Com o resultado de agosto, o IPCA acumula alta de 3,15% no ano e avanço de 5,13% em 12 mesesAgência Brasil
A deflação ficou abaixo da mediana das projeções do mercado: a estimativa central do Projeções Broadcast apontava recuo de 0,16%, dentro de um intervalo de -0,27% a -0,07%.
Com o resultado de agosto, o IPCA acumula alta de 3,15% no ano e avanço de 5,13% em 12 meses. Cinco dos nove grupos que compõem o indicador registraram queda de preços no mês, de acordo com o IBGE.
A energia elétrica residencial recuou 4,21% em agosto, subitem de maior alívio individual no IPCA do mês, uma contribuição de -0,17 ponto porcentual. A redução foi decorrente da incorporação do Bônus de Itaipu, "creditado nas faturas emitidas no mês de agosto".
O IBGE lembra que em agosto esteve em vigor a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que adiciona R$ 7,87 à conta e luz a cada 100 Kwh consumidos. Houve ainda reajustes nas tarifas nas seguintes regiões: 18,62% em São Luís a partir de 28 de agosto; 15,32% em Vitória em 7 de agosto; 4,25% em Belém desde 07 de agosto; e 13,97% em uma das concessionárias em São Paulo em 4 de julho.
Ainda em Habitação, a taxa de água e esgoto subiu 0,24%, devido a reajustes de 4,81% em Vitória em 1º de agosto e de 4,97% em Salvador em 18 de julho.
O gás encanado aumentou 0,37%, com reajuste de 6,41% nas tarifas em Curitiba em 1º de agosto e redução média de 1,22% nas tarifas no Rio de Janeiro em 1º de agosto.
A melhora recente tem relação com uma maior oferta de produtos no mercado doméstico, em meio à ocorrência de safras melhores, mas possivelmente também com alguma influência do tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra alguns produtos exportados pelo Brasil para o mercado norte-americano.
A avaliação é de Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo ele, os itens com reduções de preços, como o café e frutas, apresentam maior oferta no mercado doméstico. Os recuos nos custos no varejo podem embutir já uma expectativa de queda do preço por conta de uma menor exportação futura em função do tarifaço, assim como uma possível redução em si na demanda pelas exportações brasileiras de determinados produtos. Porém, ainda não é possível precisar a ocorrência do fenômeno.
"Eu não tenho como precisar se tem impacto do tarifaço", ponderou Gonçalves.
O grupo Alimentação e Bebidas saiu de um recuo de 0,27% em julho para uma queda de 0,46% em agosto, uma contribuição de -0,10 ponto porcentual para a taxa de -0,11% registrada pelo IPCA do último mês.
A queda em agosto foi puxada pela alimentação no domicílio, que caiu 0,83%. Os destaques foram as reduções no tomate (-13,39%), batata-inglesa (-8,59%), cebola (-8,69%), arroz (-2,61%) e café moído (-2,17%).
Quanto à alimentação fora do domicílio, houve uma elevação de 0,50% em agosto: o subitem lanche avançou 0,83%, e a refeição fora de casa subiu 0,35%
Os combustíveis ficaram 0,89% mais baratos em agosto. A gasolina recuou 0,94%, segundo maior impacto negativo no IPCA do mês, -0,05 ponto porcentual, atrás apenas da contribuição da energia elétrica (-0,17 ponto porcentual).
Houve redução também nos preços do gás veicular (-1,27%) e do etanol (-0,82%), enquanto o óleo diesel subiu 0,16%.
O ônibus urbano recuou 0,14% em agosto, e o táxi aumentou 2,96%.
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