Haddad disse que governo tomou as medidas necessárias para combater a inflaçãoFabio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira, 11, que medidas anunciadas pelo governo, como o novo crédito consignado privado, não vão atrapalhar o combate à inflação. O Banco Central tem repetido que uma desaceleração da economia é necessária para fazer o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) convergir ao centro da meta, de 3%.

"Tanto do ponto de vista fiscal quanto do ponto de vista monetário, se tomaram medidas no sentido de conter a inflação, já prevendo esse repique", ele disse, em uma entrevista à BandNews FM e à BandNews TV. "Então, preventivamente, já antes de acontecer, nós já tomamos medidas para, se acontecesse, a inflação ser controlada num horizonte razoável."

Haddad afirmou que a supersafra brasileira e a queda dos preços de commodities devem colaborar para diminuir a inflação. A turbulência externa, que tornou o cenário mais incerto, começou antes da eleição do presidente norte-americano, Donald Trump, que anunciou uma série de tarifas sobre a importação de produtos

"Nós estamos vivendo isso, mas nós estamos tomando as medidas necessárias para reverter essa situação", afirmou Haddad.

O ministro acrescentou, ainda, que o novo consignado privado não poderia esperar, já que visa reduzir os juros do crédito pessoal, saindo de mais de 5% ao mês para menos de 3% ao mês - esta última taxa, no caso dos bancos públicos, elogiados por Haddad.

"Você está trocando uma dívida muito cara por uma dívida bem menos cara", disse ele. "O ideal é a gente atingir patamares de taxa de juros do mundo civilizado, mas para isso muitas reformas precisam ser feitas, como essa do crédito consignado, como foi o caso do marco de garantias."
Contas públicas
Haddad disse ainda que o governo vem fazendo ajustes constantes nas contas públicas, mas de forma a manter a economia crescendo e os programas sociais funcionando. "Sempre que se fala em ajuste fiscal, quem paga é o trabalhador, e nós resolvemos mudar um pouco essa história: hoje, quem está pagando um pouco do ajuste fiscal é o andar de cima, é a cobertura, que nunca era tocada", comentou. "Essa turma tem poder de mídia, tem poder econômico e grita, mas é uma opção política que nós estamos fazendo."

O ministro repetiu críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que ele não aumentou o salário mínimo acima da inflação e manteve a tabela do Imposto de Renda (IR) congelada. Agora, segundo Haddad, o ajuste será feito com a contribuição desse "andar de cima", que não pagava pelos ajustes.