'Queria ser igual à Rita Lee', diz Fafy Siqueira

Atriz conta que ainda está aprendendo a lidar com 'essa coisa de terceira idade'

Por tabata.uchoa

Fafy Siqueira conta que ainda está aprendendo a lidar com 'essa coisa de terceira idade'João Laet / Agência O Dia

Rio - Fafy Siqueira, de 61 anos, abre o armário e olha para sua coleção de bonés. As peças causam incômodo na atriz, que acredita não ter mais idade para usá-las. “Eu comecei a me sentir meio ridícula, como se tudo que eu fizesse não estivesse de acordo com os hábitos de uma senhora”, diz.

E, para se adaptar a esses hábitos, sua personagem em ‘Sangue Bom’, a extrovertida Madá, mãe da perua Bárbara Ellen (Giulia Gam), tem sido uma terapia. “Estou aprendendo a lidar com essa coisa da terceira idade. Na vida e na novela”.

O DIA: Sua personagem em ‘Sangue Bom’, a Madá, é uma senhora cheia de energia. Como se sente aos 60 anos?
FAFY: Sempre fui muito adolescente. Tenho força de português. Meus pais são portugueses legítimos. Sou a primeira brasileira da minha família. Até inventei um termo: os adolescentes da terceira idade. Que são muitos, né? Sou da geração dos Beatles, do Rolling Stones, da Janis Joplin e do Iron Maiden. Essa geração se sente jovem. Acho engraçado quando vou ao banco e vejo uma fila da terceira idade. Penso: “Caramba, já sou da terceira idade?” Estou aprendendo a lidar com isso. Na vida e na novela.

Você tem resistência à fila da terceira idade?
Não. Essa é a melhor parte. A única coisa que aproveito. Já entro falando alto, perguntando: “Por favor, onde fica fila preferencial?” Outro dia, fui comprar sorvete num posto de gasolina que não tinha a tal fila. Aí, eu disse: “Sou preferencial”. Acabaram me deixando passar na frente.

Como lida com o passar do tempo?
Olha, não tive crise de idade aos 40, nem aos 50. Mas quando fiz 60, desceu tudo.

O que houve?
Comecei a me sentir meio ridícula com as roupas que estava vestindo. Por exemplo, tenho uma coleção de uns 30 bonés. Um belo dia, olhei para eles com certa resistência. Passei a achar tudo ridículo, como se tudo que eu fizesse não estivesse de acordo com os hábitos de uma senhora de 60 anos.

Qual a importância da opinião de outras pessoas para você?
Uma vez, eu disse que queria ser igual à Rita Lee, que não liga para nada. Mas não tive coragem de ser rebelde como ela. Fui uma tijucana careta. Eu andava com as mais rebeldes, mas não era como elas.

Se arrepende de não ter feito coisas que suas amigas fizeram?
Acho que não. O barato das drogas, por exemplo, dou graças a Deus por não ter entrado. E não estou falando de maconha. Falo de droga pesada: cogumelo, LSD, pico. A fase da cocaína foi muito pesada, sempre tive muito medo. Muitos amigos foram e não voltaram.

Sua personagem, a Madá, tem uma péssima relação com a filha. Gostaria de ter sido mãe?
Às vezes, me arrependo. Nunca pensei em filhos, sempre priorizei minha profissão.

Você namora?
Neste exato momento, não. Terminei há dois anos. Mas estou abertíssima. E a pessoa tem que ter bom humor. Veja bem, não estou dizendo que ela tenha que ser engraçada. Mas é preciso bom humor. Meu tipo físico é o bom humor.

Tem necessidade de ter alguém ao seu lado?
Não é uma carência absurda, não. Já tive mais vontade. Mas acho que a idade me acalmou. Queria ter alguém para dividir minha felicidade, minha tristeza.

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