Edifício-sede do Banco Central em BrasíliaMarcello Casal Jr/Agência Brasil

Brasília - Funcionários do Banco Central e o Sindicato Nacional dos Funcionários do BC (Sinal) articulam a entrega de mil cargos comissionados nos próximos dias, em protesto a negativa do governo em reajustar os salários dos servidores. Ao todo, 500 cargos de gerência e 500 substitutivos devem ficar vagos.
O movimento acontece em meio a decisão do governo federal de aumentar vencimentos da classe policial e deixar outros servidores de fora. O BC segue a manifestação da Receita Federal, que organiza uma greve, além de funcionários terem entregues mais de 600 cargos em dezembro.
A pasta da Economia solicitou ao Congresso Nacional a separação de R$ 2,8 bilhões para reajustar salários de policiais ferais, rodoviários e agentes penitenciários. Dias depois, o ministro Paulo Guedes comparou o aumento para servidores à tragédia de Brumadinho.
Segundo o sindicato, funcionários do Banco Central estão sem reajuste há três anos e ressaltou o impacto nos salários com o forte aumento na inflação em 2021. O Sinal lembrou dos trabalhos realizados pelo Bacen nos últimos meses, como a implementação do Pix.
"O governo federal decidiu dar o reajuste apenas para policiais federais e não para servidores do BC, não achamos isso correto. Os servidores do BC também estão sem reajuste há três anos e sofrendo o impacto da inflação. Eles fazem um ótimo trabalho para sociedade, haja visto Pix e outros projetos. Não houve reconhecimento monetário", afirma Fábio Faiad, presidente do Sinal.
Inicialmente, o impacto maior deverá ser o atraso nas informações prestadas ao mercado financeiro. Serviços de TI e atendimento ao público também devem ser prejudicados.
O Sinal acredita que, neste momento, não haverá impacto monetário. No entanto, não está descartada que ações possam ser tomadas.
Faiad afirmou ter tentado conversar com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, para resolver o impasse. As tentativas tiveram em novembro, mas não foram atendidas.
"Estamos tentando conversar com o presidente Roberto Campos Neto desde o final de novembro e nada. Ele não quis nos atender. Esse é um dos motivos da categoria estar tão indignada. Estamos tentando forçar esse movimento para ver se ele nos atende, traz alguma solução concreta em conversa com [o presidente Jair] Bolsonaro, do qual ele é próximo", completou.
O iG entrou em contato com o Banco Central, mas a instituição informou que não vai se pronunciar por enquanto.