Dhu Moraes interpreta Manoela em Êta Mundo Melhor!Globo/ Fábio Rocha
- A relação dela com a sobrinha Dita é um dos pontos centrais. Como foi construir essa dinâmica de amor e proteção, mas também de conflito?
Manoela é uma mãe para Dita e como para qualquer mãe, o amor, a proteção e cuidado são pilares na criação e na vida em família. Na época, pensava e prezava muito para a mulher não perder o respeito na sociedade. Para uma tia e mãe ter sua sobrinha com uma má reputação na cidade era o fim.
- A personagem tem um posicionamento firme contra o romance de Dita e Candinho. O que explica essa resistência tão forte da tia?
Pelo fato dela ser uma mulher desquitada, com um filho, e ele um homem viúvo e rico, a sua união traria para a família uma imagem ruim na época, onde ela ficaria falada e sua reputação seria manchada.
- Manoela passa por um processo de alfabetização, algo muito significativo para uma mulher que carrega em sua história as marcas da escravidão. Como foi interpretar esse arco da personagem, e o que essa trajetória pode representar para o público, principalmente mulheres negras mais velhas?
O impacto positivo e a oportunidade de outras mulheres viverem essa realidade, além de mostrar que para aprender não tem idade. E viver esse momento é transmitir essa possibilidade a todas as mulheres que têm o desejo de aprender algo e se identificam com a Manoela. Enorme gratidão por poder viver essa personagem e reviver cenas da minha realidade na infância, reencontrar a Leninha que estava ali sedenta por aprender, mas que naquela região do interior ainda não tinha uma escola. Então, é uma felicidade essa experiência para mim, levar essa mensagem para o público e para todas essas mulheres. Um tanto triste por aquela realidade, mas tão feliz por toda essa grandiosidade que na novela se apresenta.
- Você já viveu personagens marcantes na TV, como a Tia Nastácia no 'Sítio do Picapau Amarelo'. Como avalia a importância dessas figuras na sua trajetória?
Cada uma dessas mulheres me marcaram de formas especiais, seja profissionalmente ou na vida, me ensinando, me fazendo refletir e resgatar momentos da minha história, me fazendo entender minha mãe, em alguns instantes e tantas outras pessoas que passaram pela minha vida. Cada uma tem sua importância e me fez chegar aqui e ser quem eu sou, um ser humano melhor a cada trabalho, podendo dar vida, contar histórias que tocam a mim e a tantos outros pelas telas.
- Entre novelas, séries, cinema e música, qual trabalho mais te desafiou como artista?
Dona Ponza de 'Encantado’s'. Viver uma personagem que aos 70 anos vive com tamanha liberdade, desprendimento, de amar e de se relacionar com o mundo e com a sociedade com força de quem no auge de sua idade está vivíssima e querendo ter prazer e viver, uma vida e um viver invejável. Foi desafiador viver essa realidade do dia a dia que se distancia da minha.
- O público se animou com a apresentação das Frenéticas no Show 60 Anos da Globo. Existe algum desejo pessoal de retomar esse projeto musical, mesmo que em apresentações pontuais?
Meu coração bate e pulsa em cada trabalho que faço e atualmente na música estou vivendo o lançamento do show "Canto da Dhu", que é a oportunidade de eu me encontrar com canções que atravessaram minha história. Como minhas outras colegas que seguem suas carreiras solos, nesse momento estou focada nesse show que comemora meus 55 anos de carreira. Também vivendo participações como em um single da Crikka Amorim de uma regravação de "Dançar Para Não Dançar", da Rita Lee. Mas sempre bate o coração por uma canção e deixo sempre a porta aberta para um bis.
- Você já declarou que, com exceção da fase das Frenéticas, nunca trabalhou tanto como agora. Como encara essa fase tão produtiva da carreira?
Acredito que como todo profissional, fazemos nosso trabalho dando o nosso melhor e sempre na esperança de como uma semente pode dar frutos, e encaro com muita alegria e felicidade um reconhecimento que vem de muito trabalho e amor a profissão.
- O envelhecimento ainda é tratado com preconceito na sociedade. O que mudou na sua própria visão sobre a idade ao longo do tempo?
O que vejo é que, o tempo passou, a criança cresceu, o meu sonho mudou, já sei mais sobre a dor, sobre o som, sobre vocês e eu. O tempo é o melhor professor, de todas as matérias. E assim te respondo com um trecho adaptado da letra de Sandra Pêra .
- Qual o segredo para manter essa vitalidade e entusiasmo pela vida?
É primeiro ter a possibilidade e oportunidade de trabalhar naquilo que gosta. Tentar se cuidar, desde alimentação saudável, atividade física, festejar, se relacionar com pessoas que podem te fazer sorrir, que te fazem bem, viver entre amigos e estar sempre buscando e vivendo a felicidade. E, se possível, se conectar com coisas boas.
- O que ainda falta realizar na sua carreira ou na vida pessoal, algum sonho guardado?
Ir à Veneza, cantar a felicidade pelo Senna e, se der, amando.
- Já tem os próximos trabalhos agendados? O que podemos esperar para o futuro?
2026 vem aí com a comédia "Tô de Graça", "Canto da Dhu" a partir de março, e o que mais o universo me ofertar.








