Streaming é responsável por 99,2% do faturamento do mercado fonográfico brasileiro no primeiro semestre de 2023Pixabay

Rio - Uma pesquisa recente da Pro-Música, entidade que representa as principais gravadoras e produtoras fonográficas do Brasil, apontou que 99,2% do crescimento do mercado fonográfico brasileiro, observado no primeiro semestre de 2023, veio totalmente do streaming. Com isto, o DIA conversou com o professor Erick Felinto, da Faculdade de Comunicação Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) sobre as transformações que as plataformas digitais vêm criando na indústria musical.
O streaming (transmissão pela internet de áudio e vídeo), com receita de R$ 1,181 bilhão, foi o principal responsável pelo crescimento do mercado, participando com 99,2% do faturamento total. Além disto, a receita desta modalidade apresentou um crescimento de 12,4% em relação ao primeiro semestre de 2022, aponta o relatório.
Para Erick Felinto, os números expressivos são "um resultado de como a tecnologia funciona e a comodidade que ela oferece para as pessoas". De acordo com o professor, as pessoas estão, cada vez mais, em busca de otimização de espaço e tempo.
"Se você tem uma assinatura de um serviço como o Spotify, você tem acesso a praticamente tudo o que costuma escutar de música. Tem uma biblioteca que está disponível ali o tempo todo, não vai ocupar nenhum espaço do seu dispositivo, por exemplo. E você não tem mais a necessidade de armazenar isso em lugar físico. Ou seja, também abre espaço para pessoas que não tem onde colocar uma biblioteca, uma discoteca ou uma videoteca. O analógico se tornou uma forma de armazenagem bastante arcaica", explica.
Para ele, a digitalização é um processo que está acontecendo em todas as áreas da produção cultural. "É um processo global. Tudo aquilo que a gente considerava como produção cultural que era armazenado em mídias físicas, seja vídeo, música e até livros, está passando pelo gargalo do digital e essa é uma tendência global e provavelmente vai continuar sendo assim", conta.
De acordo com Erick, a praticidade oferecida pelas novas tecnologias foi um dos fatores principais para a digitalização da música. "O acesso a tudo está cada vez mais unificado em dispositivos que são fáceis de operar e carregar com o usuário. A música está integrada na sua vida cotidiana. Você anda com ela no bolso". 
Além disto, o professor classificou a redução de custos como mais um fator importante para o crescimento dos serviços de streaming. "Muita gente nem lembra mais quanto custava, por exemplo, comprar um CD. Pagar uma assinatura é muito mais barato do que o que se gastava quando se usavam as mídias físicas. É claro, nesse meio tempo houve a pirataria, mas o mercado foi estratégico. Diminuiu os custos para que não se torne mais atrativo piratear", explica Erick.
Segundo o relatório da Pro-música, as venda físicas representaram apenas 0,6% do faturamento da indústria fonográfica brasileira no primeiro semestre deste ano. Com um total de R$ 8 milhões, os discos de Vinil foram o formato mais comercializado, com faturamento de R$ 5 milhões, seguido pela venda de CDs, que atingiram R$ 3 milhões.
Para Erick Felinto, a música, no formato físico, já é um item de colecionador. E, devido ao crescimento do digital, se tornou um mercado completamente diferente. "Isso aí eu acho que sempre vai existir, mas são mercados muito diferentes. Não competem um com o outro. São consumos de dois públicos diferentes", afirma. Para o professor, a tendência do mercado fonográfico é se tornar cada vez mais versátil, com cada mais plataformas e modelos de negócios diferentes, cada vez mais personalizado para os usuários.