Deputada Federal Erika Hilton fez parte da Comissão de frente do Tuiuti Pedro Teixeira/ Agência O Dia

Rio - Levando para a Avenida a história de Xica Manicongo, primeira travesti não indígena documentada no Brasil, a comissão de frente do Paraíso do Tuiuti conta com a presença da deputada federal Érika Hilton, ativista nos direitos transexuais, na noite de terça-feira (4).
Antes de estrear no Sambódromo, a deputada federal falou sobre a importância do enredo escolhido pela agremiação: "O Carnaval também é uma festa de resistência, de luta, de ousadia, de denúncia e poder pisar nessa avenida, levando a memória, a dor e a história de Xica Manicongo é algo que enche o nosso coração de esperança, de que é possível, sim, construir um Carnaval, uma sociedade, um espaço de cultura cada vez mais democrático, diverso, popular e, por que não, travesti". 
"Os travestis e a comunidade LGBT sempre fizeram o Carnaval, sejam nos barracões, sejam nas escolas, seja na Avenida, e nunca teve a sua história contada. Hoje nós teremos a nossa história contada. Hoje nós teremos uma de nós levada para Avenida e faremos a Sapucaí tremer com a história de Xica Manicongo, com o nome de Xica Manicongo e com a força das travestis ocupando essa Avenida nessa noite. Vai ser um grito de guerra", celebra.
'Político não é santo, não tem que estar em redoma de vidro'
Érika aproveitou a oportunidade para criticar os políticos que não se envolvem com a comunidade e rebateu críticas que recebeu por desfilar em uma escola de samba.
"Eu acho que essa ideia de que político tem que viver em uma redoma longe da sociedade é uma das coisas mais antiquadas que existem. Políticos são representantes do povo e precisam estar aonde está o povo. Político não é santo, não tem que estar em redoma de vidro, não tem que estar escondido em seu gabinete. Político tem que estar na na rua, tem que estar no Carnaval, tem que estar na Passarela, tem que estar no samba, tem que estar no hip-hop, tem que estar na Vogue, tem que estar onde quiser", disse enfática.
"Político não é um ser especial, político é gente comum. Antes de ser política, eu sou uma travesti negra brasileira e eu estou em todos os lugares. Até porque as paredes fedidas do Congresso Nacional não me contemplam. Eu sou uma política muito maior do que aquela cafonice que compõe a institucionalidade. Talvez por isso que o meu corpo cause tanta estranheza. E é isso que eu quero. Eu quero ser estranha ao ambiente hegemônico da política brasileira, porque eu não sou uma política convencional, a minha trajetória não é de uma política convencional e eu chego para trazer a representatividade da inovação", afirma.