Patrulha Maria da Penha de Duque de Caxias é referência no estado Divulgação
O sucesso no trabalho para diminuição e prevenção da violência doméstica e familiar contra a mulher incentivou outras cidades como Rio de Janeiro, Petrópolis, Volta Redonda, Rio das Ostras, Araruama e Macaé. Em nove anos, já foram realizadas mais de 49 mil atuações – o que dá uma média de 15 atendimentos diários – e acompanhamentos de cumprimento das medidas protetivas determinadas pela justiça. Atualmente há cerca de 1.300 mulheres sendo assistidas pela patrulha. As mulheres acompanhadas têm um canal exclusivo com a Guarda Municipal, ou seja, a cada ameaça elas podem entrar em contato com a GM e serão prontamente atendidas.
Após alguns anos de relação, Ingrid Fernanda Ferreira, 39 anos, viu sua vida mudar. O homem que era amigo de todos e muito acolhedor se revelou um abusador.
De acordo com Ingrid ela foi abusada sexualmente várias vezes e, após a gravidez os abusos que antes eram psicológicos, passaram a ser físicos e o apoio esperado pela família não veio.
Para dar um basta nas agressões sofridas, Ingrid saiu pelas ruas com o filho no colo, grávida do segundo, pedindo por ajuda. Uma viatura da PM a levou para a casa de uma tia e, como as ameaças continuaram, ela ligou novamente para Polícia Militar e desta vez foi conduzida à Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) onde a denúncia foi registrada, o caso conduzido ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar e foi instaurada a medida protetiva de emergência e o acompanhamento da Patrulha Maria da Penha. Era o início de uma nova vida para Ingrid e os filhos.
“Quando eles chegaram no meu portão, eu achei que tinham ido me prender. Eu fui ouvida, acolhida e protegida. Eles foram e são meus anjos de farda. Com o apoio da Patrulha eu refiz a minha vida, me casei e eles estavam lá, porque fazem parte da minha vida e cada conquista compartilho com eles. E eu me tornei uma mulher sábia que edifica o lar, porque entendi que a sabedoria estava em outro lugar. A frase que um dia muito me magoou, hoje é alicerce porque ser sábia é ter coragem de escolher a própria vida, é escolher alguém que esteja ao meu lado e me respeite, respeite meus limites, os meus filhos, o que sinto, como sou, o meu direito de existir. Isso é ser sábia”.
Atualmente Ingrid faz um trabalho nas suas redes sociais para conscientizar e auxiliar mulheres que possam estar passando por situações e relações abusivas, está casada, estudando Psicanálise e segue sendo assistida pela Patrulha Maria da Penha.
A Patrulha Maria da Penha de Duque de Caxias tem atualmente nove patrulheiros e dois agentes administrativos e faz uma média de 180 atendimentos mensais.


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