocasião. Assim, todos temos alimentos para encarar os dias que seguem.
Ah, sem esquecer dos gatos e cães que sobrevivem com os tutores da confraria. Promoções? Estamos lá!
Fred adaptou um moedor manual de café para triturar milho. É para a alimentação de algumas espécies de pássaros.
Por isso, resolvemos fazer essa “poupança”: arroz, massas, e outros itens, entram na lista também.
O mesmo sistema usamos para abastecer a dispensa dos pássaros: milho, alpiste e até alguns poucos legumes e frutas de ocasião. Assim, todos temos alimentos para encarar os dias que seguem.
Ah, sem esquecer dos gatos e cães que sobrevivem com os tutores da confraria. Promoções? Estamos lá!
Fred adaptou um moedor manual de café para triturar milho. É para a alimentação de algumas espécies de pássaros.
Vez por outra, procuramos antigos discos. Servem para alimentar corações e ouvidos dos saudosistas. Ouvimos, até chorosos, nas reuniões do grupo. Pescamos também livros antigos e novos. A biblioteca nossa não para de crescer. Um segredinho que vou contar: mandamos analisar as terras das nossas casas. A meta é a terras férteis. Aguardamos resultados. O que acham?
E, de repente, me vejo programando: a meta é encontrar terras férteis. Melhor, terras raras! Essas que nem precisa plantar pra brotar computadores, carros, celulares de primeira, toda sorte de robôs e inteligência artificial.
Afinal, nos dias de hoje, pra que plantar banana se o que todos querem é tecnologia?
— Porque banana, amigo, a gente come! — lembrou Ibiapina, interrompendo meu delírio. Só então que percebi que estava pensando em voz alta, divagando... Juntamente com ele, os outros conselheiros ouviam atentos ao devaneio.
— Porque banana, amigo, a gente come! — lembrou Ibiapina, interrompendo meu delírio. Só então que percebi que estava pensando em voz alta, divagando... Juntamente com ele, os outros conselheiros ouviam atentos ao devaneio.
No mínimo, saberemos se servem para plantar capim colonial!
Bem, mas voltando ao trabalho em equipe dos velhinhos prevenidos, observei que além da organização da dispensa, observei que já está na hora de lavar os agasalhos e cobertores. Não tenho bola de cristal, mas acompanho as previsões do tempo.
A patroa já separou as roupas, mesmo com o Inverno ainda distante. Lembrei das comidas de Natal: comemos o que os europeus comem no frio: rabanadas, bacalhoada, nozes, castanhas. Morro de rir. Prefiro o churrasco.
Afinal, moramos em país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza. Se pudéssemos, teríamos o carnaval durante todo o ano.

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