Giullia Buscaccio vibra com atual fase da carreira: ’Tem sido encantador’Divulgação / Alexandre de Araujo

Rio - Conhecida por colecionar trabalhos em novelas, Giullia Buscaccio vive uma fase especial na carreira. A atriz de 28 anos está em dose dupla no streaming ao integrar as séries de sucesso "Os Donos do Jogo", da Netflix, e na quarta temporada de "Arcanjo Renegado", do Globoplay. A artista luso-brasileira não esconde a felicidade com os papéis de destaque nas produções, lançadas recentemente, e avalia o momento profissional. 
"Tem sido encantador. Sinto que meu trabalho acessou pessoas que ainda não me conheciam e se envolveram com as personagens. Gosto de fazer projetos que falam com o povo, não tenho interesse em nichar o meu trabalho. Amo projetos populares, que as pessoas se envolvem com a ficção do Brasil. Temos grandes produções no nosso país, e estou encantada em ver o público abraçando e apoiando todas elas", celebra Giullia.
Em "Os Donos do Jogo", a atriz interpreta Suzana. A personagem se casa com Búfalo (Xamã), que assume o controle da família no jogo do bicho após o sogro e fundador da cúpula da contravensão, Jorge Guerra (Roberto Pirillo), ficar com a saúde debilitada.
Giullia, inclusive, não economiza elogios ao colega, com quem trabalhou no remake de 2024. "Já tive a oportunidade de trabalhar com o Xamã em 'Renascer' e sou muito grata por ter um parceiro dedicado, atencioso e respeitoso. Nossa troca sobre os personagens nos fez construir uma relação com muitas camadas. Ter um parceiro que te escuta e valida suas opiniões foi completamente o oposto do que a Suzana vive em cena. Sou grata a ele por isso", afirma ela, que elogia outros nomes do elenco, composto por Juliana Paes, Chico Díaz, Otavio Muller e mais.
"Passei os meses de gravação admirando o elenco ao meu redor. Tenho orgulho de estar em um projeto que enaltece e dá espaço para grandes nomes da atuação brasileira darem um show. Sempre fui uma atriz muito observadora, respeito e procuro ouvi-los, pois eles têm muito a ensinar para nós, dessa nova geração", diz.
Com a segunda temporada confirmada, a trama também retrata a rivalidade de Suzana com a irmã, Mirna, vivida por Mel Maia. A caçula de Jorge Guerra não ficou satisfeita ao ser deixada de lado nos negócios da família, e irá fazer de tudo para tomar o poder.
Diferente das cenas, a relação das atrizes foi baseada em "amizade e amor". "Uma alegria ter essa parceira. Juntas, construímos uma relação de amizade e amor para podermos estar à vontade e nos odiar em cena [risos]. Partimos do carinho para explorar o ódio das irmãs depois", entrega. 
A recepção do público com a personagem controversa é "curiosa", de acordo com a artista. "A Suzana ou é muito amada ou muito odiada [risos]. Sempre estive muito acostumada com o retorno positivo das personagens que eram mocinhas e heroínas. A Suzana foge disso, ela faz escolhas duvidosas, assim como todos os personagens da série".
Além das relações familiares, a série retrata a importância do Carnaval e das escolas de samba no universo da contravenção. Suzana, entretanto, não curte muito a folia, ao contrário de Giullia, que até pretende desfilar como rainha de bateria.
"Sou apaixonada pelo Carnaval. Eu me considero fruto do Carnaval: meus pais se conheceram na União da Ilha do Governador, e estou aqui hoje (risos). Tenho muita vontade de desfilar em alguma escola e sei que, assim como tudo que me proponho a fazer, mergulharia de cabeça", revela a atriz.
'Arcanjo Renegado'
Em paralelo, Giullia integra a quarta temporada da série "Arcanjo Renegado", do Globoplay, dando vida à Tay, uma mulher cercada por luxo e excessos que se envolve com um dos novos vilões, Lincoln (Marcello Novaes). "Tay é destemida, se envolveu em um ambiente perigoso, vive uma relação extremamente tóxica e se envolve com drogas. São muitas questões que fogem da minha realidade, mas que trazem algo novo para essa temporada de 'Arcanjo Renegado': mais uma personagem feminina que chega para mexer com a trama".
Tay e Lincoln, inclusive, protagonizam cenas quentes na produção. Sendo assim, Giullia ressalta o preparo nos bastidores e a parceria com o ator veterano. "Tivemos um bom acompanhamento e preparação com a Fátima Domingues, onde pudemos entender de fato como seria essa relação entre Tay e Lincoln. O Marcello Novaes foi um grande parceiro, pude aprender e trocar com ele mesmo nas cenas mais difíceis".
Filme
Neste ano, Buscaccio gravou o primeiro filme da carreira, "Álibi", com previsão de estreia para 2026, ao lado de Leandro Hassum e Mauricio Destri. "Foi delicioso fazer meu primeiro filme para o cinema e ao lado desse grande nome do cinema nacional que é o Leandro Hassum. Aprendi muito tendo ele na ficção como pai e fiquei encantada em ver todo esse talento de perto. Fui recebida com muito carinho no projeto".
"O Mauricio eu já tinha tido a experiência de trabalhar junto em 'I Love Paraisópolis', meu primeiro trabalho na Rede Globo, e reencontrá-lo dez anos depois foi como uma volta no tempo, lembrando da minha trajetória até aqui [risos]", acrescenta. 
Novelas
Por falar em novelas, Giullia já trabalhou nos folhetins "Velho Chico" (2016), "Novo Mundo" (2017), "Sétimo Guardião" (2018), "Éramos Seis" (2019), "Travessia" (2022), além das produções já citadas. "Sempre me considerei 'noveleira', gosto de consumir e de fazer novelas. Pretendo continuar nas telinhas e contar boas histórias", diz a atriz, que também ressalta as gravações intensas desse formato.
"A rotina de uma novela é extremamente desafiadora. Admiro todos os meus colegas que fazem novela, é uma dedicação de segunda a sábado - decoramos texto aos domingos - e isso se estende por oito meses. É um mergulho intenso e com uma proximidade diária com o público", fala. 
Início da carreira
A artista, que iniciou a carreira artística aos 12 anos, é filha de Adriana Buscacio e do ex-jogador de futebol Júlio César Gouveia Vieira, mais conhecido como Julinho. A família acompanhava o ex-atleta, que jogou em times internacionais, incluindo na Coreia do Sul, onde surgiu o interesse de Giullia pela atuação.
"Meu pai era jogador de futebol, hoje aposentado, mas na época viajávamos com ele. A partir disso, morei quatro anos na Coreia do Sul, um país em que, inicialmente, eu não sabia falar a língua nem tinha amigos. Os doramas me conectaram com o país, pois, na televisão, o choro ou a alegria me tocavam independentemente do idioma falado. Ali descobri que queria fazer o mesmo: atuar", recorda.
Mais projetos
Giullia pretende integrar projetos em que tenha papéis diferentes da sua personalidade. "Quero experimentar sempre personagens distantes de mim. Acredito que aí está o desafio do ator: mergulhar em diferentes realidades, vestir sapatos e dores que não são minhas", destaca.
"No momento estou assimilando tudo que aconteceu. Tem sido uma delícia colher os frutos desses trabalhos tão especiais. Acho que os próximos personagens que pertencem a mim irão me encontrar, e estou disposta a entregar novos grandes projetos em 2026", conclui. 
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa