Debora Bloch reprodução Instagram

Rio - Prestes a encerrar a participação no remake de "Vale Tudo", Debora Bloch faz uma avaliação da trajetória de Odete Roitman, personagem que marcou a televisão brasileira em 1988 e que ela reviveu na nova versão da trama.
Debora reconhece o peso de recriar a personagem: "Eu tinha uma grande responsabilidade de recriar uma personagem icônica, que estava no imaginário de todo mundo, e que a Beatriz Segall fez brilhantemente. Era um desafio encontrar a minha Odete, a minha maneira de fazer a personagem, a minha interpretação."
Em entrevista ao Gshow, a atriz afirmou: "Acho que a Odete vai morrer porque a pergunta 'quem matou Odete Roitman?' está muito forte no imaginário dessa novela".

Responsabilidade e preparação

A atriz ressaltou que, apesar do desafio, sentiu-se pronta para o papel: "Não tive dúvidas que devia fazer e que seria incrível, mas tive todos os medos de não acertar. Ao mesmo tempo, me sentia preparada e madura para uma personagem dessa ‘monta’ (risos). Venho me preparando há 45 anos. Acho que estar madura como mulher e como atriz foi fundamental para fazer esse trabalho".

Parte do público, no entanto, se surpreendeu ao saber que Debora tem 62 anos. Muitos acreditavam que ela era mais jovem. Sobre o tema, respondeu: "Achei engraçado as pessoas acharem isso. Acho que as mulheres mudaram muito de 1988 para cá. Estamos mais ativas e mais potentes. Hoje sabemos os cuidados com a saúde e com a forma que precisamos ter, temos mais informação e conhecemos mais os caminhos para estar bem. A medicina e a tecnologia avançaram".

Debora reforça que a maturidade feminina tem novas perspectivas: "Então acho que uma mulher de 60 hoje é diferente daquela época. Ainda estamos vivas, potentes e no jogo. E acho que mais livres também".

A liberdade sexual de Odete também gerou repercussão nas redes sociais, onde ganhou o apelido de "Fodete Roitman". A personagem troca de namorados, prioriza o próprio prazer e não se preocupa com a opinião alheia. Para Debora, isso é reflexo de mudanças sociais: "Acho maravilhoso e divertido. Acho que é transgressor essa inversão dos papéis masculino e feminino. Não estamos acostumados a ver na novela das nove uma mulher numa posição de poder nas relações com os homens, escolhendo e não sendo escolhida, se relacionando com homens muito mais jovens, e sem estar à mercê da vontade do homem".

A atriz completa: "A Odete faz com os homens o que vemos há décadas, de forma normalizada, os homens fazerem com a mulheres".