Rio - Uma mulher que foi mãe cedo, não soube dar amor e carinho aos filhos e até hoje vive uma complicada relação com o ex-marido. Pia Lovatelli — vivida pela atriz Guilhermina Guinle na novela ‘Verdades Secretas’ — não se aproxima em nada de sua intérprete. Realizada, Guilhermina é só alegria e, ao contrário de sua personagem, tem motivos de sobra para comemorar.
De volta à TV depois de uma pausa de um ano e meio, quando engravidou de sua primeira filha, Minna, 1 ano e 10 meses, a atriz, que posou para o caderno D Mulher no Vila Spa do Hotel Sheraton Barra, tem se destacado na trama de Walcyr Carrasco, seja protagonizando cenas quentes de sexo em um banheiro de uma academia ou travando um duro diálogo com a filha adolescente.
“A Pia é uma personagem complexa. Ela se casou com Alex (Rodrigo Lombardi) quando ele não tinha nada. E eles ficaram juntos muito cedo. Com 20 anos, ela já era mãe. Então, ela perdeu a juventude e acabou deixando de dar coisas essenciais para os meninos como amor, carinho e educação”, avalia Guilhermina.
Carente e solitária, a paulistana tem corrido contra o tempo para reconquistar o respeito dos filhos, mas esta tarefa não tem sido fácil. “Eu costumo dizer que adolescente é uma raça que passa por uma fase muito difícil. O Bruno e a Giovanna, principalmente a Giovanna, estão neste período. E isto fez a relação de mãe e filha explodir. Eu fico pensando nas Pias e nas Giovannas que existem por aí e acredito que o segredo para evitar um resultado tão ruim quanto esse que estamos vendo na TV é o diálogo. Até porque, hoje, com tanta informação jogada de qualquer jeito na internet, ou a pessoa conversa em casa ou ela vai descobrir na rua. E pode ser da pior maneira possível”.
E a vida de Pia não vai melhorar nos próximos capítulos. Depois de saber que está grávida de Igor, personagem de Adriano Toloza, ela vai optar por fazer um aborto. “Por um segundo, ela pensa em ter o bebê. Mas ela já está triste, cansada, não quer ter mais filhos, tem medo da reação do Alex, que é quem banca a vida boa que ela leva. Então, acaba interrompendo a gravidez. Eu, sinceramente, acho que em caso de estupro ou quando o bebê corre o risco de nascer sem cérebro, o aborto é OK. Agora, a Pia é uma mulher descolada. Em 2015 toda mulher sabe como evitar um filho. No caso dela, foi pura irresponsabilidade. Pia tinha que assumir essa criança, sim”, opina a atriz.
Sem medo de polêmicas, Guilhermina acredita que está mais do que na hora de debater abertamente temas como o aborto e drogas. “Não estamos falando de questões irreais. O aborto existe. Às vezes, aquela mulher que está criticando a novela com tanta veemência tem uma filha que, por algum motivo, vai tomar a decisão de interromper uma gravidez. E aí? Vai fazer o quê? Esta é uma questão que está muito mais perto da gente do que podemos imaginar. Quanto às drogas, o que me assusta muito são as pessoas que acham elas se resumem à cocaína e maconha. Eu vejo tanta gente viciada em remédios, tendo que tomar um tarja preta para dormir, outro para acordar, outro para ir malhar e vários outros para seguir ao longo do dia. Isso também é um vício, só que as pessoas não reconhecem”.
Outro cenário que chama a atenção de Guilhermina é a caretice com a qual o público lida com determinados temas. “Eu olho para algumas situações e vejo que estamos mais caretas do que a geração da década de 70, por exemplo. O chato, hoje, é o politicamente correto. Várias vezes, as pessoas me falam: ‘Evite falar sobre isso em uma entrevista, não publique aquilo na internet, não emita opinião sobre determinados políticos’. E aí eu tento entender por que eu não posso dizer o que eu penso. Não é para agredir ninguém de forma gratuita, não é essa a ideia. É simplesmente ter liberdade de expressão. Uma coisa absurda é um autor de TV ter que medir as palavras da trama por precaução. Várias palavras já foram cortadas do nosso texto. E olha que eu trabalho em uma novela das onze horas. Gente, o público tem a democracia a seu favor. Se ele não gosta de algo em uma emissora, troca de canal. Ele tem o direito de escolher. O que não precisa é ficar ali assistindo, criticando e se torturando.”
