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Juliano Cazarré celebra retorno ao teatro e fala sobre papel na novela 'Três Graças'

Ator conta o que motivou volta aos palcos e detalha como é a rotina com os seis filhos

Rio - Juliano Cazarré, 45 anos, vive uma fase intensa da carreira. Enquanto interpreta Jorginho Ninja, ex-chefe de facção em "Três Graças", novela das 21h da Globo, que estreou na última segunda-feira (20), o ator também celebra o retorno aos palcos com o monólogo "Compliance", em cartaz no Leblon. Após quase dez anos longe do teatro, ele volta com um personagem que o desafia em cena.
Em entrevista ao O DIA, o ator conta que o desejo de retornar ao teatro foi decisivo para aceitar o convite para o projeto. "O que me motivou em primeiro lugar foi realmente o desejo de estar novamente no palco me mexendo, usando o corpo inteiro, fazendo uma peça que ia precisar de tudo, de fôlego, de técnica, de coração. E esse texto do Fernando Ceylão, que é uma preciosidade, um texto que tem de tudo: suspense, drama, comédia, ação. Então, eu sabia que ia ser um bom material para brincar em cima”, afirma.
Juliano Cazarré celebra retorno ao teatro com o monólogo Compliance - Pamela Miranda Fotografia
Juliano Cazarré celebra retorno ao teatro com o monólogo CompliancePamela Miranda Fotografia


Cazarré interpreta Fabrício, um executivo que perde tudo e decide expor os bastidores do mundo corporativo. "Tem um pouco de humor, tem uma certa complexidade... Ao mesmo tempo ele tem também um ridículo, esse ridículo nosso cotidiano. Das lives, daquelas pseudo-celebridades que aparecem e desaparecem rapidamente ali. Um cara que é um coach, que acha que vai ensinar as pessoas e, ao mesmo tempo, a vida dele está em frangalhos, mas ele está querendo ensinar aos outros como viver. Então, foi gostoso e divertido mergulhar no universo do Fabrício.”

A peça utiliza a linguagem das redes sociais, o que, segundo o ator, aproxima o público. “Acho que todo mundo já sabe, quase todo mundo já viu alguma coisa parecida, já foi bombardeado por esse tipo de vídeo, não é? Esse vídeo que é quase uma autoajuda em 90 segundos. Então, acho que as pessoas vão se identificar. Só que aqui tem uma coisa engraçada porque a gente costuma ver esses vídeos na palma da mão e aqui você tem como se fosse uma live, só que é um ao vivo de verdade. Tem um ator na sua frente ali suando, pulsando, se mexendo.”

'Três Graças' e o mistério de Jorginho Ninja

Paralelamente ao teatro, Cazarré interpreta Jorginho Ninja, ex-chefe de facção na novela "Três Graças". Ele contou que a "falta" de informações prévias mais detalhadas sobre o personagem acabou se tornando um desafio criativo.

“Alguns desafios que acho que tive foram porque eu não recebi muitas informações sobre ele. É difícil quando você tem liberdade demais para criar, você decide qual caminho você vai tomar. Então, por exemplo, o Jorginho é o cara que está na cadeia, está doente, está morrendo. Ao mesmo tempo, eu não sei direito qual é a doença que ele tem ainda, não me disseram. Sei que ele fez muito mal para a personagem da Sophie Charlotte no passado. Ao mesmo tempo, eu não sei exatamente qual foi o mal que ele fez.”
Juliano Cazarré interpreta Jorginho Ninja em 'Três Graças' - Beatriz Damy / TV Globo
Juliano Cazarré interpreta Jorginho Ninja em 'Três Graças'Beatriz Damy / TV Globo


O ator revela que transformou essas lacunas em parte da construção: “Acabei criando um personagem que é um cara misterioso. Você vê que ele está convertido, ele é um evangélico, um cara que está tentando viver com leveza, mas quando você olha para ele, você vê que ele tem um peso, que ele é um cara pesado, capaz de cometer alguma maldade, se ele perder esse dragão que ele traz agarrado na coleira.”

Rotina intensa

Conciliar dois trabalhos ao mesmo tempo tem sido possível, segundo o ator, graças à organização das gravações. "Dei muita sorte porque o meu personagem, como ele começa na cadeia, as minhas cenas foram todas concentradas em poucos dias de gravação até agora. Então tive tempo para ensaiar com calma e agora que a peça estreou é que é justamente o momento que  vou poder gravar um pouco mais. Até esse momento foi tranquilo, tem uns dias de maior cansaço, mas está dando tudo certo."

Cazarré destaca, ainda, que Fabrício e Jorginho vivem realidades bem diferentes. "São universos muito distintos, embora os dois sejam cidadãos de São Paulo. Só que o Jorginho Ninja é um cara mais da periferia, então é um sotaque diferente e já o Fabrício é um cara a mais aquele sotaque de Faria Lima, ali do sucesso, da grana. De São Paulo, dos negócios, do business... Acho que eles têm São Paulo em comum."

Família e prioridades

Pai de seis filhos, o ator detalha como mantém o equilíbrio entre carreira e vida pessoal, sem perder o foco. "Mesmo dentro de casa, tem ali uma prioridade. O que tem que estar, em primeiro lugar, que tem que estar bem é o casamento. Continuo guardando tempo para estar com a minha esposa, tentando estar com ela, saindo junto, assistindo um filme e, claro, também estar com os filhos todas as noites ali indo correndo para casa para chegar a tempo de contar uma história e botar para dormir."

Os momentos simples são os que têm mais valor, segundo o artista. "Às vezes, peço para dar a última mamadeira do Estevão, que é o menorzinho e colocar ele no berço, que é um momento que eu adoro botar o pequeno para dormir e depois, se a casa tiver boa, a vida profissional e a vida espiritual. Então, eu vou fazendo uma coisinha de cada vez".

Antes de escolher novos projetos, Cazarré conta que sempre pensa na família. "Hoje em dia penso muito em fazer coisas que eles vão ficar felizes de assistir e orgulhosos, não é? Nesse momento mesmo da peça que em algumas passagens eram até um pouco mais pesadas e eu pensando que a Letícia (Cazarré, mulher) veria, que os meninos veriam, eu e o Fernando Ceylão [autor e diretor], a gente trabalhou, mudamos uma palavra aqui, alivia outra palavra ali, para deixar a peça um pouco mais palatável para todo tipo de público."
Juliano Cazarré posa com cinco de seus seis filhos - Reprodução / Instagram
Juliano Cazarré posa com cinco de seus seis filhosReprodução / Instagram


Novo ciclo 

Sobre o significado de "Compliance", na atual fase, o ator define a palavra como libertadora. "É um momento de alegria na minha vida o compliance, assim, um momento de uma felicidade extraordinária, porque estou vendo que consigo também realizar os meus próprios projetos. Eu que sempre fui um trabalhador, um ator que trabalhei muito a convite de diretores no cinema, na televisão e até no teatro, dessa vez é muito gratificante estar com um espetáculo que olhei para o Ceylão e falei: ‘Quero fazer teatro, vamos fazer’.”.

Após o retorno, o ator pretende manter o vínculo com os palcos. "É um sentimento de liberdade também de que eu posso fazer as minhas próprias coisas, as minhas próprias escolhas, tocar os meus projetos. Espero que isso seja uma mudança de paradigma na minha carreira e eu estou decidido também a não me afastar mais do teatro tanto tempo".
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