Custo da cesta básica, em janeiro deste ano, deve ficar em torno de R$ 700 na cidade de São Paulo. Assim, o salário mínimo terá poder de compra equivalente a cerca de 1,73 Tânia Rêgo/Agência Brasil

O novo valor do salário mínimo, que entrou em vigor neste sábado e passou para R$ 1.212 após Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), não compra duas cestas básicas, aponta o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). 
Isso porque, conforme estimativa, o custo da cesta básica, em janeiro deste ano, deve ficar em torno de R$ 700 na cidade de São Paulo. Assim, o salário mínimo nacional de R$ 1.212,00 terá poder de compra equivalente a cerca de 1,73 cesta básica.
Na série histórica da relação entre as médias do salário mínimo anual e da cesta básica anual, é possível notar que a quantidade de 1,73 cesta básica é menor que a média 2008 a 2020.
A cesta básica é composta por 13 itens e tem valores distintos entre as regiões do país. Por isso, representa uma quantia diferente da remuneração em cada uma delas. Em uma pesquisa com os valores atuais das cestas básicas, o preço da cesta representa mais da metade do salário mínimo em 17 capitais, com preço mais baixo em Aracaju (R$ 473,26) e o maior em Florianópolis (R$ 710,53). No Rio de Janeiro, o valor atual é de R$ 665,60. 
Salário mínimo 
O Dieese pontuou que o salário mínimo ficou mais uma vez sem aumento real. Nesses últimos dois anos, a inflação no Brasil, que já era crescente, teve alta na taxa acumulada em 12 meses, a partir do segundo semestre de 2020, como resultado basicamente da elevação dos preços de três grupos de itens que compõem os orçamentos familiares: “Alimentação e bebidas”, “Transportes” e “Habitação”. Isso significa que aqueles trabalhadores com renda muito próxima ao salário mínimo foram os mais afetados com o rebaixamento drástico do poder de compra.
"Nada mais justo e correto, se fossem compensados com algum ganho real de salário (por via de aumento real do salário mínimo) para enfrentar o próximo ano, ainda uma incógnita no que se refere ao comportamento dos preços ao consumidor", afirmou o Dieese. 
Estima-se que 56,7 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo, R$ 81,2 bilhões representam o incremento de renda na economia e R$ 43,8 bilhões correspondem ao aumento na arrecadação tributária sobre o consumo.
Na Previdência Social, o peso relativo da massa de benefícios equivalentes a até um salário mínimo é de 46,2% e corresponde a 66,7% do total de beneficiários, segundo o Boletim Estatístico da Previdência, de outubro de 2021. 
O acréscimo de cada R$ 1 no salário mínimo tem impacto estimado de R$ 314,16 milhões ao ano sobre a folha de benefícios da Previdência Social. Assim, o impacto do aumento para R$ 1.212,00 (R$ 112 a mais) significará custo adicional ao ano de cerca de R$ 35,2 bilhões.