Rio - Há artistas que conseguem transformar sentimentos em trilha sonora, e Dilsinho faz isso parecer simples com canções que tocam o coração. Não à toa, seus mais de 17 milhões de seguidores classificam suas músicas como verdadeiras doses de alívio emocional. Agora, o pagodeiro inaugura mais um capítulo dessa jornada com "O Que Eu Faço Agora?", primeiro single do álbum "Conteúdo Sensível", que será lançado nesta quinta-feira (27), acompanhado de clipes no YouTube.
O novo projeto aprofunda o mergulho do artista nas histórias reais que movem os fãs: amores que florescem, machucam e deixam marcas. Entre inspirações pessoais, experimentações musicais, feats dos sonhos e a maturidade trazida pela paternidade, Dilsinho abre o coração e detalha a construção dessa fase tão significativa. Em entrevista ao MEIA HORA, ele fala sobre carreira, casamento, responsabilidades e o que vem por aí. Confira!
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1- Conte um pouco sobre a escolha do nome do álbum, 'Conteúdo sensível'. Foi pensado como um aviso para os seus fãs, que são músicas que tocam no coração?
Tudo que faço na minha carreira vem muito do que ouço dos meus fãs, nos comentários e da percepção que o público está tendo das minhas músicas e dos meus momentos de carreira. Essa brincadeira sempre rolou. Ouço: 'Essa música mexeu comigo', 'você está falando sobre mim,' 'essa história aconteceu comigo'. E acho que o 'Conteúdo Sensível' tem tudo a ver com as músicas que falam de amor, que contam histórias de amores que dão certo, errado... E você conseguir achar o nome de algum álbum, de um projeto e conseguir virar uma página para um próximo momento da sua carreira é sempre muito difícil.
A gente quis que isso viesse das pessoas que me acompanham, dos meus fãs. E a gente começou a ler vários comentários: 'Cara, sua música me serve quase como uma terapia'. Então, a gente falou, 'Conteúdo Sensível', acho que tem tudo a ver com essa brincadeira que os fãs fazem, da percepção que eles têm das minhas músicas, tem a ver com as histórias que a gente canta e acho que depois que as pessoas ouvirem as músicas vai fazer mais sentido ainda.
2- Qual é o diferencial desse projeto que promete surpreender o seu público? Seja no clipe, alguma música... É um Dilsinho que está resgatando as raízes do pagode?
Quando falo do resgate, acho que é da essência romântica que, por um momento, a gente vinha trabalhando no 'Diferentão', essa estética é um pouco mais densa mesmo, mais romântica. Na essência, a gente não explorava tanto. Esse resgate para esse novo momento, é pensando nas coisas que deram certo na minha carreira, musicalmente falando. Mas sou um cara que pensa muito no futuro. E, acho que desde o começo, sempre tentei editar algumas coisas novas, sonoridades de atividades novas, instrumentos novos, tanto da parte musical quanto da parte artística.
Falando musicalmente, acho que as pessoas vão sentir ainda mais esse lado pop, que sempre deixei assinado nas músicas. Tenho ouvido bastante country também, então tem algumas coisas de violão de aço que trouxe com o country, de beats junto com guitarra. Tem algumas participações para esse projeto, que a gente está cantando pela primeira vez, que ainda não podemos falar.
3- Você tem vontade de se aventurar em outros gêneros musicais, em algum projeto diferente do pagode?
Sempre recebo artistas de outros gêneros cantando as minhas músicas em pagode, isso foi desde o começo da carreira. Acho que sou uma pessoa boa e tenho muitos amigos. E a galera sempre propõe cantar comigo em outro gênero, seja do sertanejo, seja do pop, seja do forró. Já fiz várias músicas que foram sucessos 'Libera Ela', com a Maiara e Maraisa, o 'Baby Me Atende', com o Matheus Fernandes, 'Sogra', com Henrique Juliano, eu sempre estive ali cantando com outros artistas. E, basicamente, sempre flertei com esses gêneros por ter começado em barzinho também, ter ouvido muita coisa.
Mas tenho vontade de um dia fazer um projeto com uma assinatura estética que não seja do pagode, principalmente se falando de músicas, ou de vários artistas, como a Ludmilla, a Ivete Sangalo, o Léo Santana, de outro gênero e estão vindo cantar pagode, acho que tenho essa possibilidade de ter uma coisa mais pro sertanejo, de fazer coisas desse tipo, e acho que pode ser um projeto realizável e que pode estar mais próximo.
