Com a ajuda do auxílio emergencial em sua primeira versão, o percentual tinha diminuído de 10,9% da população em situação de pobreza para 4,5%
Com a ajuda do auxílio emergencial em sua primeira versão, o percentual tinha diminuído de 10,9% da população em situação de pobreza para 4,5%iStock
Por Maria Clara Matturo
Em fevereiro deste ano, durante a pandemia de covid-19 no Brasil, 27,3 milhões de pessoas estavam vivendo em condições de pobreza no país, segundo um levantamento da FGV. A quantidade de brasileiros nessa situação triplicou, se comparado com os 9,5 milhões registrados em agosto do ano passado, quando o índice atingiu o menor patamar da série histórica. Com a ajuda do auxílio emergencial em sua primeira versão, o percentual tinha diminuído de 10,9% da população em situação de pobreza para 4,5%. Agora, a previsão dos especialistas é de que a escassez chegue a atingir 12,8%. 
Para o economista da FGV Social, Marcelo Henri, o auxílio possibilitou uma melhora nas condições de vida dessas pessoas e depois as deixou em uma situação ainda pior:
Publicidade
"A trajetória da renda dos pobres com a pandemia segue um v invertido, ela surpreendentemente subiu muito por conta do auxílio, quem recebe o Bolsa família, por exemplo, obteve uma renda mais de seis vezes maior do que a de costume. Mas, depois desse aumento espetacular, ela começa a cair quando o auxilio atinge a metade do valor, no final do ano. Com isso, cerca de 17 milhões entraram na pobreza, essa é a trajetória. O nível acabou ficando maior do que tínhamos antes da pandemia e essa instabilidade não é favorável para as pessoas, uma renda média durante mais tempo seria mais beneficente", explicou. 
Além da crise sanitária, outro cenário crítico que a pandemia tem ocasionado é o aumento do índice de preço de alimentos. Segundo a Agência das Nações Unidas que monitora o preço dos alimentos (FAO), a média mundial dos alimentos subiu pelo décimo mês consecutivo em março, atingindo maior patamar desde junho de 2014, o que torna a vida dessa parcela da população ainda mais difícil.
Publicidade
"Eu diria que os três fatores de deterioração seriam a suspensão do auxílio, o brutal efeito da pandemia no mercado de trabalho e essa inflação mais alta principalmente nesses alimentos que são constituídos de renda mais baixa, são coisas que se acumulam. Essa nova rodada do benefício da alguma redução nessa pobreza, mas está entre nada e um quarto do valor inicial, então vai ter um efeito relevante, mas muito menor do que o ideal", acrescentou o economista. 
Quando se trata medidas para tentar contornar essa crise, Marcelo Henri defende a importância da vacinação. "Uma coisa que não fizemos, ou fizemos pouco, foi a questão da testagem e acompanhamento das pessoas que junto com máscara, álcool em gel e isolamento, seria uma tecnologia importante. Só 15% da população foi testada para covid-19 e sinto que foi uma oportunidade que perdemos. Sem dúvidas o principal instrumento é a vacinação, que vai permitir atacar à questão sanitária e econômica simultaneamente", finalizou.