Chanel, Melina e Poseidon estão no Drag Race BrasilJonas Dias/Divulgação e Arquivo pessoal
Apresentado por Grag Queen, vencedora da primeira temporada do "Queen of the Universe", o programa - versão nacional da franquia idealizada pela drag americana RuPaul, em 2009 - promete uma nova temporada ainda mais empolgante. Semanalmente, as queens mostram seu carisma, singularidade, coragem e talento ao competirem em desafios criativos de atuação, dublagem, moda e performances ao vivo.
Com apenas 22 anos, ela é de São Gonçalo e se inspira em vários ícones, sendo a principal a personagem Chanel Oberlin, da série "Scream Queens".
"Sobre ser drag queen no Rio, espaços existem, mas o cenário é muito focado em concursos. Se você não está competindo, você não existe, toda a cena está concentrada do outro lado da ponte. Os concursos acontecem mais no Centro e na Zona Sul. Por um lado é bom ter os concursos, mas por outro lado é ruim porque cria-se uma cena que não está acostumado a pagar para ver drag, não tem essa cultura forte de sentar e assistir um show", avalia.
Após ter seu nome divulgado no reality, Chanel, que é professora, conta que passou a se sustentar como drag. "Não tenho mais tempo para dar aula, mas é uma realidade recente", comemora.
Ser drag para ela é uma ferramenta que usada para potencializar o seu discurso. "A possibilidade de mudar minha aparência, uso para guiar o que quero que as pessoas percebam e como eu posso amplificar o que tenho para passar de mensagem. É uma liberdade maior porque as pessoas veem a drag e esperam uma popstar. Você tem essa liberdade de ser uma diva, de pegar e dançar. Ninguém vai torcer o nariz para você. A drag me dá a liberdade de por para fora 100% das minhas intenções e de ser ouvida".
Aos 30 anos, ela é presença marcante na cena noturna do Rio. Com sete anos de carreira, se destaca pelo domínio em design de figurinos, perucaria e por suas performances.
"Ser uma drag queen no Rio de Janeiro é uma sensação de resistência. Considero todas essas meninas destemidas por darem a cara a tapa e terem coragem de colocarem as suas montações para sair na rua e se impor como pessoa. A arte tem muito desse poder da gente ultrapassar outras barreiras", analisa.
Melina diz que a cidade tem espaços para as drags, mas "nunca serão suficientes". "Falta mais visibilidade no Rio, mais reconhecimento e investimento financeiro em cima disso porque tudo em drag é caro, até as coisas mínimas, como uma calcinha. Quando as pessoas entenderem que drag é um trabalho, tudo vai evoluir muito mais."
Desde que largou a faculdade de Publicidade, ela passou a se sustentar com o trabalho de drag e complementa a renda como maquiadora e costureira. "Ajudam também no meu processo e para que entre também uma renda extra, para que a gente não apenas sobreviva e tenha uma qualidade de vida. Trabalhar na noite é um ritmo totalmente diferente e cansativo", destaca Melina, que complementa: "O plano B é necessário, a maioria das pessoas que vive de arte no Brasil, que não tenha grande visibilidade como grandes nomes como Pabblo Vittar e Gloria Groove precisam de uma outra remuneração."
Sobre o programa, ela acredita que ele não só dá mais visibilidade, mas traz muito respeito para a comunidade. "Ele tira a drag do lugar mais marginalizado, para colocar num lugar gourmetizado. Vai ser uma temporada incrível, um grande show."
Poseidon Drag, de 28 anos, também brilha na cena carioca. Ela é natural de Recife e atua como drag há 13 anos. Há seis anos é residente na Pink Flamingo, em Copacabana, onde se apresenta três vezes por semana com shows inéditos.
"Ser drag no Rio de Janeiro é bem difícil porque não tem muitas oportunidades para a quantidade de drag que existe. As casas noturnas estão cada vez menos chamando as drags para trabalharem, a única que dá 100% de oportunidade é a Pink Flamingo, mas infelizmente a casa não pode abraçar todas as drags. Existem muitos concursos na cena drag carioca, que por sinal é muito bom para ser vista, mas o trabalho mesmo é bem escasso", conta.
Formada em teatro, Poseidon combina atuação e drag com humor afiado e "lip syncs" impressionantes. Inspirada por Suzy Brasil, Jeison Wallace e Paulo Gustavo, ela encanta com a presença de palco e explica que se montar é um ato de coragem.
"Eu, José, sou completamente diferente da Poseidon. Ela é o meu alter ego. É com ela que eu tenho coragem de ser 100% o que eu não posso ser de José por causa dos preconceitos da sociedade, ela é basicamente o meu escudo."
Poseidon diz que o 'Drag Race' é muito importante para a visibilidade não somente pessoal, mas sim do Brasil. "É um programa internacional que tem acesso a outros países e isso é lindo demais. Levar a cultura brasileira, que é tão diversificada, me deixa muito emocionado! Minha expectativa é que eu consiga realizar todos os meus sonhos e acessar lugares que nunca foram acessados por uma drag queen. Levar a nossa cultura para outros países, pois o Brasil é muito rico em cultura e precisa ser visto por todo o mundo", torce.
No programa, as dez competidoras se enfrentam para conquistar o título de próxima Drag Superstar do Brasil.






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