No encontro da semana passada, o colegiado manteve a taxa básica de juros da economia em 15% ao anoRafa Neddermeyer/Agência Brasil
O colegiado voltou a mencionar que a elevada incerteza no cenário demanda cautela na condução da política monetária, e reforçou a disposição para reagir, se necessário.
Segundo o Copom, a desancoragem das expectativas exige uma política monetária significativamente contracionista por período bastante prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta. Além da desancoragem, o cenário também é marcado por projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho, disse o Comitê.
O colegiado repetiu as suas projeções de inflação acumulada em 12 meses para 2025 (4,9%), 2026 (3,6%) e o primeiro trimestre de 2027 (3,4%), que é o horizonte relevante da política monetária. Todas as estimativas estão acima do centro da meta, de 3%. A trajetória leva em conta uma desaceleração dos preços livres, de 5,1% este ano para 3,3% no horizonte relevante. Os preços administrados devem passar de 4,4% para 3,9% nesse mesmo período.
Todas as projeções partem do cenário de referência, com trajetória de juros extraída do relatório Focus e bandeira verde de energia elétrica em dezembro de 2025 e 2026. A taxa de câmbio começa em R$ 5,55 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.
"Na discussão sobre esse tema, a principal conclusão obtida e compartilhada por todos os membros do Comitê foi de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado", apontou a ata.
Falando sobre os dados correntes, o comitê destacou que a inflação vem surpreendendo para baixo, mas continua acima da meta. Os bens industrializados têm arrefecido, e os preços de alimentos mostram uma dinâmica mais fraca que o esperado, disse o colegiado. Mas a inflação de serviços continua acima de um nível compatível com a meta, diante do hiato do produto positivo.
"Para além das variações dos itens, ou mesmo das oscilações de curto prazo, os núcleos de inflação têm se mantido acima do valor compatível com o atingimento da meta há meses, corroborando a interpretação de uma inflação pressionada pela demanda e que requer uma política monetária contracionista por um período bastante prolongado", afirmou o Copom.
Por um lado, o comitê menciona uma moderação "mais nítida" do mercado de crédito. Programas como o novo consignado privado têm mostrado menor impacto que o esperado por alguns analistas do mercado. Além disso, há uma queda nas concessões e aumento nos juros e inadimplência do crédito livre, afirmou.
"Tendo em vista o calendário de implementação nesta linha de crédito, bem como o efeito em outras modalidades da introdução e retirada de impostos, o comitê avalia que deve acompanhar atentamente as próximas divulgações dos dados de crédito", observou o Copom.
Na outra ponta, o mercado de trabalho continua dinâmico tanto do ponto de vista da renda, como do emprego, com queda da taxa de desocupação a níveis historicamente baixos. Esse setor mantém um suporte ao consumo e à renda, afirmou o comitê.
"Em momentos de inflexão no ciclo econômico, é natural que se observem sinais mistos advindos de indicadores econômicos, alguns antecedentes, outros defasados, como também de comparações entre mercados, por exemplo, os mercados de crédito e de trabalho", apontou o Copom.

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