UE alertou que imposição de tarifas sobre produtos europeus criaria barreiras 'desnecessárias' para as exportaçõesPixabay

A União Europeia (UE) reagirá "com firmeza e rapidez" para proteger seus interesses caso os Estados Unidos imponham tarifas sobre as importações provenientes do bloco, declarou o comissário europeu do Comércio, Maro Sefcovic, nesta quarta-feira (19). A afirmação foi feita em resposta às críticas do presidente americano, Donald Trump, que classificou a relação comercial entre os dois mercados como injusta.
"É a própria definição de uma parceria em que todos se beneficiam, e não há nada de injusto", afirmou Sefcovic durante um evento no American Enterprise Institute, em Washington. Ele ressaltou que a UE não vê "nenhuma justificativa para aumentos tarifários repentinos e unilaterais" por parte dos Estados Unidos, destacando que as empresas dependem da estabilidade econômica e da previsibilidade nas relações comerciais.
O comissário alertou que a imposição de tarifas sobre produtos europeus criaria "barreiras desnecessárias" para as exportações, as empresas agrícolas e os trabalhadores de ambos os lados do Atlântico. "Para proteger os interesses europeus, não teremos outra opção a não ser responder com firmeza e rapidez", afirmou Sefcovic, antes de se reunir com representantes americanos. No entanto, ele enfatizou que o bloco fará todo o possível para evitar um cenário de confronto comercial.
Sefcovic destacou que a relação econômica entre a UE e os Estados Unidos representa quase 30% do comércio mundial, sublinhando que a Europa é "uma das economias mais abertas do mundo", com mais de 70% das importações entrando no bloco sem tarifas alfandegárias. Segundo dados da UE, a tarifa média entre os dois lados é de aproximadamente 1%.
A visita do comissário ocorre em um momento de tensão, após Trump ameaçar impor "tarifas recíprocas" aos parceiros comerciais e criticar a política comercial da UE, classificando-a como "absolutamente brutal". A Casa Branca afirmou que as tarifas seriam adaptadas a cada parceiro comercial, levando em consideração as taxas impostas aos produtos americanos e impostos considerados "discriminatórios", como o imposto sobre o valor agregado.
Recentemente, o governo americano decidiu impor tarifas de 25% sobre todos os produtos do Canadá e do México, suspensas temporariamente por um mês para permitir negociações entre os três países. Além disso, Trump aumentou em 10% as tarifas sobre produtos chineses e anunciou tarifas de 25% sobre importações de aço e alumínio, sem exceções, a partir de 12 de março.
A UE, por sua vez, mantém-se firme em sua posição de defender um comércio justo e equilibrado, buscando evitar medidas que possam prejudicar a estabilidade econômica global.