Haddad participou de entrevista nesta sexta-feira (21)Reprodução / Redes sociais
O ministro observou que a queda do dólar e a nova safra também irão ajudar numa estabilização do preço dos alimentos. "Nós tivemos problema de seca e inundação o ano passado, isso afetou. Tivemos aí a manutenção dos juros americanos em patamares muito elevados. Isso faz com que o dólar fique muito forte no mundo inteiro", observou Haddad, reclamando ainda da "destruição" de políticas pelo governo Bolsonaro, citando os estoques reguladores e a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para recuperar essas ações.
"Nós não queremos que tenha nenhuma descontinuidade", disse Haddad em entrevista, reforçando que é preciso aprovar o Orçamento para garantir as linhas do Plano Safra.
"Em geral, a gente compensa o aumento da Selic para não comprometer a produção. O problema de hoje é que orçamento ainda não foi aprovado", sublinhou o ministro.
"O orçamento pode ser aprovado com equilíbrio nas contas, que é o que garante a sustentabilidade da economia brasileira no médio e longo prazo, crescimento com inflação baixa, que é a nossa obsessão, voltar a crescer como estamos crescendo, mas com inflação controlada", disse Haddad em entrevista ao ICL Notícias. "Ninguém de nós é ingênuo a ponto de não conhecer o desafio que estava colocado para o presidente Lula. Nós sabíamos o desafio que estava colocado para ele", afirmou Haddad
O ministro ainda afirmou haver um consenso maior atualmente de que dez anos de déficits públicos não fizeram bem ao Brasil, e que há uma obsessão de sua equipe em tentar resolver esse problema estrutural. Ele assinalou o desafio fiscal que houve no ano passado em relação à tragédia no Rio Grande do Sul, mas argumentou que o governo não deixaria um Estado "debaixo d'água" apenas para fechar as contas.
Haddad ainda afirmou que o governo foi exitoso nos últimos dois anos mostrando ao Judiciário as causas em jogo e as consequências econômicas de cada decisão. "É fundamental os Três Poderes trabalharem juntos", disse.
"Esse juro cai pela metade. Nós vamos dar 90 dias, os 90 dias iniciais desse programa, é pra pessoa trocar o empréstimo dele de 5,5% de juros por um de 2,5%", disse Haddad em entrevista.
"Então, independentemente da Selic, você vai estar fazendo uma coisa pro bem da família brasileira. Às vezes o trabalhador nem sabe quanto tá pagando de juro. Ele toma o empréstimo que ele precisa. Consignado no e-social vai permitir juro muito menor no empréstimo, não importa onde esse trabalhador esteja empregado", afirmou o ministro.
Questionado se o programa não provocaria um endividamento das famílias brasileiras, Haddad ponderou que hoje a população já está endividada e pagando juros caros. "Nós vamos oferecer para os trabalhadores brasileiros uma coisa inédita que pode alavancar o PIB. Mas mais do que alavancar o PIB, estou falando de uma coisa estrutural", comentou Haddad.
Ao mencionar a alavancagem do PIB, Haddad ponderou que hoje a Selic está "momentaneamente" alta para combater a inflação e que faz "parte do jogo" usar a taxa de juros para conter o indicador
"Ninguém deseja um descontrole inflacionário. Faz parte do jogo você usar taxa de juros para controlar a inflação e fazer o trabalho fiscal necessário para acomodar as coisas e tirando isso nós estamos fazendo uma coisa estrutural para o futuro do Brasil", disse o ministro da Fazenda.
Haddad foi questionado se estava se reunindo mais com representantes do setor financeiro em detrimento a produtores, trabalhadores e representantes de outros setores da economia.
"Eu mandei fazer um inventário de todas as audiências que eu tive aqui (em São Paulo), porque aqui é que eu recebo mais pessoas. Eu pedi para verificar quantas vezes eu atendi o mercado financeiro, qual é o porcentual de reuniões que eu fiz, e deu 19%. Ou seja, 81% eu atendi o setor produtivo, de alguma forma, trabalhadores, empresários, setor produtivo. E 19% eu tenho que atender mesmo. Como é que eu vou fazer o consignado privado se eu não atender o sistema financeiro? Como é que eu vou fazer o Desenrola se eu não atender o sistema financeiro? Como é que eu vou fazer o Plano Safra se eu não atender o sistema financeiro? Então, imaginar que o ministro da Fazenda pode não atender o mercado financeiro é de uma ingenuidade absurda", afirmou o ministro.
Ele também foi questionado sobre o montante de investimentos privados em detrimento ao público. Haddad reiterou que o País precisa do setor produtivo para se desenvolver.
"Imaginar que nós vamos prescindir do setor privado para nos desenvolver é um equívoco. Eu quero mais investimento privado. Isso não significa disputar com o Estado. O Estado tem o seu papel", disse o ministro.
Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.