4- Você já gravou muitos feats de sucesso. Tem algum artista que você quer muito gravar e ainda não teve oportunidade?
Essa é sempre uma pergunta muito difícil, mas tenho uma cabeça muito tradicional, eu acredito muito em histórias que têm verdade. E sempre tive muito apoio da minha família, tenho comigo um lance de poder orgulhar cada vez mais, de poder cantar com artistas que a gente ouve em casa, no churrasco, cantar com artistas que os meus pais me apresentaram, de estar com artistas que fizeram parte da minha infância de alguma forma, porque acho que é uma forma de você escrever isso na sua história.
Por exemplo, cantar com o Djavan seria uma coisa surreal. É um artista que eu grito para o mundo também, principalmente aqui nas internas, de que se um dia a gente tiver a oportunidade de estar perto dele, de cantar uma música seria um sonho. Eu não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente ainda. Conheço os filhos dele, fui no musical do Djavan também e chorei para caramba. Mas tenho aquele lance do fã e do ídolo, aquele receio. Será que o cara vai gostar de mim? Será que ele vai curtir? Será que ele me conhece? Eu fico esperando o melhor momento, e tenho certeza que o dia vai acontecer.
5- O seu público é muito fiel, costuma se identificar muito com as letras das suas músicas. Você sente essa responsabilidade emocional na hora de escrever sobre sentimentos tão reais, que muitas pessoas vivenciam? Existe alguma preocupação com isso?
Sinto muito. Principalmente quando encontro eles no camarim, na rua e quando recebo aquele textão gigante no direct. Antes a gente recebia muito por e-mail, hoje a gente recebe mais pelo Instagram. Não consigo olhar 100%, mas os que consigo ver eles mexem muito comigo, de histórias, sejam elas de reconciliação, de vida mesmo, de algumas pessoas estavam passando por momentos mais difíceis e conseguiram achar uma cura ouvindo aquela música, uma salvação de alguma forma; que conseguiram encontrar Deus no caminho, sentir conforto ouvindo a minha voz, seja com um vídeo, seja com um áudio, seja uma música, seja qualquer coisa.
Isso, durante um tempo, eu levava como um peso muito grande, uma responsabilidade com o que eu falo, porque tenho essa preocupação até hoje. Mas com o tempo entendi também que cada um tem uma missão, e a gente vai aprendendo a lidar com essas missões. Fui ficando mais confortável com esse lugar de poder falar com as pessoas também sobre tudo, de poder ter esse canal aberto com os meus fãs para poder ouvir as histórias deles e poder dar uma palavra de conforto, indicar uma música e saber que de alguma forma eu estou fazendo bem para essas pessoas. Se eu estivesse fazendo mal ali, de repente eu seria incomodado. Mas quando a gente está ajudando, quando a gente está fazendo bem de alguma forma e fazendo parte ali da vida das pessoas como uma coisa positiva, a gente só tem que agradecer a Deus. É o que eu procuro fazer hoje.
Em algum momento, principalmente no começo, quando apareci, vi o tamanho da responsabilidade que seria. Eu era um artista novo, de solo, de pagode, que não era muito comum naquele momento surgir artistas solos dentro de pagode. Geralmente os que tinham eram os que saíram de algum grupo de pagode. Os fãs depositavam em mim um sentimento que era meio confuso para mim no começo. E hoje não, hoje sou completamente bem resolvido com isso, com a minha família, com os meus amigos, com as coisas internas. E consigo só passar coisas boas para os fãs, que eu acho que é o mais importante. As pessoas conseguem ir ao meu show e sair melhores do que elas foram. É essa a intenção.
6- Já que você fala sobre amor, você hoje em dia está bem casado, com a Beatriz Ferraz, e tem três filhos, Bella (4 anos), Kadu (9 meses) e Rômulo (16 anos). Qual é o segredo pra manter um casamento feliz e duradouro?
Esse segredo, se eu soubesse, juro que eu ganharia dinheiro com ele (risos). Mas é muito difícil você encontrar essa estabilidade. E uma coisa que eu entendi com o tempo é que a felicidade não é uma linha de chegada e acho que a vida perfeita entre os casais, entre as pessoas, ela não existe. E aí, quando você para de buscar chegar naquele lugar, que não vai chegar nunca, você tem que viver o hoje e entender como você pode ser feliz agora, o que pode fazer pra melhorar o que está vivendo. Como você pode corrigir alguma coisa que você errou.
