Influenciador Matheus Costa acumula mais de 10 milhões de seguidores nas redes Divulgação

Rio - Com mais de 10 milhões de seguidores nas redes sociais, Matheus Costa se tornou um dos principais nomes do humor digital ao viralizar com as pegadinhas feitas com o pai, Seu Zé. O influenciador, que antes trabalhava como promotor de eventos, teve a vida transformada por um vídeo gravado durante a pandemia de covid-19.
"Eu comecei a gravar em 2020, quando meu pai descobriu um câncer, meados de maio, junho, por aí. Foi uma coisa que me atormentou e abalou muito a minha família, tanto financeiramente quanto emocionalmente. Quase entrei em depressão de medo de perder meu pai e do pior acontecer. Nessa época, eu assistia muito vídeo para me distrair, tanto no TikTok, que estava viralizando, quanto no YouTube", diz.  
Matheus encontrou no conteúdo um passatempo para aliviar o peso da situação que enfrentava. Ele só não imaginava que o simples vídeo seria o primeiro passo para a virada digital dele. "Em agosto ou setembro, eu decidi gravar um vídeo, mais para me distrair mesmo, como um hobby. E esse vídeo viralizou de imediato. Pensei: 'Bom, talvez eu tenha uma oportunidade aqui'. Então, comecei a gravar todo dia, como uma forma de hobby, para tirar a cabeça dessa doença do meu pai, de tudo o que estava acontecendo".
Seu Zé relata como a presença de todos ao seu redor tornou o momento mais suportável, apesar das incertezas. "Eles estavam presentes para me dar carinho, palavras de fé, força, e aumentou o tempo que ficávamos juntos sempre com positividade. Por outro lado, apesar de eu achar que talvez não tivesse um bom desfecho, estava determinado a fazer o que fosse possível para tentar me curar e realista quanto aos possíveis desdobramentos", explica.  
O aposentado reflete sobre como isso foi uma das partes mais difíceis da experiência. "No entanto, havia uma coisa que estava me fazendo muito mal: o sofrimento que eu via neles, apesar de toda a tentativa que faziam para disfarçar. Acho que quem já passou por isso vai entender o que estou falando. Nada pior do que você proporcionar sofrimento para quem você ama. Os meus medos e receios, eu conseguia segurar, mas fazer sofrer, ainda que involuntariamente, a quem você ama, é muito complicado. Foi a pior parte da doença", lamenta.
Para Matheus, que estava com 25 anos na época, o momento era complicado pois também estava sem emprego e lutando para encontrar uma oportunidade na área dele. "Estava formado sem nunca ter trabalhado numa agência. Me formei em publicidade, então eu mesmo desacreditava muito de mim. E ter essa validação das pessoas foi muito legal. Mostrar que, poxa, nunca é tarde para dar certo", afirma.
Em meio às inseguranças pessoais, o influenciador comenta o impacto que a aceitação do público teve em sua vida. "Senti felicidade. Sei que todo mundo faz vídeo com a intenção de atingir pessoas, que elas gostem, de ter muitas visualizações. Lembro, até hoje, quando pediram a primeira foto na rua, fiquei em êxtase. Falei: 'Caramba, as pessoas estão gostando do que eu faço. Porque todo mundo gosta de receber aplausos".
Sete meses depois, com seu pai já recuperado após a cirurgia para a retirada do câncer, Matheus teve a ideia de gravar um vídeo com ele. "Viralizou, o pessoal se identificou, gostou dele, conheceu a história dele, e foi aí que tudo aconteceu".
O diagnóstico de câncer de Seu Zé trouxe uma série de desafios, mas também gerou um fortalecimento nos laços familiares. Para Matheus, a luta do pai contra a doença não só alterou o cotidiano deles, mas também trouxe transformações significativas.
"O meu irmão morava em São Paulo e veio para o Rio para poder estar perto. Estava todo mundo em prol dele e a gente estava com medo de acontecer o pior, e acabou que ele conseguiu vencer essa doença e isso mudou totalmente o estilo de vida dele. Ele fumava dois maços de cigarro por dia e já está praticamente 5 anos sem fumar. Ele aproveita muito mais a vida dele, ele vai na rua, ele anda de bicicleta, ele se tornou um cara mais ativo, um cara mais agradecido, mais feliz", analisa. 
Seu Zé fala com gratidão sobre o apoio dos filhos durante o processo de recuperação. "Felizmente pude operar, retirei um pedaço do intestino, coloquei bolsa de colostomia por 10 meses e sigo bem. Meus filhos me acompanharam todo esse tempo, até porque existia a possibilidade de não ser reversível, o que, graças a Deus, não aconteceu".
Mesmo sem saber, o aposentado foi essencial para o impulso da carreira de Matheus e a realização de um sonho antigo do filho: trabalhar com publicidade. "Eu costumo brincar que, além de me dar a vida, ele me deu um emprego também. Porque esse 'boom' da internet, veio justamente depois de mostrar ele. Então, ele me deu a oportunidade de fazer publicidades legais, de trabalhar com marketing, que é o que eu sempre quis, é o que eu estudei para fazer", destaca o influenciador. 
O segredo que manteve o relacionamento sólido entre os dois, mesmo com tantos desafios, está na gratidão. "Essa é a palavra que utilizo muito, porque é o que me faz levantar todo dia para trabalhar, me faz gravar vídeos, mesmo quando não estou afim, é o que me faz todo dia dar o meu melhor. Sempre acreditaram em mim e me apoiaram. Se pude ficar sete meses gravando sem receber nada, é porque eles estavam me dando a base para isso, colocando comida na mesa e pagando as contas", relembra Matheus.
Toda a experiência com a doença tornou a família ainda mais próxima. "Costumo dizer que papai do céu é muito bom comigo, exatamente nessa época o Matheus começou a ganhar algum dinheiro e qual a primeira coisa que ele faz? Quita todas as nossas dívidas, pois sabia o quanto aquilo nos preocupava e a dificuldade que teríamos para pagar. Para mim, foi uma segunda cura. A verdade é que esse susto uniu de tal forma que a família hoje tem dificuldades em estar separada por mais do que um dia. Aí deles se não 'pedirem a benção' todo dia", declara Seu Zé. 
Levar o pai para acompanhar o Mundial de Clubes, nos Estados Unidos, foi um momento marcante para Matheus. O Botafogo, time dos dois, chegou nas oitavas de final, quando foi derrotado na prorrogação pelo Palmeiras. "Essas memórias que a gente cria são muito importantes, tanto para mim, quanto para os meus futuros filhos, que daqui a 30 anos vão ter lá o vídeo do avô deles quando ganhamos do PSG (na fase de grupos). São momentos históricos que ficam com um legado muito grande com esses registros", celebra.