Para a atriz, o segredo para lidar com questões delicadas é encará-las com naturalidade. E é assim que ela tem gravado as cenas de tirar o fôlego com o ator Adriano Toloza, o personal gato que roubou o coração de sua personagem. “Não dá pra dizer que a gente fica 100% confortável fazendo uma cena de sexo. Na novela, a gente tenta explorar algo natural. O que você faz quando chega em casa? Tira a roupa, toma um banho, deita na cama com o seu namorado de calcinha, transa com ele ou só fica ali juntinho. Tudo seguindo a linha do que faríamos se estivéssemos em casa. As cenas são feitas com muito cuidado. Não é assim: chega lá, fica todo mundo pelado e vamos fazer a cena”, brinca.
ATRIZ, QUE FOI MÃE AOS 39 ANOS, PLANEJA AUMENTAR A FAMÍLIA
A atriz se derrete ao falar sobre a filha, Minna, de 1 e 10 meses. Mãe aos 39 anos, Guilhermina conta que não se arrepende de ter retardado a maternidade em sua vida. “Ser mãe um pouco mais velha foi algo que foi acontecendo, eu não programei. É engraçado porque eu tive três casamentos maravilhosos (foi casada com o cantor Fábio Jr. e com os atores José Wilker, morto em 2014, e Murilo Benício), com homens que eu sei que seriam ótimos pais. Mas não aconteceu. Eu vivi dos 20 aos 40 anos só me dedicando a mim, aos meus relacionamentos e ao meu trabalho. E foi ótimo. A Minna nasceu no momento certo. Hoje, eu deixo de fazer qualquer coisa para ficar com ela. Isso é o bom de ter filho mais tarde. Você se cobra bem menos”, analisa.
E Guilhermina não descarta a possibilidade de aumentar a família. “O Leo (Leonardo Antonelli, irmão da atriz Giovanna Antonelli e marido de Guilhermina há quatro anos) tem um filho, o Miguel. Ele pensa muito em adotar uma criança. Esta é uma ideia que estamos amadurecendo ainda. Outra possibilidade seria eu engravidar novamente daqui a quatro anos. Mas agora o que eu quero mesmo é curtir a minha filha.”
Assumidamente romântica, Guilhermina conta o segredo para ter uma união tranquila e uma boa relação com seus ex-maridos. “Sempre fugi de DRs. Tenho três irmãos homens, um pai e um padrasto. Vivi e cresci no meio masculino, sei o que homem gosta e o que eles odeiam. E eles realmente detestam discutir a relação. Quem gosta disso é a mulher”, dispara.
Linda aos 41 anos, Guilhermina garante não ter medo de envelhecer. Seu medo é outro: “Triste não é ver as rugas chegando. O pior é envelhecer sem saúde, sem dignidade. Acho muito complicado quando você perde a lucidez e se vê dependente de outra pessoa. Isso é algo que me aterroriza.”
Vaidosa na medida, como ela mesma define, a atriz conta que é um pouco ‘largadinha’ e que nunca fez intervenção cirúrgica. “Toda mulher tem que saber ser bonita com a idade que tem. Não adianta ter 60 anos e querer um rostinho de 30. Isso é uma guerra perdida. Eu nunca fiz uma intervenção cirúrgica, acho que estou legal na minha idade. Mas uma coisa a gente precisa reconhecer: o tempo é muito mais cruel com as mulheres do que com os homens. E, no Brasil, a mulher sofre um preconceito grande quando vai ficando mais velha.”
