Chanel, Melina e Poseidon estão no Drag Race BrasilJonas Dias/Divulgação e Arquivo pessoal

Rio - A segunda temporada do reality show "Drag Race Brasil" estreia nesta quinta-feira (10), na plataforma WOW Presents Plus e, entre as dez queens "babadeiras" participantes, três são do Rio: Melina Blley, Chanel e Poseidon.

Apresentado por Grag Queen, vencedora da primeira temporada do "Queen of the Universe", o programa - versão nacional da franquia idealizada pela drag americana RuPaul, em 2009 - promete uma nova temporada ainda mais empolgante. Semanalmente, as queens mostram seu carisma, singularidade, coragem e talento ao competirem em desafios criativos de atuação, dublagem, moda e performances ao vivo.
O time de jurados é formado por Dudu Bertholini e Bruna Braga, e, participantes convidados também julgarão a cada episódio: Claudia Raia e Blogueirinha são alguns nomes confirmados.
Conheça as três representantes do Rio - uma é natural do Recife, mas mora na Cidade Maravilhosa.
Chanel

Com apenas 22 anos, ela é de São Gonçalo e se inspira em vários ícones, sendo a principal a personagem Chanel Oberlin, da série "Scream Queens".

"Sobre ser drag queen no Rio, espaços existem, mas o cenário é muito focado em concursos. Se você não está competindo, você não existe, toda a cena está concentrada do outro lado da ponte. Os concursos acontecem mais no Centro e na Zona Sul. Por um lado é bom ter os concursos, mas por outro lado é ruim porque cria-se uma cena que não está acostumado a pagar para ver drag, não tem essa cultura forte de sentar e assistir um show", avalia.

Após ter seu nome divulgado no reality, Chanel, que é professora, conta que passou a se sustentar como drag. "Não tenho mais tempo para dar aula, mas é uma realidade recente", comemora.

Ser drag para ela é uma ferramenta que usada para potencializar o seu discurso. "A possibilidade de mudar minha aparência, uso para guiar o que quero que as pessoas percebam e como eu posso amplificar o que tenho para passar de mensagem. É uma liberdade maior porque as pessoas veem a drag e esperam uma popstar. Você tem essa liberdade de ser uma diva, de pegar e dançar. Ninguém vai torcer o nariz para você. A drag me dá a liberdade de por para fora 100% das minhas intenções e de ser ouvida".
Melina Blley

Aos 30 anos, ela é presença marcante na cena noturna do Rio. Com sete anos de carreira, se destaca pelo domínio em design de figurinos, perucaria e por suas performances.
Além da carreira como drag, atua como hostess, DJ e performer em casas renomadas e grandes eventos - com destaque para shows no Rock in Rio e em um camarote de Carnaval da Sapucaí.

"Ser uma drag queen no Rio de Janeiro é uma sensação de resistência. Considero todas essas meninas destemidas por darem a cara a tapa e terem coragem de colocarem as suas montações para sair na rua e se impor como pessoa. A arte tem muito desse poder da gente ultrapassar outras barreiras", analisa.

Melina diz que a cidade tem espaços para as drags, mas "nunca serão suficientes". "Falta mais visibilidade no Rio, mais reconhecimento e investimento financeiro em cima disso porque tudo em drag é caro, até as coisas mínimas, como uma calcinha. Quando as pessoas entenderem que drag é um trabalho, tudo vai evoluir muito mais."

Desde que largou a faculdade de Publicidade, ela passou a se sustentar com o trabalho de drag e complementa a renda como maquiadora e costureira. "Ajudam também no meu processo e para que entre também uma renda extra, para que a gente não apenas sobreviva e tenha uma qualidade de vida. Trabalhar na noite é um ritmo totalmente diferente e cansativo", destaca Melina, que complementa: "O plano B é necessário, a maioria das pessoas que vive de arte no Brasil, que não tenha grande visibilidade como grandes nomes como Pabblo Vittar e Gloria Groove precisam de uma outra remuneração."

Sobre o programa, ela acredita que ele não só dá mais visibilidade, mas traz muito respeito para a comunidade. "Ele tira a drag do lugar mais marginalizado, para colocar num lugar gourmetizado. Vai ser uma temporada incrível, um grande show."
Poseidon Drag

Poseidon Drag, de 28 anos, também brilha na cena carioca. Ela é natural de Recife e atua como drag há 13 anos. Há seis anos é residente na Pink Flamingo, em Copacabana, onde se apresenta três vezes por semana com shows inéditos.

"Ser drag no Rio de Janeiro é bem difícil porque não tem muitas oportunidades para a quantidade de drag que existe. As casas noturnas estão cada vez menos chamando as drags para trabalharem, a única que dá 100% de oportunidade é a Pink Flamingo, mas infelizmente a casa não pode abraçar todas as drags. Existem muitos concursos na cena drag carioca, que por sinal é muito bom para ser vista, mas o trabalho mesmo é bem escasso", conta.

Formada em teatro, Poseidon combina atuação e drag com humor afiado e "lip syncs" impressionantes. Inspirada por Suzy Brasil, Jeison Wallace e Paulo Gustavo, ela encanta com a presença de palco e explica que se montar é um ato de coragem.

"Eu, José, sou completamente diferente da Poseidon. Ela é o meu alter ego. É com ela que eu tenho coragem de ser 100% o que eu não posso ser de José por causa dos preconceitos da sociedade, ela é basicamente o meu escudo."

Poseidon diz que o 'Drag Race' é muito importante para a visibilidade não somente pessoal, mas sim do Brasil. "É um programa internacional que tem acesso a outros países e isso é lindo demais. Levar a cultura brasileira, que é tão diversificada, me deixa muito emocionado! Minha expectativa é que eu consiga realizar todos os meus sonhos e acessar lugares que nunca foram acessados por uma drag queen. Levar a nossa cultura para outros países, pois o Brasil é muito rico em cultura e precisa ser visto por todo o mundo", torce.

No programa, as dez competidoras se enfrentam para conquistar o título de próxima Drag Superstar do Brasil.