'Diferente de tudo que já fiz'
 - Luiz Brown/Divulgação
'Diferente de tudo que já fiz' Luiz Brown/Divulgação
Por Juliana Pimenta

Rio - Quem vê o Jarbas, da novela 'Jezabel', tão à vontade na frente das câmeras nem imagina como foi o seu começo na carreira de ator. Alex Brasil era segurança de um prédio, no Leblon, onde ficam as salas das atrizes Fernanda Montenegro e Marília Pêra. Ele tinha 24 anos quando um amigo que trabalhava no estacionamento do local lhe deu dois ingressos para a peça 'O Rim', com Carolina Ferraz e Heitor Martinez.

"Fiquei encantado com aquilo e ao término do espetáculo disse pra minha esposa: 'Quero fazer isso'. Não sei como e por onde começar, mas quero fazer. Ela não me apoiou de começo, mas eu bati o pé e na segunda seguinte liguei para o Sated (Sindicato dos Artistas), pedindo informações e indicações de cursos de teatro. Eles me deram algumas opções, e me matriculei numa delas", relembra.

Mudança

Alex, que também interpretou o músico Cartola, no especial 'Por Toda a Minha Vida' — indicado ao Emmy Internacional —, destaca que o que mais mudou desde que optou pela troca de profissões foi o aumento do seu conhecimento artístico, intelectual e do ser humano.

"Para ser ator eu tive que me empenhar e pesquisar muito, porque não tinha as ferramentas necessárias. Porque, antes de ser ator, não julgava ser necessário. Então, eu lia muito. E tomei gosto. Foi uma mudança radical. Foi como se um novo Alex estivesse nascendo naquele momento", destaca.

Novela Bíblica

O ator conta ainda que tem sido um desafio interpretar o mocinho Jarbas. "Ele é diferente de tudo o que já fiz. É um cara totalmente do bem, tímido, romântico, inseguro, mas ao mesmo tempo não pensa duas vezes se tiver que ajudar e fazer o bem para o próximo, o oposto dos demais fenícios da trama", destaca.

Racismo

Por ser um ator negro, em um país racista como o Brasil, Alex garante que preconceito sempre vai existir e que não há como negar isso. "Já que ele sempre vai existir, não posso ficar refém dele. Mas também não fico quieto quando é algo muito ofensivo, e nem posso ficar. Tento entender o porquê de tal ofensa, de onde vem e o que leva o outro achar que é melhor do que eu só porque sou negro. Até porque isso é uma questão enraizada, passa de geração para geração.

Alex ainda faz questão de destacar a icônica frase de Nelson Madela, líder africano e vencedor do Prêmio Nobel, que diz usar como referência. "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a amar".

 

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