Sabe quando a gente pensa em como criar filhos de forma mais leve, mas ao mesmo tempo cheia de significado? Foi exatamente sobre isso que conversei com a educadora Priscilla Montes, especialista em infância e adolescência.
Ela trouxe uma visão encantadora sobre a Educação Positiva, mostrando que educar não é sinônimo de punir, mas sim de criar vínculos afetivos, estabelecer limites com respeito e ensinar a criança a florescer emocionalmente.
Um bate-papo que inspira a olhar a infância com mais empatia, presença e, claro, com muito amor. Confira abaixo:
Priscilla, explica pra gente o que é a Educação Positiva?
A Educação Positiva é uma abordagem que une ciência, respeito e vínculos afetivos seguros. Parte do princípio de que a criança aprende melhor em ambientes nos quais há afeto, respeito, escuta ativa, empatia e limites claros.
Não se trata da ausência de disciplina, mas da substituição de práticas punitivas por abordagens que promovem autonomia, autorregulação emocional, senso de responsabilidade e confiança, sempre em conexão com o desenvolvimento neurológico da criança. É uma educação que não versa sobre permissividade, mas prepara a criança para a vida com segurança emocional.
Como ela se aplica na prática?
Primeiro, é necessário ter em mente que se trata de relações entre seres humanos e, portanto, é uma construção dia após dia. Na prática, significa substituir ferramentas punitivas — como castigos, chantagens e ameaças — por diálogos que acolhem a emoção para, na calma, lidar com o comportamento.
A Educação Positiva ensina a transformar o erro em oportunidade de aprendizagem, a estabelecer limites claros com escuta e explicação, a valorizar o processo da criança e não apenas o resultado, a abrir espaço para o erro, a construir parcerias nas soluções e a focar nas habilidades socioemocionais. Assim, a criança aprende sobre responsabilidade com respeito e desenvolve a capacidade de tomar decisões conscientes na vida adulta.
De que forma a educação positiva e o estímulo adequado se complementam?
A Educação Positiva cria um ambiente seguro para que os estímulos façam efeito. Estímulos sem vínculo podem gerar ansiedade, falta de confiança e baixa autoestima; já o vínculo sem estímulos pode limitar o potencial.
Quando combinamos ambos, a criança sente-se motivada e confiante para explorar o mundo, errar, tentar novamente e aprender. Por trás de cada “eu consigo” de uma criança, há sempre um adulto que acreditou primeiro em sua capacidade. Portanto, o cérebro infantil floresce quando existem segurança afetiva e oportunidades de exploração.
Brincar ainda é o melhor estímulo para o desenvolvimento infantil?
Com toda certeza. Brincar é a linguagem natural da infância. É na brincadeira que a criança estimula a criatividade, a socialização e a exploração do mundo.
A neurociência mostra que, durante o brincar, áreas como o hipocampo (memória), o córtex pré-frontal (tomada de decisão) e o sistema límbico (emoções) trabalham de forma integrada.
O brincar não é perda de tempo, mas sim a principal ferramenta de aprendizagem e regulação emocional. Brincar é uma necessidade básica para o desenvolvimento saudável.
Existem diferenças nos estímulos adequados entre as idades de 0 a 3 anos e de 4 a 6 anos?
Sim. Porém, é importante alertar que cada criança é única e seu desenvolvimento é individualizado. A criança é a nossa bússola.
De 0 a 3 anos: o foco está em estímulos sensoriais (texturas, sons, cores), motores (engatinhar, segurar objetos) e em um vínculo emocional forte. É a fase que constrói a base do apego e da confiança.
De 4 a 6 anos: surgem mais habilidades simbólicas, sociais e cognitivas. Brincadeiras de faz de conta, jogos com regras simples e interações em grupo são essenciais para trabalhar cooperação, empatia, pensamento lógico e senso de pertencimento.
Cada fase da infância pede um tipo de estímulo, mas todas exigem a mesma base: vínculo e presença.
Como identificar quando a criança está sendo pouco estimulada ou, ao contrário, excessivamente estimulada?
A criança dará os sinais. Pouco estímulo: pode resultar em apatia, desinteresse, atraso no desenvolvimento da fala ou motor, dificuldades de socialização e baixa interação.
Excesso de estímulo: costuma gerar irritabilidade, dificuldade de concentração, ansiedade, sono agitado e fadiga. O excesso é tão prejudicial quanto a falta, porque o cérebro infantil precisa de pausas para consolidar aprendizagens. Afinal, um cérebro sobrecarregado não aprende.
Que conselho prático você daria aos pais para criarem um ambiente saudável de estímulos dentro de casa, mesmo sem muitos recursos?
Engana-se quem pensa que o mais importante são os brinquedos caros ou a quantidade de brinquedos. O essencial para as crianças é a qualidade da interação, que também é um fator determinante para a saúde emocional.
O estímulo não se limita a ter objetos, mas está nos momentos e na construção de memórias afetivas, como contar histórias, cantar, brincar de esconde-esconde, cozinhar juntos ou conversar durante uma caminhada. Tudo isso nutre o cérebro infantil. Um ambiente rico em afeto, diálogo e curiosidade é mais valioso do que qualquer tecnologia. A criança não precisa de excesso de coisas, mas de excesso de presença.
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