Glória Menezes, Tony Ramos e Regina Duarte em Rainha da SucataDivulgação/TV Globo
Filha do vendedor de ferro-velho Onofre (Lima Duarte), Maria do Carmo enriquece com o trabalho árduo e transforma os negócios do pai em um império. Mesmo milionária, mantém hábitos simples e sonha em conquistar o respeito da elite da capital. Essa oportunidade surge quando ela reencontra Edu (Tony Ramos), o antigo colega de escola que costumava humilhá-la e agora vê sua tradicional família mergulhar na falência.
Determinada a se vingar e, ao mesmo tempo, a subir de status, Maria propõe um casamento de conveniência: ela banca os luxos dos Albuquerque Figueroa, enquanto Edu oferece o prestígio de um sobrenome respeitado. O acordo leva a nova-rica para o casarão dos Jardins, bairro símbolo do poder e da sofisticação paulistana. Mas o que parecia ser a realização de um sonho se transforma em um campo de batalhas.
Na mansão, Laurinha Figueroa, madrasta de Edu, passa a atormentar a vida da "sucateira". Casada com Betinho (Paulo Gracindo), a socialite nutre uma paixão secreta pelo enteado e faz de tudo para destruir o casamento dele com Maria. Entre intrigas, humilhações e disputas de poder, a rivalidade entre as duas mulheres se torna o eixo central da trama.
Enquanto enfrenta a fúria de Laurinha, Maria do Carmo também vê os negócios ameaçados pela traição de Renato Maia (Daniel Filho), administrador em quem confiava cegamente. Forte e determinada, ela precisa lutar para se manter no topo — tanto no mundo dos negócios quanto na sociedade que insiste em rejeitá-la.
Misturando drama e humor, Rainha da Sucata apresentou um retrato satírico e emocionante da ascensão social, com duas protagonistas femininas que se tornaram ícones da teledramaturgia. Maria do Carmo consolidou-se como uma das mocinhas mais queridas da TV, enquanto Laurinha entrou para a história como uma das vilãs mais marcantes.
O elenco de peso inclui nomes como Aracy Balabanian, Nicette Bruno, Antônio Fagundes, Renata Sorrah, Raul Cortez, Claudia Raia, Marisa Orth, Andrea Beltrão, Patrícia Pillar e Daniel Filho, em atuações que ajudaram a eternizar a novela.
Novela lançou tendências nas ruas
Outro símbolo inesquecível foi a mesa de escritório da protagonista, feita com a parte frontal de um Chevrolet 1958 — uma metáfora perfeita para sua origem humilde e seu triunfo empresarial.
A abertura da novela também marcou época: ao som de "Me Chama que Eu Vou", de Sidney Magal, uma boneca feita de sucata dançava lambada com bailarinos reais. A música virou hit nacional e ajudou a consolidar a popularidade do ritmo no país.
Mais do que uma novela, "Rainha da Sucata" foi um retrato espirituoso e crítico da sociedade brasileira, mostrando que o brilho da ascensão pode esconder os espinhos do preconceito e do poder.




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