Rio - Sergio Kauffmann, de 34 anos, estreou nas telinhas em "Cara e Coragem" (2022) da TV Globo, mas é em "Garota do Momento" que o ator caiu nas graças do público como o Sérgio Amorim, amigo e sócio de Alfredo Honório (Eduardo Sterblitch) na TV Ondas do Mar. O papel na trama de Alessandra Poggi veio por meio de um teste após convite da produtora de elenco Letícia Naveira.
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"Na época, eu nem imaginava que se tratava de uma novela dirigida pela Natália Grimberg, a diretora artística com quem trabalhei na minha primeira novela. Nunca soube ao certo se meu nome foi cogitado por conta desse trabalho anterior ou se foi apenas uma feliz coincidência, mas segui para o teste. [..] No fim, tudo deu certo! É aquilo: quando é para ser, simplesmente acontece", celebra o artista.
A história de Sérgio é centrada em conflitos atuais, diferente de outros personagens que terão segredos do passado revelados ao longo do folhetim. "Sua trajetória até aqui tem sido marcada pelo trabalho incansável e pela paixão pela TV Ondas do Mar, que se destaca como o grande motor de suas ações. Seu desejo de realizar coisas grandiosas para a emissora e para a novela é uma força que o move e define sua presença na trama até agora".
Uma das ideias para a TV Ondas do Mar foi a novela 'Senhora', baseada no livro de José de Alencar. É atuando neste projeto que Beatriz (Duda Santos) acabou sendo acusada injustamente do roubo de um colar. O artista acredita que a situação vivida pela mocinha apresenta um contraponto ao clima de otimismo na década de 1950, marcada por transformações sociais, urbanas e econômicas.
"Ela enfrenta diversas formas de violência, e mesmo agora, quando tudo parecia finalmente especial — com sua ascensão como grande estrela da novela — sua trajetória segue marcada por desafios e injustiças, expondo as contradições dessa época. [..] 'Garota do Momento' reconhece o otimismo e os sonhos da época, mas também nos convida a enxergar as violências, os apagamentos e as contradições desse Brasil da música e da festa de 1958", analisa.
Ele comenta que a escolha de Sérgio pela mocinha Beatriz, uma jovem negra, para interpretar Aurélia Camargo causou estranheza nos personagens de 1958 e também no público que acompanha a trama das 18h. "É estranho que algumas pessoas não percebam que a teledramaturgia, em sua maioria, tem sido branca, com personagens negros relegados a papéis subalternos. E, quando chega a nossa vez de contar as nossas próprias histórias, nos exigem que elas sejam 'críveis'. Esse 'crível' parece estar associado a um fetichismo em torno das narrativas de dor, pobreza e humilhação quando se trata de vivências negras, e, sinceramente, estou um pouco exausto disso".
A aproximação com Clarice (Carol Castro) nos bastidores na produção empolgou os internautas que esperam que Sérgio engate um romance. "Vi no Twitter que ele é o 'pretendente coringa'. Desde a separação de Alfredo e Teresa, já havia especulações sobre um possível envolvimento entre eles. Quando fiz dupla com a Anitta como Pato Jão, surgiram teorias de que ali poderia estar nascendo um novo casal. Também já vi comentários sobre Sérgio e Marlene, Sérgio e Érico… E com a Clarice, o que realmente gerou um grande burburinho nas redes".
Já a amizade de Sérgio e Alfredo proporcionou momentos divertidos e várias trocas de conselhos entre os personagens. "Eles se cuidam, elogiam, enfrentam juntos os mesmos fracassos e riem disso. É uma cumplicidade gostosa, uma amizade inspiradora. Lá no início de tudo, quando ainda não conhecíamos todos os contornos dessa relação, Edu me disse que, para dar vida a essa parceria, precisaríamos nos tornar amigos de verdade. E foi exatamente isso que aconteceu, de forma orgânica", relata.
Sergio, então, conta que pretende levar a relação com Eduardo Sterblitch para fora das telinhas. "Fazer uma novela tem essa peculiaridade: o convívio pode se estender, se aprofundar, e a relação acaba se transformando também fora da ficção. Sinto que construímos algo que já está prometido para ir muito além da novela. Ele é um artista brilhante, amigo e muito especial e generoso. Quero estar sempre perto!"
Fora das telinhas
O destaque em "Garota do Momento" não impediu Sergio Kauffmann de conciliar a novela com outros projetos pessoais. "Estou circulando com meu show cênico 'Embalharado: Canções para Infâncias', idealizado em Jef Lyrio, meu Alfredo Honório da vida real, com apresentações em unidades do SESC e uma temporada em junho no teatro EcoVilla Ri Happy. Começo a direção de um espetáculo sobre a atuação de palhaços em instituições de longa permanência para idosos com estreia prevista para o meio do ano. Retornarei com 'A Menina com Um Buraco na Mão', meu infantil concebido com Alice Cruz. No final do ano, estreio um espetáculo sobre as ruas da Vila da Penha, onde fui criado", entrega.
Com tantos compromissos profissionais, o ator ainda pretende organizar um tempo para finalizar o doutorado. "Este ano, entro na reta final com uma pesquisa sobre Teatro em Comunidades, focando especialmente no meu grupo Dom Quixote do Anil, composto por artistas 60+. Não sou o Amorim, mas também sou um Sergio que trabalha muito".