Conheci a minha esposa antes de tudo isso acontecer, e é claro que no começo, principalmente, minha vida mudava constantemente, e os meus horários eram muito loucos, para uma pessoa que não era do meio artístico; Era muita coisa nova pra mim, para ela. Não foi fácil a gente conseguir ficar esse tempo todo conectado ali, ligado um ao outro. Foi muito difícil, principalmente no começo. Depois, no tempo que a gente foi amadurecendo, a gente já sabia o que ela estava disposta a fazer, o que eu estava disposto a fazer. Foi tudo mais tranquilo.
Coisas ligadas ao trabalho, principalmente quando ficaram estabelecidas, deu tudo certo. E falando principalmente da vida a dois, da vida amorosa, quando ela entendeu o relacionamento que eu tenho com a música, o amor que eu tenho pela música, quando a pessoa gosta de você de verdade, ela te incentiva a fazer o que é bom para você.
E claro, se perguntar: 'vocês não brigam nunca? Vocês não têm uma divergência?'. Claro que a gente tem. São muitos anos juntos já. A gente se conhece desde que eu tinha 20 anos. A gente vem do mesmo bairro.... É bastante tempo. E hoje, principalmente com os meus filhos mais em casa, isso me trouxe ainda mais uma maturidade e uma vocação para ser pai, que eu não sabia que tinha, que foi aumentando cada vez mais. E o amor que tenho por ela, o amor que tenho pelos meus filhos, pela minha casa, ele aumenta a cada dia. Acho que sou um cara privilegiado.
Um ponto positivo nosso é que a nossa vida particular, a gente procura dividir com as pessoas e não expor. São duas coisas diferentes. A gente procura dividir ali as coisas que a gente sabe que vai influenciar positivamente para outros casais também de alguma forma e para outras pessoas da vida. A gente procura também manter a nossa vida pessoal bem tranquila. Não deixo de ir a restaurante com ela, com meus filhos, ir à lugares que eu gosto de ir. Procuro ter uma vida simples para quem me conhece e me acompanha. Eu moro no Rio de Janeiro, então, estou sempre em um restaurante. Se a minha filha quiser ir a um parquinho, eu vou. Não tem muito essa, eu vivo uma vida bem simples.
7 - De que forma a paternidade mudou seu olhar para o mundo?
Mudou mais ainda, porque a minha filha começa a ouvir as minhas músicas. Meus filhos começam a entender que o pai canta. A minha filha, outro dia, eu postei um vídeo ouvindo um áudio que ela tinha me mandado no carro e esse vídeo deu uma viralizada... De vez em quando ela está comigo, a gente até divide algumas coisas, mas não tem como ela falar. Procuro ter essa responsabilidade, principalmente porque eu sei que eles vão ouvir depois as músicas, que eles vão ver o vídeo lá.
Eles ficam com saudade, às vezes, no final de semana do show. Então, aquilo ali acaba matando a saudade deles. A gente acompanha alguma coisa ou outra no Instagram. Minha filha me passa muito FaceTime, geralmente, antes de dormir, quando ela acorda, na hora do almoço e tal. Então, eu, claro que comecei a preparar também a minha vida artística para poder viver a minha vida de pai, a vida pessoal, da melhor forma. A gente começa a se preocupar, vai amadurecendo ali. E é importante que a música faça sentido para as pessoas, mas também faça sentido para mim.
8- E tem mais alguma novidade prevista para esse ano ou o início de 2026 que você possa adiantar?
Vou lançar esse álbum 'Conteudo Sensível' e a ideia é que começar depois do Carnaval a turnê desse álbum que vai chamar 'Sessão de Terapia'. Acho que os fãs têm que preparar o coração. As músicas são fortes, quase todas elas estão contando histórias, sejam de amores que deram certo, como eu falei, amores que não deram certo. Tem algumas músicas que vão te curar de alguma coisa que você está sentindo, e outras músicas que vão mexer com aquela ferida de alguma coisa que você está vivendo. Cada música ali conta uma história diferente, uma história de amor que você pode ter passado, uma história de amor que você pode estar vivendo nesse momento. Depois, abro uma caixinha de perguntas no Instagram, e eu posso ser o psicólogo do amor, e a gente conversa sobre todos os conteúdos sensíveis que a gente vai soltar.