Rio - Natural do Rio de Janeiro, Jullio Reis, de 27 anos, é uma das estrelas do filme "Homem com H", em cartaz nos cinemas, inspirado na vida do cantor e compositor Ney Matogrosso. No longa protagonizado por Jesuíta Barbosa e dirigido por Esmir Filho, o ator interpreta Cazuza (1958 - 1990), um dos maiores ícones da música brasileira, que viveu um relacionamento breve e conturbado com o artista.
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"É uma experiência única na vida, tanto no âmbito profissional quanto pessoal. Ter a oportunidade de viver um artista tão grandioso que marcou vidas e deixou um legado que vai além de gerações é uma responsabilidade grande e que já foi maravilhosamente executada no cinema. Uma experiência que é para ser vivida de forma inteira porque essa é a essência do Cazuza, foi intenso e bonito", diz Jullio.
O olhar de Ney em relação ao dono dos hits "Exagerado", "O Tempo Não Para" e "Codinome Beija-flor" foi levado em consideração na hora da construção do personagem. "As pessoas esperam símbolos, como por exemplo ver a rebeldia do Cazuza, que era uma parte grande da personalidade dele. Mas nossa construção foi muito a partir do olhar do Ney: um Cazuza afetuoso, amoroso, sem perder toda eloquência que existe. Então, por um lado é desafiador, sim. Mas tentamos sempre olhar de que forma conseguimos honrar o que está sendo contado, ser transparente com o que foi vivido".
A preparação para o papel, que já foi vivido por Daniel de Oliveira na cinebiografia "Cazuza — O tempo não para" (2004), ainda contou com muita pesquisa. "O que mais me ajudou foram entrevistas que ele deu em diversas épocas de vida (destaque para entrevista com a Marília Gabriela) e vídeos que mostravam ele na intimidade, fora dos palcos com amigos. Hoje em dia temos um acervo gigante da vida dele na internet, o que facilitou bastante", aponta Reis.
Ao ser questionado sobre a cena mais desafiadora do longa, o artista dá um pequeno "spoiler". "Acho que a cena final do Cazuza, porque é uma mais de performance em um momento muito vulnerável dele, que exigiu uma preparação minha de corpo mesmo, como aquele corpo adoecido, mas que sempre se portava de uma maneira muito visceral no palco. E também por ter sido minha primeira diária, teve um peso maior para mim de responsabilidade. Começamos as gravações do Cazuza pelas cenas finais".
Além do relacionamento com Cazuza - que morreu aos 32 anos, em 1990, por complicações da Aids -, o filme traz mais paixões de Ney, como Marco de Maria (Bruno Montaleone), companheiro do cantor por 13 anos, e retrata a relação familiar dele, marcada por embates com o pai, vivido por Rômulo Braga, que insistia que o filho "virasse homem".
"As cenas de confrontamento do Ney com o pai são muito simbólicas porque ali você vê a formação de parte do que ele é. Essa coragem de existir de forma autêntica, que inspira gerações e é disruptiva até hoje em dia", opina Jullio.
Sem economizar elogios, o artista vibra ao falar da parceria com Jesuíta em cena. "Desde o primeiro momento nós tivemos uma sintonia e um respeito muito grande um pelo outro, e isso fez com que essa parceria ficasse transparente nas filmagens, com que tudo fluísse de forma orgânica e que a gente pudesse transitar confortável no texto. Jesuíta é um ator que tenho grande admiração pela forma que ele vive os personagens, ele é uma pessoa que te puxa muito pro presente nas cenas, então poder trabalhar com ele foi engrandecedor", declara.
Em meio à boa fase do cinema nacional, o ator comenta o sentimento de estar nas telonas. "É um momento maravilhoso. Ter salas de cinema ocupadas com sessões de filmes nacionais deveria ser menos surpreendente. Nosso cinema produz filmes maravilhosos que muitas vezes não chegam nem a ficar em cartaz, o que é uma pena. Temos cineastas incríveis do norte ao sul, e muitas narrativas diferentes que fazem parte de um país rico em cultura como o Brasil", destaca.
Trabalhos no cinema e na TV
O primeiro papel de Reis no cinema foi em 2022, no curta-metragem "Homem-Peixe", dirigido por Allexia Galvão. "Foi pra mim um ponto de partida bem bonito. Recebi esse convite de peito aberto pelo o que era a história, que conta a partir de uma lenda indígena sobre o guerreiro Pirarucu, como somos parte de um todo e não podemos lutar contra o fluxo da natureza. Ficamos duas semanas imersos no coração do Rio Negro, vivi experiências enquanto gravávamos que ainda são muito vivas pra mim. Recomendo assistir pois é um curta imagético, com uma trilha que te faz navegar, e com narração em tukano, língua nativa indígena comum às etnias presentes no Rio Negro", lembra.
O artista, então, ainda entrega quais projetos deseja explorar no ofício. "Tenho vontade de fazer tudo aquilo que eu ainda não fiz, tudo o que me desperte curiosidade e que me cause alguma inquietude. Gostaria de me dedicar a estudar mais a palhaçaria, ao estudo de corpo com a mímica, e continuar fazendo cinema com pessoas que eu admire, e também explorar e conhecer esse universo que são as novelas", diz ele, que também é modelo e está "aberto as oportunidades, seja na atuação ou na moda".
Além da estreia recente, o artista faz parte da segunda temporada - que ainda não foi lançada - da série "Colônia" (2021), do canal Brasil, dirigida pelo André Rist, inspirada na história real do hospital psiquiátrico de Barbacena, e está "gravando a série 'Véspera', baseado no livro da Carla Madeira, dirigido pela Joana Jabace, que deve estrear ano que vem na Max".
Vida pessoal
Jullio está radiante com a nova fase da vida pessoal, já que se tornou pai de Nara, que nasceu no mês passado, fruto do noivado com Manu Gavassi. "Foi a melhor coisa que eu já fiz na minha vida, ser pai da minha filha. Eu e a Manu estamos vivendo o momento mais lindo e mágico das nossas vidas, que é cuidar de um fruto da nossa relação. Algo que sempre sonhamos juntos. Ainda é difícil colocar em palavras, confesso".
O casal optou por não mostrar o rosto da neném e só revelou o nome dela recentemente, através de uma publicação emocionante nas redes sociais. O ator, então, explica que a decisão de manter a vida pessoal longe dos holofotes surgiu naturalmente.
"Acho que essa discrição não foi nem planejada pra falar a verdade, estamos só vivendo isso da maneira mais natural possível e respeitando nosso momento. O que eu posso dizer é que nossa filha é o maior presente das nossas vidas e a coisinha mais linda desse mundo".
Jullio e Manu tornaram o relacionamento público em junho de 2021, no Dia dos Namorados. Em maio de 2024, a artista anunciou que eles estavam noivos.
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa