Rock in Rio além das fronteirasImagem de divulgação
Não resta a menor dúvida sobre a complexidade que envolve um festival de música. Fornecedores, artistas, patrocinadores, pessoas trabalhando direta e indiretamente em torno do projeto, assim como o público pagante. Tamanha gama de envolvidos, de diferentes segmentos e características, fazem com que seja de grande influência no ecossistema, mas ao mesmo tempo, de difícil cálculo de seu impacto ambiental.
Os organizadores prometem uma mudança radical e pioneira. Fazer a compensação dos deslocamentos de todas as pessoas e não somente no interior de seus muros, como já vem sendo feito.
Como acontece em Setembro, para que essa estratégica funcione efetivamente e não "apenas para inglês ver" precisam correr contra o tempo. Campanhas educativas e de conscientização não costumam ter efeitos imediatos.
Engajamento e adesão
Para que essa estratégia alcance os resultados esperados, será fundamental a conscientização de todos os tipos de público presente. Essas pessoas deverão informar dados sobre seus deslocamentos, permitindo mapear com maior precisão as emissões geradas pela mobilidade.
Durante os sete dias de festival, uma equipe de apoio realizará essa coleta por meio de questionários aplicados aos participantes. Ao término do evento, as informações serão consolidadas e validadas para garantir que a compensação corresponda efetivamente às emissões produzidas.
Reflorestamento musical
Entre as espécies usadas estão: Muiracatiara, Mogno, Pau-Brasil, Jatobá, Pau-Preto, Morototó e Paricá, todas compatíveis com os biomas onde serão plantadas. O emblemático é que quatro delas são utilizadas na fabricação de instrumentos musicais. Trata-se de uma compensação ambiental direta com a matéria prima que é a base do espetáculo.
De acordo com a última edição, a perspectiva é compensar aproximadamente 50 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂), volume equivalente à retirada de 18.826 carros movidos a combustíveis fósseis de circulação durante um ano no Brasil!
Centenas de milhares de pessoas viajam de carro, ônibus ou avião, vindas de diferentes cidades e países. A soma do combustível queimado nas estradas e nos voos supera, com folga, a energia consumida dentro da própria arena de shows. É justamente nesse ponto que reside um dos maiores desafios ambientais dos grandes festivais.
Certificados Ambientais
A contrapartida será realizada de diferentes formas: plantio de mudas, aquisição de créditos de carbono e emissão de Certificados de Energia Renovável (RECFY). Parte da compensação ocorrerá por meio da doação de 15 mil mudas, enquanto o restante será neutralizado com créditos de carbono provenientes da Usina Hidrelétrica Teles Pires.
A contrapartida será realizada de diferentes formas: plantio de mudas, aquisição de créditos de carbono e emissão de Certificados de Energia Renovável (RECFY). Parte da compensação ocorrerá por meio da doação de 15 mil mudas, enquanto o restante será neutralizado com créditos de carbono provenientes da Usina Hidrelétrica Teles Pires.
Também serão emitidos cerca de 4 mil certificados, equivalentes a 4 mil MWh de energia renovável, além da doação de mais de 1 milhão de sementes destinadas a projetos de restauração florestal.
Cada certificado garante que a eletricidade consumida tem origem em fontes renováveis. A tecnologia utiliza blockchain para registrar os atributos ambientais da energia, conferindo rastreabilidade e transparência ao processo.
Desde a edição de 2006, o festival já compensa 100% das emissões calculadas dentro da Cidade do Rock, consolidando uma trajetória de compromisso com a agenda climática.
Restauração florestal
A AXIA Energia doará 15 mil mudas e 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras, que serão destinadas, pelo Rock in Rio Brasil, a programas certificados. Deve contribuir para o reflorestamento de cerca de 900 hectares, área equivalente a aproximadamente 900 campos de futebol.
As mudas e sementes são provenientes da Ilha de Germoplasma, integrante das ações previstas no licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Com 129 hectares, a área abriga cerca de 100 mil árvores de 220 espécies nativas e funciona como um laboratório natural de conservação florestal, reunindo elevado valor ambiental e relevância científica.
A maior parte da compensação, estimada em 43.672 toneladas de CO₂, será realizada por meio de créditos de carbono oriundos da geração de energia renovável da Usina Hidrelétrica Teles Pires, localizada entre os estados do Pará e Mato Grosso.
Restauração florestal
A AXIA Energia doará 15 mil mudas e 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras, que serão destinadas, pelo Rock in Rio Brasil, a programas certificados. Deve contribuir para o reflorestamento de cerca de 900 hectares, área equivalente a aproximadamente 900 campos de futebol.
As mudas e sementes são provenientes da Ilha de Germoplasma, integrante das ações previstas no licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Com 129 hectares, a área abriga cerca de 100 mil árvores de 220 espécies nativas e funciona como um laboratório natural de conservação florestal, reunindo elevado valor ambiental e relevância científica.
A maior parte da compensação, estimada em 43.672 toneladas de CO₂, será realizada por meio de créditos de carbono oriundos da geração de energia renovável da Usina Hidrelétrica Teles Pires, localizada entre os estados do Pará e Mato Grosso.
O projeto é registrado na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) e alinhado ao Protocolo de Quioto, assegurando credibilidade internacional e conformidade com padrões globais de mitigação climática.
Responsabilidade Socioambiental
Com essa iniciativa, AXIA Energia e Rock in Rio estabelecem um novo marco para o setor de entretenimento, demonstrando que é possível combinar escala, experiência e responsabilidade ambiental. A proposta reforça o papel dos grandes eventos como agentes de transformação, capazes de mobilizar pessoas e estimular soluções concretas para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Entretanto, toda compensação ambiental precisa ser acompanhada de transparência, indicadores públicos e metas verificáveis. Neutralizar emissões é um passo importante, mas não substitui a necessidade de reduzi-las na origem. Quanto maior a capacidade de um evento influenciar milhões de pessoas, maior também deve ser sua responsabilidade em transformar boas práticas em referência permanente para toda a cadeia do entretenimento.
Entretanto, toda compensação ambiental precisa ser acompanhada de transparência, indicadores públicos e metas verificáveis. Neutralizar emissões é um passo importante, mas não substitui a necessidade de reduzi-las na origem. Quanto maior a capacidade de um evento influenciar milhões de pessoas, maior também deve ser sua responsabilidade em transformar boas práticas em referência permanente para toda a cadeia do entretenimento.
* Luiz André Ferreira é podcaster, curador, jornalista, apresentador e professor universitário Mestre em Projetos Socioambientais, em Bens Culturais e Designer Educacional
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e-mail: pautasresponsaveis@gmail.com
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