Rio - A capital fluminense registrou em junho a maior queda do ano no valor da cesta básica, com retração de 0,56%, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). É o segundo mês consecutivo de deflação no Rio de Janeiro, o que representa um alívio importante para o orçamento das famílias cariocas, especialmente diante do peso que os alimentos ainda têm nas despesas mensais.
Os principais responsáveis pela queda foram produtos de grande peso na cesta: batata, arroz agulhinha, óleo de soja e açúcar, todos com redução de preços, puxada principalmente pelo aumento da oferta e pela menor demanda interna em alguns casos. Já o tomate teve leve alta de 0,29%, reflexo da menor oferta ocasionada pelas geadas, que retardaram a maturação dos frutos.
O presidente da Associação de Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (ASSERJ), Fábio Queiróz, avalia o cenário de forma otimista e vê no resultado uma oportunidade estratégica para o varejo.
"Este é um momento em que o varejo pode se reposicionar, reforçar a competitividade e retomar a confiança do consumidor. A queda dos preços abre espaço para promoções, giro de estoque e atração de novos clientes. Mas, acima de tudo, é hora de mostrar sensibilidade com o bolso da população", afirmou.
"Mesmo com um cenário ainda desafiador no acumulado do ano, o setor está atento e comprometido em transformar esse momento em um benefício direto para o consumidor. Nossa prioridade é equilibrar competitividade com responsabilidade social", reforçou.
A queda de junho contrasta com o movimento observado no mesmo mês do ano passado, quando os preços da cesta básica subiram 2,22%. Já no acumulado do primeiro semestre de 2025, o aumento no Rio foi de 8,13%, o terceiro maior entre as 17 capitais pesquisadas — atrás apenas de Fortaleza/CE (9,10%) e Recife/PE (8,37%).
No Sudeste, o Rio lidera a inflação de alimentos, enquanto Belo Horizonte/MG teve a menor variação da região (4,59%).
Mesmo com o recuo recente, o valor da cesta básica no Rio ainda é alto: R$ 843,27, atrás apenas de São Paulo/SP (R$ 882,76) e Florianópolis/SC (R$ 867,83). A diferença em relação à capital mineira chega a R$ 116,64.
Para o consultor econômico da ASSERJ, William Figueiredo, a deflação no Rio, embora discreta, foi mais intensa do que a média nacional, que ficou em -0,48%.
"Entre as capitais do Sudeste, a queda carioca foi a menor da região, mas ainda assim superou o desempenho de Vitória (ES), que teve inflação de 0,22%", destacou.
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