Carolina Kasting (Rosana) comemora reprise da novela Terra Nostra: Alegria imensaReprodução / Instagram

Rio - Carolina Kasting, de 50 anos, retorna às telinhas em "Terra Nostra", no "Edição Especial", a partir desta segunda-feira (1º). No folhetim de Benedito Ruy Barbosa, exibido originalmente em 1999, a atriz interpreta Rosana, filha mais velha do coronel Gumercindo (Antonio Fagundes), que é apaixonada por Matteo (Thiago Lacerda). Inconsequente, a irmã de Angélica (Palomma Duarte) não mede esforços para ficar com o italiano, que não esqueceu seu grande amor, Giuliana (Ana Paula Arósio). 
A artista comemora a reprise da obra, no mesmo ano em que a emissora completa seis décadas. "É uma alegria imensa essa reprise nos 60 anos da TV Globo. 'Terra Nostra' é um clássico e, como todo clássico, é eterno. É uma novela bastante cinematográfica. As pessoas sempre me dizem que estão revendo (no streaming) e gostando. Falam muito da Rosana também. É uma alegria poder assistir a essa obra com todos juntos novamente", comenta Carolina, que está afastada das novelas desde "Salve-se Quem Puder" (2020).
A atriz relembra como foi dar vida a uma das personagens mais densas da trama escrita por Benedito Ruy Barbosa, logo no começo da carreira. "Tenho uma relação de muita gratidão com a Rosana, porque ela surgiu no início da minha trajetória e impulsionou minha carreira. Foi a personagem que estabeleceu uma conexão forte e bonita com o público", diz ela, que complementa:
"Costumo dizer que a Rosana é uma personagem com muitas camadas: ela é uma antagonista, mas não exatamente uma vilã. Ela me trouxe muito trabalho e grandes conquistas. Já havia interpretado outros papéis, mas essa foi minha primeira personagem 'vertical', com muitas camadas e profundidade. Depois vieram muitas outras, mas a Rosana foi o início da formação da atriz que sou hoje".
Além disso, Rosana vive momentos de tensão com o pai, exigente e rígido. Carolina, então, fala como foi contracenar com Fagundes, incluindo um conselho que recebeu do veterano. "O Fagundes era uma grande referência para mim. Além de ser um profissional de capacidade extrema, ele era muito generoso. Lembro de uma conversa nossa enquanto esperávamos para gravar. Eu, ansiosa e cheia de vontade de trabalhar mais, contei que queria fazer novas peças de teatro – minha formação inicial. Ele me disse: 'Carol, para saber o que você quer montar, primeiro você precisa ler. Leia textos de teatro, literatura, ficção, dramaturgia... leia tudo o que puder. Nessa busca, você vai encontrar aquilo que quer dizer'".
Ela também recorda com carinho de uma cena com a intérprete de Angélica. "Lembro especialmente da relação com a Palomma Duarte, que interpretava minha irmã na trama. Viajamos para uma fazenda no interior do Rio de Janeiro, onde gravamos uma cena das duas irmãs conversando na janela. Recordo a delicadeza do Jayme ( Monjardim) ao dirigir essa sequência, buscando profundidade e, ao mesmo tempo, a leveza, para refletir o frisson da juventude, duas moças cheias de sonhos e desejos. Foi muito bonito. Me emociono ao lembrar dessas gravações e de cenas como essa". 
Carolina ainda cita o entrosamento do elenco e diz que mantém algumas amizades da época. "A relação do elenco era muito forte. A maioria estava no início da carreira e acreditávamos muito no trabalho coletivo, na generosidade entre colegas. Nunca vou esquecer desses detalhes. Eu e o Thiago (Lacerda) somos amigos até hoje, tenho uma admiração enorme por ele. Lembro das gravações das cenas em que Rosana e Matteo se casam e têm a noite de núpcias. Quando acordam, Matteo estende na janela o lençol com uma mancha de sangue da primeira noite dos dois. Nessas cenas, eu estava completamente mergulhada na intensidade passional da personagem, que tomava meu estado físico, psicológico e emocional. Já naquela época, percebia que isso estava diretamente ligado ao prazer que sinto em atuar".
Na época, Rosana despertou diferentes sentimentos no público. "As atitudes da Rosana eram movidas pela paixão e pela inconsequência da juventude. Ao mesmo tempo, ela era uma mulher muito forte, rebelde, que lutava pelos seus desejos sem rédeas. Então, experimentei duas reações do público: uma parte torcia por ela, acreditava que ela deveria ficar com o Matteo. E eu adorava isso, porque eu a defendia, de maneira positiva, queria que ela fosse feliz. A outra parte detestava a Rosana, pois ela atrapalhava o amor épico entre Matteo e Giuliana, apresentado desde o início da novela. Nada mais natural que o público a visse como um obstáculo para a realização desse romance", analisa.
Trabalhos
"Terra Nostra" foi a primeira novela que Carolina fez de um dos maiores dramaturgos. "Foi meu primeiro contato com um texto dele, e toda a força e verticalidade que ele atribui aos personagens — uma marca de sua escrita brilhante — trouxe uma experiência muito potente logo no início da minha carreira", diz ela, que também integrou o elenco de mais um folhetim de Benedito, "Cabocla" (2004).
Outros trabalhos da artista em novelas foram: "Anjo de Mim" (1996), "Coração de Estudante" (2002), "Mulheres Apaixonadas" (2003), "Escrito nas Estrelas" (2010), "Amor Eterno Amor" (2012) "Amor à Vida" (2013) "Além do Tempo" (2015) e mais. A artista também participou do longa-metragem "Sonhos Tropicais" (2001) e do curta "Escolhas" (2017). 
Projetos atuais
Atualmente, Carolina se dedica aos estudos, além de trabalhar com vários tipos de arte. "Pintura, desenho, tecitura, escultura e poesia. Mas a linha dorsal do meu trabalho é a fotografia. Tudo isso acontece paralelamente à minha atuação na televisão e no teatro. Acredito que meu trabalho em artes visuais, plásticas e performáticas é uma expansão do meu trabalho como atriz. É muito especial olhar para este momento da minha vida, ao completar 50 anos agora em julho", vibra.
"Estou muito feliz com essa convergência de múltiplas formas de arte. Recentemente, fiz uma exposição nos Correios do Rio, com obras em fotografia e performance. Agora, dei uma pausa para estudar – estou cursando graduação em Teatro. Já havia estudado há muitos anos em São Paulo, mas era uma formação técnica. Agora, busco o bacharelado para desenvolver minha pesquisa de arte no mestrado", conclui.
*Reportagem da estagiária Mylena Moura, sob supervisão de Isabelle Rosa