Maria Ribeiro lança o livro de crônicas Não Sei Se é Bom, Mas é TeuDivulgação/Catarina Ribeiro

Rio - Depois de sete anos sem escrever um livro solo, Maria Ribeiro lança "Não Sei Se é Bom, Mas é Teu", que chega às livrarias nesta segunda-feira (4), com crônicas autorais. A obra explora temas como maternidade, envelhecimento, luto pelo pai, feminismo e política, sempre com uma linguagem acessível. A autora transforma experiências pessoais em reflexões com as quais todos podem se identificar. 
"Acho que esse livro, de fato, é o primeiro que lanço sem nenhum pudor de me chamar de escritora. Nos outros, ainda tinha vergonha de dizer que eu era escritora. Preferia dizer que era uma atriz que escrevia. Aliás, a primeira vez em que pronunciei a palavra 'escritora' foi em um assalto (conto essa história no livro). Então, eu acho que a grande mudança é essa", aponta. 
A obra conta com prefácio escrito por Anitta, com quem iniciou amizade nos bastidores do documentário "Larissa: O Outro Lado de Anitta", da Netflix, cujo roteiro foi assinado por Maria. Já o posfácio fica por conta de Caetano Veloso, amigo de longa data da autora. "Juntar Anitta e Caetano foi das maiores alegrias desse livro. Porque esse é o mundo que eu quero viver, onde os artistas não são divididos por gênero e nem por nicho. E são duas pessoas cujas existências mudaram a minha", conta. 
Ao abordar o envelhecimento, Maria traz uma visão sincera de uma fase da vida que ainda é tratada com muito tabu, especialmente para as mulheres. Prestes a completar 50 anos, ela compartilha no livro algumas das reflexões mais profundas que surgiram nesse processo de se olhar com mais afeto.
"Eu sempre pensei muito no tempo. Aos 25, dirigi, escrevi e protagonizei um curta chamado 'Vinte e Cinco'. Com 38, lancei o '38 e meio', e, agora, às vésperas dos 50, não tenho como não falar sobre menopausa, envelhecimento, perda de pessoas. É o preço de estar viva. É fácil? Não, nem sempre. Mas eu busco ficar com a parte boa da vida, e a maturidade também traz muitos ganhos", reflete. 
Apesar de tratar de temas densos, a autora equilibra essas reflexões com a leveza de quem observa o cotidiano com atenção. "Tento não fazer essa distinção. A vida é leve e pesada, estamos sempre às voltas com grandes questões e com uma ida ao supermercado. Essa, no fundo, é a ideia da crônica. Educar o olhar para vermos que o pequeno é tão grande quanto o oficialmente 'grande'."
Atuação 
Além da literatura, Maria Ribeiro volta aos palcos em outubro, dividindo a cena com Gabriel Braga Nunes, no espetáculo "O Filho". A artista reflete sobre o que motivou o retorno e o impacto que o teatro ainda exerce em sua vida e carreira. "Voltar aos palcos é uma necessidade quase física. Eu gosto de gente, de estar em cena, de público, gosto de dramaturgia. Tenho a impressão de que essas duas 'eus' se complementam. A que precisa atuar e que gosta de viver outras vidas e de receber aplausos, e a que, por outro lado, tem uma enorme necessidade de isolamento e reflexão, que é o lugar da escritora. Para mim, essa alternância faz muito bem", diz. 
Outro projeto da artista é a série "Amor da Minha Vida", da plataforma de streaming Disney+, na qual ela chega para integrar o elenco da segunda temporada. A história é protagonizada por Bruna Marquezine e Sérgio Malheiros, e também ganhou o reforço de nomes como Alanis Guillen, Clarice Falcão, Gleici Damasceno e Romulo Estrela.
"Foi um convite do Matheus Souza [criador], de quem sou muito amiga. Somos 'filhos' do Domingos Oliveira. Eu amo o que ele escreve, vamos filmar juntos ano que vem. E sempre quis contracenar com a Bruna, uma das maiores atrizes do país, e uma mulher admirável. Estou bem animada com o resultado."
Em meio aos novos trabalhos, Maria Ribeiro também revisita momentos importantes do passado, como a reprise da novela "História de Amor" (1995), na qual interpretou Bianca Moretti, seu primeiro papel fixo na televisão. "Às vezes, tenho a impressão de ter nascido para estar no momento em que estou. É claro que olho para reprise de 'História de Amor' e penso: 'ai, que saudades dessas bochechas', mas eu era muito insegura, queria agradar o tempo todo, vivia buscando ser aceita. Hoje, embora esteja sempre muito aberta à mudanças, tenho uma tranquilidade que não tinha antes", analisa.