Golpes virtuais com PIX e boletos falsos afetam 24 milhões de brasileiros, aponta pesquisaBruno Peres/Agência Brasil
Golpes virtuais com PIX e boletos falsos afetam 24 milhões de brasileiros, aponta pesquisa
Levantamento Datafolha revela que crimes digitais superam ocorrências presenciais e geram prejuízo estimado em R$ 29 bilhões
Uma pesquisa do Datafolha, em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostra que golpes envolvendo transferências via PIX ou boletos falsos atingiram cerca de 24 milhões de brasileiros. O estudo, divulgado nesta quinta-feira (14), ouviu 2.007 pessoas com 16 anos ou mais, em 130 cidades, entre os dias 2 e 6 de junho.
Segundo o levantamento, 14% dos entrevistados disseram ter sido vítimas desse tipo de fraude — índice que era de 10% em 2024. O prejuízo total estimado chega a quase R$ 29 bilhões, com perda média de R$ 1.198 por pessoa.
O percentual de vítimas de golpes virtuais desse tipo é maior do que o de pessoas que relataram ter sofrido outros crimes patrimoniais: Golpes do PIX ou boleto falso, 14% (24 milhões de pessoas); Roubo ou furto de celular, 9% (15,7 milhões); Roubo ou assalto em geral, 11% (18,7 milhões); Notas de dinheiro falso, 10% (16 milhões).
A pesquisa mostra ainda que 37% das vítimas desses golpes pertencem às classes A ou B, enquanto 22% estão nas classes C, D ou E.
No recorte geral, crimes virtuais já superam os presenciais: 33% dos entrevistados afirmaram ter sofrido algum crime online, contra 22% que relataram delitos cometidos pessoalmente.
O estudo também relaciona o aumento dos golpes com o roubo e furto de celulares. Entre quem teve o aparelho levado, a taxa de vítimas de golpes do PIX ou boletos falsos sobe para 35,1%. Para os pesquisadores, isso reforça a hipótese de que o maior valor para o criminoso não é o aparelho em si, mas o acesso às informações pessoais contidas nele.
O perfil das vítimas varia conforme a faixa etária. Entre idosos com 60 anos ou mais, 11% sofreram algum tipo de fraude bancária envolvendo conta-corrente ou poupança — índice acima da média geral, que é de 6%. Já entre os jovens de 16 a 24 anos, o problema mais comum são compras online ou via redes sociais que nunca chegam: 23% disseram ter passado por isso, contra 18% no conjunto da população.

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